terça-feira, 7 de dezembro de 2021

O Que Gostarias De Ser?


7. O Que O Gostarias De Ser? | Arianna Papini | Kalandraka

Começamos por lhe admirar o formato grande e horizontal. A capa parece chamar-nos para uma qualquer brincadeira. Quando o abrimos, descobrimos uma espécie de jogo marcado pela cadência repetitiva da pergunta com que se inicia cada dupla página e pelo surgimento de uma nova personagem. 
À excepção da primeira, Rebeca, todas as outras são animais.


Rebeca, o que gostarias de ser?
Gostaria de ser um peixe, para escutar o silêncio e nadar livre no mar.
Peixe, o que gostarias de ser?







As personagens surgem interligadas pela resposta dada pela anterior. Rebeca gostaria de ser um peixe, o peixe gostaria de ser uma coruja,  a coruja, por sua vez, gostaria de ser um crocodilo... Cada um gostaria de vestir a pele de outro, de acordo com as características que nele admiram.











Com um delicioso final, este é um livro que abre as portas do sonho. Afinal, através da nossa imaginação, podemos sempre ser quem quisermos. Um livro que há muito queríamos ver em português e cuja chegada festejamos. E vocês, o que gostariam de ser? 


Obrigado, Miyuki!



6. Obrigada, Miyuki! | Roxane Marie Galliez e Seng Soun Ratanavanh | Orfeu Negro

Quem conhece Miyuki, sabe que a paciência não é o seu forte. Como todas as crianças, tem pressa de ver as coisas acontecerem. Depois de Espera, Miyuki de que falámos aqui, a menina e o avô estão de volta, protagonizando uma história onde se fala de meditação e onde o tempo volta à ribalta.


A pressa e os sucessivos porquês de Miyuki contrastam com a calma e a tranquilidade do avô, que aqui vemos em várias posições de meditação. À pergunta permanente da menina sobre o que é a meditação, o avô contrapõe sabiamente e silenciosamente as acções de reflexão e contemplação que a prática exigem. 




Miyuki e os leitores acabam por fazer um deleitoso passeio, pintado com as cores a que Ratanavanh já nos habituou, contemplando as abelhas, as pedras que encontram no caminho, a água, as incríveis formas das nuvens... Ainda que a voz da pequena ecoe  na nossa cabeça, o leitor não deixa de mergulhar na paz que emana desta paisagem, fechar os olhos, inspirar o perfume das rosas e, até, beber a água da chuva.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Era Uma Vez Um Alfabeto

 






















5. Era Uma Vez Um Alfabeto | Oliver Jeffers | Orfeu Negro

Fãs do trabalho de Oliver Jeffers, não podemos deixar de assinalar a reedição do seu genial Alfabeto. Em 2016, aquando da sua chegada, escrevemos sobre ele.
São mais de 100 páginas com histórias curtas e imaginativas que viajam de A a Z. Excêntricas, estranhas, tontas, contraditórias, loucas, de puro nonsense... ou nem por isso. Em comum, têm a característica de nos levar por caminhos hilariantes. Revelador de grande originalidade, o que mais nos encanta neste livro, é a forma delicada e criativa com que Jeffers subverte!"
O que pode haver de mais cativante para os pequenos leitores que se estreiam nesta viagem pelo alfabeto, do que começar com um paradoxo? O A é de astronauta. Não um qualquer, mas Edmundo que morria de medo das alturas. Descobrir a solução para os problemas de Edmundo exige percorrer as páginas até à letra Z...
Podem ler na íntegra aqui.







































Hoje terminamos como há cinco anos. É uma das nossas escolhas e sugestões para este ano, para o próximo, para sempre que decidirem oferecer um livro de excelência aos miúdos!

sábado, 4 de dezembro de 2021

Selva

 
























4. Selva | Marina Gibert | Kalandraka

Selva foi o livro vencedor do XIV Prémio Internacional de Compostela para Álbuns Ilustrados. Uma narrativa visual, de cores fortes e deslumbrantes, que nos faz entrar selva dentro na companhia de um pequeno rapaz que por ali se passeia.  O pequeno vai admirando tudo o que vai encontrando. Mas, nesta selva, tal como na vida, nem tudo o que parece é.





O rapaz não será o único a surpreender-se com os mistérios e as maravilhas que a selva encerra, já que  o inesperado espera pelos leitores a cada virar de página. Um caminho que é uma cobra, vários pares de olhos assustadores que se revelam borboletas, uma escadaria que, afinal, é um crocodilo... são muitas e divertidas as surpresas que, neste encantador livro, aguardam miúdos e graúdos.

























Um protagonista negro que se encontra com um tigre azul rodeado de uma palmeira cor-de-rosa... Esta é uma selva onde tudo se pode sonhar. O que, provavelmente, o leitor não consegue sonhar é com o fantástico final que Gibert escolheu para a sua história.



A autora, que vive em Lisboa, ter-se-à inspirado nas várias visitas aos jardins da Estufa Fria e no fenómeno dos animais reentrando nas cidades aquando do confinamento. A relação entre a selva e a cidade é um tema que lhe é caro. 

Hoje, fez uma visita surpresa aos Hipopómatos e houve quem tivesse a sorte de sair com o livro autografado.

Este é o seu primeiro livro e nós já aguardamos o próximo. Obrigada, Marina!











sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O Grande Guarda-Chuva

 
















3. O Grande Guarda-Chuva | Amy June Bates | Fábula

 

É vermelho e grande. Muito grande. Debaixo dele há sempre lugar para mais alguém. Bonacheirão e simpático, parece capaz de abrigar o mundo. Ao longo do livro vai crescendo e o seu sorriso também. Este Natal, bem gostaríamos de ter muitos guarda-chuvas destes.
























A cada virar de página, o guarda-chuva cresce na mesma proporção do número de pessoas e, até animais, que se encontram sob a sua protecção. Negras, brancas, altas, baixas, mais ou menos peludas, com mais ou menos patas... Aqui há lugar para todos. Com uma alegre paleta de cores, esta história simples e deliciosa abriga-nos a todos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Floco de Neve


 




















2. Floco de Neve | Benji Davies | Orfeu Negro


O que podem um floco de neve e uma pequena menina ter em comum? Benji Davies  dá-nos a resposta através desta encantadora história, onde se celebra a magia do Natal. 
Uma dupla narrativa onde  os leitores acompanham o percurso do floco de neve e de Noelle, a pequena menina. Ele enfrenta o medo de cair e do mundo desconhecido onde se vê obrigado a aterrar. Ela percorre as ruas da cidade com o avô, admirando todas as árvores de Natal que vai encontrando e sonhando com uma para si. 







































O floco é confortado por uma nuvem,  que o encoraja na viagem que se avizinha. Noelle é animada pelo avô,  que lhe diz que talvez no próximo ano consiga ter uma árvore tão grande e cintilante como aquela que a fez parar. Um pequeno ramo perdido revela-se a solução para Noelle que, quando chega a casa, o transforma na sua pequena e bela árvore de Natal.







































E o floco de neve? Isso é o que vocês vão descobrir quando entrarem nesta cidade já iluminada a rigor para receber o Natal (e que aqui e ali nos reporta para outro livro do autor, O Olharapo), e onde os encontros inesperados podem acontecer. Uma história sobre esperança e paciência que o autor dedica ao pai, mas que é de todos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Daqui Ali



Um livro por dia é uma alegria. Até ao Natal, deixaremos aqui uma sugestão diária de leitura. É o nosso habitual calendário adventício, sempre feito de livros. Com as nossas ou outras sugestões, visitem as livrarias independentes e ofereçam livros. 

1. Daqui Ali|Isabel Minhós Martins e Yara Kono|Planeta Tangerina

Começamos pelos mais pequenos e com este pequeno grande livro do Planeta Tangerina. Um livro sobre os primeiros passos, as primeiras conquistas, os avanços e recuos que caracterizam essa apaixonante fase da vida em que o bebé se vai tornando menino.




















Com uma cadência ritmada pelo texto em verso e umas ilustrações deliciosas, acompanhamos os pequenos progressos, as hesitações, o vai-não-vai próprio desta fase do crescimento. Com a motivação acrescida dos adultos que estão por perto, as mãos largam-se pela primeira vez, para serem agarradas logo a seguir. É o Vai! Vem! que todos conhecemos.






















A simbologia da capa e da contracapa é perfeita, remetendo-nos para uma espécie de jogo da glória, onde os jogadores ora avançam, ora recuam. Os primeiros passos que se dão, os primeiros objetos que se apanham, que se perdem... as pequenas conquistas que se alcançam entre o lado de cá e o de lá. Um pequeno livro capaz de nos fazer sentir todo o encantamento que acompanha o princípio da autonomia por parte da criança. Precioso!
Daqui ali | Toda a tensão... Daqui ali | Revolução.