segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

É Natal, é Natal! Há tesouros a chegar!

8. João e Mais Oito, Um Livro Para Contar


Há livros que nos acompanham há tanto tempo... Quase nos esquecemos que nunca os lemos em português! Depois, há um dia em que chegam e somos inundados por uma onda de felicidade. E sim, festejamos! Muito! 


Os dois livros de Maurice Sendak, agora publicados pela Kalandraka, acompanharam certamente o crescimento de muitas gerações desde os anos 60, altura da sua primeira publicação. O que faz deles pequenos tesouros é o facto de continuarem, hoje, a encantar as crianças que têm o privilégio de os abrir.


Aprender a contar ou a soletrar as letras do alfabeto na companhia de Sendak, poder rir a cada página com o humor inteligente das suas deliciosas ilustrações, é algo a que todas as crianças deviam ter acesso. 


João, rapaz amante de sossego, vê-se subitamente invadido por uma quantidade de criaturas sem medo que lhe transformam a casa num autêntico caos. De 1 a 10, os inusitados visitantes vão surgindo ao ritmo de cada dupla página. De forma rimada, o rato, o gato, o cão, a tartaruga, o macaco... esgotam a paciência do pequeno, até então absorto na leitura de um livro. 


Mas João não vai em conversas e não se deixa intimidar por toda aquela prole que jamais seria capaz de convidar. 
Sabem o que tenho em mente? Vou contar de trás para a frente...
Desta feita, por ordem decrescente, sem se fazerem rogados, voltam a sair todos os que não tinham sido convidados. De porta fechada, a leitura é, finalmente, retomada. Bravo, João!

9. Vida de Crocodilo, Um Alfabeto


Foram muitas as vezes que brincámos ao alfabeto de Sendak. Chegámos mesmo a fazê-lo aqui.  À boleia desta simpática e divertida família de crocodilos, as crianças fazem uma visita guiada pelas letras do alfabeto.


Com frases curtas, a irreverência de mestre Sendak passeia-se, pincelada de subtilezas, ao longo das ilustrações. Esta pode não ser uma família muito tradicional, mas é, seguramente, uma daquelas que os miúdos adoram imitar. Todos juntos, Fazem a festa e Gozam à grande.


Estes são os dois primeiros livros de uma série que viria a ser distinguida pela Associação
de Bibliotecas Americanas e adaptada pelo própio autor para o musical Really Rosie de 1975. 


Verdadeiramente vaidosos, já estamos à espera dos próximos que nem uns gulosos!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Hipopómatos em Festa!



A Casa dos Hipopómatos comemora, este fim de semana, o 2º aniversário! Sábado e domingo, das 11 às 19h, vamos ter  histórias, workshops, actividades várias & livros a preços hipopomatizados. Consultem a agenda e venham! Estamos à vossa espera.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

7. O Mundo é Redondo.

Uma rosa é uma rosa é uma rosa

Corria o ano de 1938, quando a escritora Margaret Wise Brown, autora de vários êxitos infantis como o conhecido Goodnight Moon, decidiu convidar alguns vultos da literatura para escreverem livros para crianças. Ernest Hemingway, John Steinbeck e Gertrude Stein foram os contemplados. Enquanto os dois primeiros recusavam, Stein surpreendia não só por aceitar, mas sobretudo por afirmar já ter o livro escrito. Chamava-se O Mundo é Redondo.



O que talvez ninguém esperasse é que Stein impusesse algumas condições. As páginas deveriam ser cor-de-rosa e o texto impresso a azul. Mas essas não eram as únicas surpresas reservadas. Uma vez publicado, o livro, misto de prosa e poesia, revela um texto corrido onde a pontuação se faz apenas com o uso de vírgulas, poucas, e pontos finais. 




“Não se importem com as vírgulas que não estão lá, leiam as palavras. Não se importem com o sentido que lá está, leiam as palavras mais depressa. Se tiverem alguma dificuldade, leiam mais e mais depressa até não terem”. Era o conselho da autora.


Quase oitenta anos depois, o livro chega a Portugal, pela mão da editora Ponto de Fuga. Nele podemos ler a emblemática divisa de Stein, a rosa é uma rosa é uma rosa. Aqui, a Rosa parece ter mesmo sido de carne e osso. Uma pequena de nove anos, vizinha da escritora, terá sido a fonte de inspiração. Ela, Pépé e Love, os dois cães que eram e não eram dela.




Rachel Caiano foi a ilustradora escolhida. A delicadeza e a beleza do traço das pequenas ilustrações, em perfeita sintonia com o texto, emprestam ao livro uma fina singularidade.  Em 1939, Clement Hurd foi o ilustrador de serviço. Nos anos noventa, Roberta Arenson ilustrou uma deliciosa edição em formato de bolso. Se Gertrude Stein fosse viva, ficaria certamente muito feliz de ver a rosa é uma rosa é uma rosa que agora nos chega às mãos. Um luxo!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

6. A Horta do Simão


A Horta do Simão, da argentina Rocío Alejandro, publicada pela editora Kalandraka, foi a obra vencedora do X Prémio Internacional Compostela para Ábuns Ilustrados. 



Este é o Simão. Todos os anos, quando chega a primavera, lança mãos à terra  e semeia as suas cenouras. Claro que antes há muito para fazer. Colocar a cerca de protecção, preparar a terra, lançar as sementes, regar... Pouco a pouco, as cenouras vão crescendo até estarem em condições de serem colhidas.


A colheita deste ano é grande. E os vizinhos do Simão vão aparecendo para ajudar. O rato, a galinha, a cabra... engrossam um grupo solidário.


Claro que as cenouras do Simão são não são o vegetal preferido de todos e as sugestões não tardam a chegar. Alfaces, tomates, beringelas, morangos e um grupo de esforçados agricultores acabam por dar à horta uma outra dimensão.


As ilustrações, com recurso à técnica da estampagem com carimbos e uma paleta de cores em tons ocres e laranjas, revelam um magnífico e minucioso trabalho. 



Rocío Alejandro inspirou-se na horta comunitária do seu bairro para fazer o seu primeiro livro como autora e ilustradora. E nós, leitores, ficamos a ganhar. Esta é uma história ecológica, que se traduz numa magnífica homenagem ao trabalho em equipe, às boas regras de convivência, ao contacto com a natureza. Vivam as hortas comunitárias! 
Uma história que merece a atenção de professores e educadores para poder ser semeada pelas nossas crianças.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

5. Perdi-me No Museu Porque...


David Cali e Benjamin Chaud estão de volta, trazendo com eles o pequeno e imaginativo Henrique. Neste terceiro livro, editado pela Orfeu Negro, o rapaz que já conhecemos por não fazer os trabalhos de casa e chegar atrasado à  escola, sempre com fortes motivos, diga-se, vive  uma nova aventura. Uma visita de estudo a um museu.

Assim que cheguei, fui atacado por um triceratops.

Quem também já conhece o Henrique é a sua professora, que não resiste a questioná-lo,  com cara de poucos amigos, sobre a visita realizada. Ora, o rapaz não se faz rogado e dá inicio ao relato das muitas e fantásticas peripécias experienciadas. É aqui que os leitores apanham boleia.


Uma vez lá dentro, tudo é possível!  Encontros com manadas de búfalos ou famílias Neanderthal, passagens secretas, esculturas animadas que capturam visitantes, explosões... Henrique vê-se mesmo obrigado a executar algumas tarefas que não estariam previstas: arrumar, limpar e até... pintar. Sim, o miúdo reparou naqueles quadros que não estavam terminados e achou que era o mínimo que podia fazer! 

E dediquei-me com toda a minha arte.


Enquanto o leitor reconhece algumas alusões à Mona Lisa ou ao Princepezinho , as aventuras sucedem-se a um ritmo tão alucinante quanto hilariante. Nada que desvie o nosso pequeno artista do seu objectivo, encontrar a turma! Ah, é que nos tínhamos esquecido de contar que o Henrique chegou atrasado... ao museu.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

4. Boa noite!


Hoje, dizemos Boa noite! na companhia de Pierre Prat, responsável pelas muitas e sonoras gargalhadas que temos ouvido aos mais pequenos, sempre que lhes mostramos esta divertida e hilariante história. 


A vida do Sr. Silva não é coisa que se inveje. O pobre homem chega a casa sempre ao final do dia, cansado do trabalho e, como se isso não bastasse, tem de subir 96 andares! Não, não há elevador!


É, pois, inteiramente compreensível que assim que põe os pés em casa, dê inicio ao ritual de ir para a cama. A questão é que, no caso do Sr. Silva esse ritual reveste-se de alguma complexidade. 

Na verdade, o Sr. Silva nunca se deita sem dizer boa noite ao chapéu, ao casaco, à gravata, ao cinto... e a muitas, muitas outras coisas. Mais exemplos? O livro, os óculos, os dentes postiços... Não, não contamos mais! 


Dizemos apenas que tudo o que se segue é tão surpreendente quanto hilariante. Surreal? Também, mas garantimos que é imperdível. Façam o favor de gargalhar!

domingo, 3 de dezembro de 2017

3. Esconder-se num canto do mundo



Pelo segundo ano consecutivo, a editora Kalandraka brinda-nos com um livro de Jimmy Liao na altura do Natal. Há cerca de um ano, chegou a maravilhosa Noite Estrelada, de que falámos aqui. Desta feita, o eleito é Esconder-se Num Canto Do Mundo. Jimmy Liao é uma paixão antiga. Sobre ele e a sua obra já aqui escrevemos várias vezes. E não hesitamos em afirmar que, nos pedacinhos da vida  em que nos apetece esconder, o faríamos de bom grado num canto de qualquer um dos livros do autor.


Está bem! Está bem!
Não estou a dizer que não gosto desta família!
E também não estou a dizer que vos odeio, malta!
É que às vezes gostava que me deixassem em paz...

O monólogo deste pequeno rapaz, convicto de que, diga o que disser, não vão acreditar nele,  é o ponto de partida para mais uma singular história, onde identificamos problemas comuns ao crescimento, à descoberta de si mesmo e do mundo. A incompreensão, a solidão, a busca de um porto seguro... 


Não vos vou abandonar, mas também tenho coisas para fazer! Não sou nenhuma ave rara, e há muita gente assim.
E é isto: gostávamos todos de nos esconder num canto do mundo!



O canto existe. Povoado pelo silêncio. 
É como numa biblioteca. Não podes importunar ninguém sempre que te apetecer. E também não deves ficar curioso com o que os outros fazem ou como livro que estão a ler. Relaxa, sê tu próprio e sê feliz. 


No canto do mundo, deve esquecer-se o tempo. É um lugar onde há sempre uma segunda oportunidade para os erros. Onde cada árvore abriga temporariamente uma criança que não está em sintonia com o mundo. No canto do mundo, porto de abrigo para corações feridos, todas as crianças têm o poder de transformar as derrotas em vitórias. 



As soberbas ilustrações de Liao, essas, deslumbram  leitores de todas as idades. O seu universo onírico, pintado a aguarela, revela sentimentos e estados de alma de forma ímpar. A solidão, a melancolia, a esperança, a beleza, a tristeza... percorrem toda a sua obra. 


Um dos nossos livros de 2017. Escondam-se. Aqui!

sábado, 2 de dezembro de 2017

O Urso e o Piano


2. O Urso e o Piano


A nossa sugestão de hoje recai sobre O Urso e o Piano, de David Litchfield, editado entre nós pela Booksmile.


No meio da floresta, um pequeno urso encontra uma "coisa" estranha. Nunca vira nada parecido... Meio a medo, toca-lhe. A coisa reage. Com um som horrível, diga-se: PLONC!


A suspeita de que o piano ocupará um lugar importante na vida do pequeno urso acompanha o leitor desde o momento em que olha para a capa. Mas nem por isso deixa de se deleitar com a forma encantadora encontrada por Litchfield para mostrar a crescente ligação entre ambos. Texto e imagens coabitam revelando a relação entre o decurso do tempo, através da passagem das estações do ano, o crescimento do pequeno urso e a proximidade cada vez maior com a coisa. Cada vez menos estranha, por sinal.



Já urso feito, a música é a sua vida, tornando-se sinónimo de felicidade. A legião de fãs é grande, não existindo, naquela floresta, um único urso que não admire o som mágico que consegue extrair daquela coisa. Mas a alma de artista fá-lo sonhar mais alto. E quando a oportunidade lhe bateu à porta, apesar de difícil, a decisão foi tomada. Partiu para a cidade em busca de mais... 


A fama e o sucesso não tardaram. Os concertos, os discos de platina, os prémios, as entrevistas, as primeiras páginas tornaram-se coisa de todos os dias. Mas o urso de feições afáveis e porte elegante percebeu que não eram suficientes. O coração falava mais alto, as saudades de casa e dos amigos atormentavam-no. Assim como a ideia de que os amigos não lhe tivessem perdoado a partida. A viagem de regresso é inevitável. O leitor acompanha o protagonista na sua incursão por uma floresta, agora bem mais luminosa, mas onde nada parece estar igual. Onde não se vislumbram coisas estranhas nem amigos...


Vencedor do Prémio Waterstones para Melhor Livro Ilustrado, o livro traduz uma ode à amizade, capaz de prender leitores de todas as idades. Uma e outra vez.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Natal é quando um leitor quiser

São livros que se podem oferecer no Natal. São livros que se podem oferecer todos os dias. Não imaginamos melhor calendário de advento do que um composto por livros. Um por dia. Aqui ficam as sugestões dos Hipopómatos. Boas leituras!

1. Animais Selvagens do Norte



Uma viagem aos pontos mais recônditos do hemisfério norte. É a proposta que nos faz Dieter Braun num livro de excepcional beleza, recentemente publicado pela Orfeu Negro.


Quase um terço dos animais deste livro têm a sua subsistência em risco, e alguns estão mesmo ameaçados de extinção. Ainda que a humanidade possa continuar a existir sem eles, há um pedaço da diversidade multicolor da nossa vida que morre com cada espécie desaparecida. 


A informação é dada no inicio, antes mesmo de apanharmos boleia. Segue-se uma viagem por mais de cento e quarenta páginas, onde vamos sendo apresentados a uma diversidade de seres fascinantes e conhecendo algumas das suas características, forma de vida, curiosidades...  Pumas, patolas-de-pés-azuis na América do Norte, renas, papagaios-do-mar na Europa, leopardo-das-neves, panda-gigante na Ásia, ursos polares no Ártico, são apenas alguns exemplos.


Ao invés do que poderiam indiciar o tamanho do livro, o número de páginas, o seu carácter enciclopédico, os textos são curtos e estabelecem uma notável convivência com as ilustrações em grande formato, que se espraiam pelas páginas,  num cenário quase realista e de estonteante beleza.


Com as férias à porta, agarrem nos miúdos e apanhem boleia. Até porque, em 2018, já está prevista a chegada dos animais selvagens do hemisfério sul.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Porque hoje fazemos anos.


Os hipopómatos chegam à lua, conduzidos a seis mãos… Viajamos através do único meio capaz de nos levar a qualquer lado, o LIVRO. O que pretendemos? Dar-te boleia…
Assim nasceu este blog, há precisamente 6 anos. Hoje, rodeados de livros fantásticos, de livros que sempre nos apaixonam, mantemos o desafio. O que pretendemos? Dar-te boleia...