O Jogo do Ludo | Maria Girón | Kalandraka
Maria Girón tornou-se visita assídua nas nossas livrarias e os mais pequenos agradecem. Mais conhecida pelo seu Pim Pam Pum, livro vencedor do XVII Prémio Internacional de Compostela para Álbuns Ilustrados, são vários os livros da autora que nos têm chegado pela mão da editora Kalandraka. Cinco Ratinhos, Minha Guia, Meu Capitão, Migrantes e o recém-chegado De Braços Abertos são livros com a sua assinatura, a solo ou como ilustradora. Pelo meio, ainda fomos brindados com este delicioso Jogo do Ludo.
O conhecido jogo de tabuleiro é apenas um dos ingredientes da receita de uma inteligente e encantadora narrativa sobre a amizade e o prazer de partilhar as pequenas grandes coisas da vida. Utilizando a técnica da repetição, tão do agrado dos mais pequenos, e surpreendendo-nos a meio com uma estrutura circular, Girón brinda-nos com mais uma história deliciosamente criativa e cheia de humor. Uma daquelas a que os mais pequenos vão querer voltar muitas vezes.
O mapeamento das casas dos quatro amigos é-nos revelado logo na dupla folha de rosto, onde ficamos a conhecer a casa do rio, a casa da árvore, a casa do lago e a da colina. De casa em casa, vão-se juntando e cada um tem algo para partilhar, aprimorando o dia e o convívio.
Quando chegam à última casa, a do Texugo, ficam surpreendidos por ele não estar. É aqui que voltamos ao princípio da história porque o Texugo teve a mesma ideia e por esta altura está à porta da amiga gata. Munido, claro está, do jogo do ludo. Também ele intrigado por a amiga não estar em casa, são as pegadas que encontra que lhe fornecem as pistas para fazer todo o percurso até ao alegre e divertido reencontro.
A simplicidade, as cores vibrantes apostas num cenário coberto pelo branco da neve, as personagens humanizadas, despretensiosas e magnificamente conseguidas, coexistem na perfeição para deleite dos leitores.
Reunidos à volta da mesa, recheada com algumas iguarias, os amigos riem e divertem-se cantando ao som do ukulele e, claro, jogando Ludo. E o toque realista que Girón incute neste cenário é tal que todos nos sentimos em casa. Este é, sem dúvida, um lugar onde nos apetece estar, ainda que tenhamos de vestir o casaco, enfiar o cachecol, o gorro e atravessar a neve para lá chegar.