sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Viagens de Comboio em Primeira Classe


 




















Viagens de Comboio em Primeira Classe | Dani Torrent | Orfeu Negro


Clementina fora educada pelo pai para se tornar uma dama da alta sociedade. Funcionário público com alguns relacionamentos no meio, o homem sonhava com um bom casamento para a filha, esforçando-se por lhe ensinar as boas maneiras e a etiqueta exigíveis. O resto já a rapariga tinha. Possuía um porte aristocrático, elegância e uma beleza mesclada de languidez, capazes de despertar grandes paixões. 
























Um dia, a guerra rebentou e o mundo da rapariga ruiu. A guerra levou-lhe o pai, a casa, os planos. Clementina ficou sozinha, perdida nos escombros da destruição e sem encontrar a porta para o futuro. Mas é nas situações de maior desespero que o ser humano tem de se reerguer e o primeiro dia de primavera devolveu a Clementina a lucidez para reorganizar os planos do pai e ir em busca de um bom casamento. Usou as poucas poupanças que o pai deixara e gastou metade num fino e elegante conjunto de seda verde-hortelã e numa enorme capelina às riscas que lhe devolveram o seu ar distinto. Com a outra metade, comprou um bilhete anual de comboio em primeira classe. Era esse o lugar certo para conhecer os cavalheiros mais abastados. Um ano deveria ser suficiente para concretizar o sonho do pai. Mas seria esse, também, o de Clementina?
























Seguindo a estrutura dos contos clássicos, Torrent acaba por oferecer ao leitor uma fábula feminista e uma visão crítica de uma realidade que não está assim tão distante dos nossos dias. As ilustrações, marcadas sobretudo pelo grafite e pelos pastéis, chegam-nos difusas, talvez um pouco à semelhança da vida da protagonista. A tonalidade creme do papel utilizado acolhe-as, oferecendo ao livro um certo toque de passado. Será esta uma história impossível de ser vivida pelas mulheres de hoje? 




Instalada na primeira classe daquele comboio, Clementina tem um ano para prosseguir o sonho do pai. Nas três estações do ano que se avizinham, conhece três cavalheiros abastados, cada um mais rico do que o outro. Um banqueiro, um general e um príncipe. Todos lhe oferecem o mundo. Mas o silvo do primeiro comboio da manhã parecia fazer desperta-la de um sonho que não era seu e que não queria. Clementina partiu sempre, deixando para trás apenas o suave aroma a hortelã. A cada regresso reencontrava Otto, o rapaz que lhe transportava a mala e que viria a tornar-se maquinista. O mesmo que manifestava o desejo de que a viagem fosse interminável. 























O ano chegava ao fim. E os planos que, noutro tempo, o pai fizera para ela, também. A viagem permitiu-lhe conhecer o mundo e conhecer-se melhor a si própria. As mordomias e os bens materiais que os homens que conhecera lhe quiseram dar não a tinham seduzido. Tinha descoberto um bem maior, a liberdade. Clementina tornou-se uma mulher determinada e independente. Agarrou o destino com as suas próprias mãos, agora com a certeza de que aquele era o lugar de onde nunca mais se quer partir. 























Este é um livro simultaneamente poderoso e delicado. Texto e ilustrações coabitam numa desalinhada e desconcertante harmonia. Há ilustrações de dupla página sem texto, há páginas só com texto, há opções intermédias. Os silêncios, os pensamentos, os vazios, as personagens e o seu posicionamento, os jogos de luz... tudo se espraia pelo papel como se fosse um convite ao leitor para entrar num qualquer museu. Um livro com várias velocidades de leitura. Afinal, ainda que em primeira classe, a viagem é longa. Não a percam, a única certeza é que Clementina estará por lá.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Bruxinha Avelã, Um Ano na Floresta



A Bruxinha Avelã, Um Ano na Floresta | Phoebe Wahl | Fábula

Nestes dias trágicos que estamos a viver, todos gostaríamos de ter por perto uma bruxinha como esta. Longe da figura estereotipada das bruxas, Avelã apresenta uma pequena e robusta estatura. Do alto das suas tranças compridas, exibe uma aparência simples e até despreocupada quando nos revela as pernas cheias de pêlos. Quando a conhecemos, ficamos a saber que é generosa, determinada e corajosa. Vive para ajudar os outros e não há um único habitante na sua esplendorosa floresta que não possa contar com ela.
























A floresta não parece ter segredos para esta guerreira.  Desde a sua acolhedora casa, construída num tronco de árvore, percorre qualquer distância para ajudar quem dela precise. Avelã é parteira, curandeira, conselheira... é pau para toda a obra. Tanto a vemos em casa dos Esquilos a tratar da dor de dentes de um dos pequenotes, como a tirar um espinho da pata de uma toupeira ou junto à família dos Coelhos a pesar os recém-nascidos.
























Whal estruturou o livro em quatro histórias, uma para cada estação do ano. Na primavera, Avelã resgata um ovo de coruja órfão e acolhe-o em sua casa até a pequena criatura, de seu nome Óscar, ter condições de se mudar para o seu habitat. No outono, socorre um troll solitário e assustado, ajudando-o a integrar-se na comunidade. O leitor é, assim, convidado a passar um ano na floresta, acompanhando o dia a dia da comunidade e deslumbrando-nos com os cantos e recantos de um cenário encantador. A loja da aldeia, a sapateira, os correios, a biblioteca pública do verde-musgo, a terra das fadas, o lago são alguns dos lugares maravilhosos que fazem com que, independentemente da idade, todos queiramos permanecer na magnífica floresta. 




 

































aqui falámos do quanto gostamos do trabalho de Wahl e da coerência de que os seus livros sempre se revestem. Neste, os tons terra, os verdes, os laranja avermelhados harmonizam-se exaltando a beleza da natureza. Os habitantes espelham a diversidade de uma comunidade a que gostaríamos de pertencer. Gnomos, fadas, dríades coabitam com toda a espécie de animais, na sua maioria humanizados. Várias cores de pele reflectem que aqui há lugar para todos. Os detalhes transportam-nos para a vida real. Tanto encontramos um gnomo em cadeira de rodas como um pai de avental florido e biberão na mão, exausto de cuidar dos filhotes. Há uma parafernália de pormenores que exemplifica, em simultâneo, a rotina de cada um e o espírito da vida em comunidade. Por todo o lado, há apontamentos deliciosos e cheios de humor, como os óculos das manas toupeiras.









































Avelã é destemida e não mede esforços quando se trata de prestar auxílio. E se for ela a precisar, existirá alguém pronto a socorrê-la? Será o seu esforço reconhecido e retribuído? Esta é a altura do leitor se embrenhar na floresta e descobrir. 







































Um livro que é uma bonita ode à natureza, à amizade e ao espírito de entreajuda, cada vez mais necessário. Só boas razões para admirar esta bruxinha que, ainda por cima, é leitora!

"Com mil cogumelos", todos deviam conhecer e ter por perto uma Avelã! Vivam as Avelãs!



quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

FANTASMAS

 




Fantasmas | Clara Rowland e Madalena Matoso | Planeta Tangerina


Pode parecer estranho andar com os fantasmas debaixo do braço, mas é o que temos feito desde que este pequeno e fantasmagórico livro nos chegou às mãos. Por entre sombras, ecos e algumas estranhezas fomos, completamente, "apanhados" por estas criaturas. Não nos saem da cabeça e já nos levaram por inúmeras histórias, alguns filmes e outros tantos livros. Entrámos em casas, museus, galerias...  Será isto o poder dos fantasmas?



 





















Quando inicia a busca, o leitor já está avisado. Neste livro, cruzam-se histórias imaginadas com outras encontradas em livros, quadros, fotografias ou filmes. É uma espécie de inventário dos fantasmas e de lugares onde as criaturas nos podem assombrar. Ou não. Espelhos, sons, sombras, roupas, casas, cartas, nomes, fotografias e cinema. São nove as áreas escolhidas para explorar a vida dos fantasmas. Afinal, não tão diferente da nossa.























Rowland desafia o leitor a atravessar um universo onde se misturam coisas de todos os dias, histórias do imaginário e outras que nos reportam para o mundo dos livros, da fotografia, do cinema, da arte em geral. De forma singular, conduz-nos numa viagem por camadas onde mistério e realidade se fundem numa multiplicidade de caminhos. Será este o poder dos fantasmas?























A propósito dos espelhos, revisitamos Alice. No país das maravilhas e Do outro lado do espelho. Relembramos o conto de João Guimarães Rosa, O espelho e regressamos a Ovídeo e ao seu Narciso. Instalamo-ns confortavelmente porque queremos ver O circo de Charlie Chaplin ou A Dama de Shanghai de Orson Welles. Na senda das misteriosas criaturas, por entre sombras, roupas ou cartas, embrenhamo-nos nas obras de Marcel Proust, Júlio Cortázar, Franz Kafka, Nikolai Gogol, Lao Tsé... Descansamos na poesia de Drummond, revisitamos Oscar Wilde e o seu eterno Fantasma de CantervilleT.S.Eliot e o seu maravilhoso O Livro dos Gatos Práticos do velho Gambá. 


Sem nos darmos conta,  revisitámos Peter Pan, piscamos o olho a Carlo Collodi e a Pinóquio e relembramos Hans Christian Andersen. As fantasmagóricas criaturas não são indiferentes a Tintim e nós, leitores, recuperamos o fôlego nas linhas de um poema do querido Manuel António Pina. Que poder têm estes fantasmas! Depois de visitar galerias e museus, de seguirmos nas sombras de Lourdes Castro, de tocar a parafernália de fotografias de Vivian Maier, já estamos outra vez colados ao ecrã pela mão dos grandes mestres como Fritz Lang, os Irmãos Lumière,  Georges Méliès,  Alfred Hitchcock ou Manoel de Oliveira. Com o leitor completamente enfeitiçado, não surpreenderia se Romeu e Julieta lhe abrissem as portas. 

























De formato pequeno e apelativo, este é um livro fantasmagoricamente fascinante. As
ilustrações de Matoso dão casa a todos os fantasmas que aqui quisermos encontrar. Numa simbiose perfeita, é nelas que eles se dissipam ou evidenciam. De acordo com a sua própria vontade, porque é de fantasmas que falamos. Será?
Sem qualquer sombra de dúvida, com muitos ecos e nomes na cabeça, esta é uma das nossas escolhas para o ano de 2025. 


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

À Noite, na Floresta


 
























À noite, na floresta | Sarah Cheveau | Orfeu Negro


Entrar na floresta, ao cair da noite, não é para todos. Intuímos, por isso, que a protagonista que relata tamanha aventura é, no mínimo, destemida. A coragem é contagiante e por entre mistérios e riscos imprevisíveis, o leitor sente-se desafiado a acompanhá-la. Uma incursão misteriosamente bela, delineada em tons escuros e marcada pelo encontro com alguns dos magníficos habitantes desta floresta.












Árvores e mais árvores, pegadas, silhuetas... tudo se mistura na mescla de tons escuros que pintam a noite por ali. Um esquilo, uma raposa, uma lebre, um texugo, uma corça e, para culminar, o desassossego da aparição de um enorme javali. O suspense aumenta na proporção da crescente proximidade. O desfecho revela-se ao leitor como um sonho em forma de poema escrito e ilustrado.












A poesia e a singularidade do livro reside, acima de tudo, na inovadora técnica de Chevau para ilustrar o livro: o uso de carvão vegetal. De acordo com a autora, "um pauzinho descascado e queimado dentro de um recipiente dá um pedaço de carvão vegetal, que é uma ótima ferramenta para desenhar". A paleta de cores, nas suas diferentes tonalidades de castanhos e negros, resultante das diversas essências da madeira depois de queimada, conduz a um resultado sublime. E para que o leitor não tenha dúvidas, a autora brinda-nos com a inclusão de um mostruário de algumas das ferramentas utilizadas, de uma lista das cores de essências de madeira e de um maravilhoso herbário.












Numa narrativa predominantemente visual, beleza e poesia andam de mãos dadas a reboque de uma técnica inovadora que nos fascina e faz ter vontade de meter mãos ao trabalho! Sem dúvida, uma das nossas escolhas para este ano de 2025. 


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Biblioteca de Bolso
























Biblioteca de Bolso | Maurice Sendak | Kalandraka

É preciosa!  Durante anos, a versão inglesa que temos foi dos livros mais cobiçados nos Hipopómatos. Agora, Biblioteca de Bolso de Maurice Sendak já anda por cá. Vê-la, finalmente, em portugês, é uma imensa alegria. Sendakianos de alma e coração, queremos festejar e partilhar com todos. Os que conhecem a sua obra e, acima de tudo, com os que estão menos familiarizados com ela. Porque ler Sendak é sempre um bem necessário. 




Canja de Galinha com Arroz, Vida de Crocodilo, João e Mais Oito Duarte são os quatro mini livros que integram a pequena caixa que exibe belas ilustrações de Sendak, aqui com um  toque vintage. Deles já falámos aquiaqui. Sendak ocupa várias páginas deste blogue e nunca nos cansamos de o revisitar.



Agora que o tesouro chegou, apoderem-se dele. As crianças adoram o formato mini dos livros. Alguns adultos também. A caixa faz as delícias de todos e pode levar-se para qualquer lado! Afinal, é a Biblioteca de Bolso. Tirem os livros e leiam com os miúdos. Muitas vezes. Antes de os  guardar, sorriam e lembrem-se que Sendak foi e será sempre um escritor fora da caixa.




terça-feira, 4 de novembro de 2025

Lembras-te?

 























Lembras-te? | Sydney Smith | Fábula


O presente entrelaça-se, de forma bela e poética, com as preciosas memórias de um passado não muito longínquo.  Um tempo que se revela feliz é agora lembrado por mãe e filho que parecem alicerçar nele a força para  viver o presente e construir o futuro. 








































Num cenário envolto em tons escuros, vários planos dos rostos, das mãos e dos pés mostram os dois protagonistas deitados, num aconchego feito de proximidade, recordando nostalgicamente o que ficou para trás. É através da evocação dessas memórias que o leitor fica a conhecer melhor a vida que já tiveram. O lugar onde viviam, o tempo passado em família com o pai e o avô, pequenos grandes momentos reveladores do afecto e do amor que preenchiam os seus dias. Uma história de vida contada a partir da dicotomia passado e presente.








































A pergunta que dá título ao livro está presente a cada dupla página, situando o leitor no momento presente e partilhando com ele as recordações de mãe e filho. As falas de ambos são assinaladas por cores diferentes, permitindo-nos identificar quem lembra o quê.
Os tons escuros que pintam  os silêncios e a nostalgia das memórias,  contrastam com as cores usadas nas vinhetas que ilustram, sequencialmente, alguns momentos do passado: dias de piquenique, de aniversário,  a primeira bicicleta e a primeira queda, a casa do avô... 








































Depois do incrível Ser Pequeno na Cidade, o seu livro estreia a solo, o autor volta a deslumbrar-nos com um livro onde o peso da partida e da separação se debate com a esperança de novos recomeços. Afinal, uma temática que é, hoje, coisa de todos os dias. O estilo de Smith, já aqui o dissemos, é indissociável do seu gosto pelas vinhetas, pelos quadros em que distende sequencialmente as suas histórias, pelas manchas de toque impressionista, mas sempre fornecendo ao leitor retratos fiéis da realidade. Este livro, dedicado à sua mãe, não é excepção. 








































Não sabemos as razões que motivaram a partida, que deixaram o pai e o avô para trás, mas intuímos a força que os dois precisam para enfrentar tamanha mudança. No final, o rapaz mostra-se confiante, dando ao leitor uma informação adicional: aqui não têm que estar preocupados ou assustados. Como que por magia, o sol nasce sobre a casa nova e o cheiro da padaria do outro lado da rua mistura-se com a certeza de que no novo caminho tudo vai correr bem. Os momentos de agora transformar-se-ão, também eles, em preciosas e alegres memórias. 
Uma já existe. A viagem que os trouxe até aqui.  À cidade onde se perderam, acabando guiados pelo ursinho de peluche que o pai lhe tinha dado. Lembras-te?

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Como Nascem As Árvores


 






















Como nascem as árvores |  Charles Berberian | Orfeu Negro


Berberian acompanha-nos desde os anos 90. A dupla Dupuy-Berberian com Monsieur Jean e Henriette (que chegámos a ver por cá há muitos anos) fazia as delícias de todos por aqui. Esta é a sua estreia no universo do álbum ilustrado. Uma estreia magistral que lhe valeu o Prémio Bolonha Ragazzi 2024 e que nos deixa, agora, imensamente felizes por chegar até nós.




De mãos dadas, uma mãe e o pequeno filho passeiam-se pela floresta, na companhia do seu cão. Uma página em branco parece sugerir ao leitor um convite para que faça parte da  caminhada. Rapidamente lhe detectamos a atmosfera intimista e descobrimos que este é um lugar de contemplação, de pausas, de silêncios. Mas, também, de perguntas e de respostas que, ainda que carreguem um pendor informativo, nos chegam envoltas em poesia.
























Ao longo da caminhada, o leitor redescobre-se dentro de um jogo de harmonias. Entre a doçura e a inocência das perguntas e a profundidade poética das respostas e das imagens dos lugares por onde vai andando. Retemos a inocência e a graça das perguntas do pequeno, curioso para saber se as árvores se casam entre elasse têm árvores bebés ou até se as mais pequenas vão à escola (considerando-as, num apontamento de humor, umas"sortudas"). Mas no momento imediato, paramos num qualquer recanto frondoso, para ouvir as respostas da mãe e refletir sobre as árvores grandes e pequenas, sobre as sementes, sobre o ciclo da vida...
























Percorremos as páginas encantados com esta viagem que se faz de contemplação, de algumas pausas, de muitos silêncios. Não perdemos pitada. Desde as brincadeiras do cão à curiosidade do pássaro vermelho que, como nós leitores, não resiste a partilhar os belos trilhos e as conversas. Até que chegamos ao lugar  considerado perfeito pela mãe. E tal como o rapaz, também somos surpreendidos pelo propósito definido que a mãe carregava desde o inicio. Cumprir a promessa que fizera ao avô de plantar uma árvore quando ele já não estivesse com eles.






 

















Berberian faz a primeira incursão pelo álbum ilustrado, passeando-se por uma temática premente, envolto na delicadeza e sensibilidade do seu traço mas, também, na assertividade das palavras escolhidas. Nunca renegando o seu lugar na BD, oferece-nos uns carismáticos protagonistas e um perfeito manuseamento dos balões de fala. Até o dúbio e humorado final parece ser parte dessa herança maior.























Este é um livro que é uma celebração permanente. Da natureza, do renascimento, da vida e do fim dela. Da família e da memória dos afectos e dos laços. Nada fica de fora desta exaltação que tem tanto de singular e de bela como de minuciosa e completa. À semelhança, afinal, da alternância entre o preto e branco e as cores quentes e belas das páginas desta floresta onde queremos permanecer. Muito tempo. Pausada e silenciosamente.