quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Bienvenida






14. Bienvenida | Marta Comín | Abuenpaso

Cucú! O mundo dá-te as boas-vindas. Já cá estás, bebé! 

É um pequeno e delicioso livro onde, por entre abas, se escondem sete animais que vamos vislumbrando ao som de pequenos versos, como se fossem uma canção de embalar. A cada página vamos descobrindo a boca, o narizito, as mãos... até chegarmos a esse ser fantástico que acaba de chegar ao mundo.




























Um livro que nos faz sorrir e se revela uma  bonita e delicada homenagem a todos os que aqui chegam.  A sua autora chegou recentemente a Portugal, pela mão da editora Orfeu Negro, com outro livro muito apreciado pelos mais pequenos, Beijos.
 

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

A Bola Vermelha


 






















13. A Bola Vermelha | Vanina Starkoff | Orfeu Negro

É feito a três cores. O preto e o branco acolhem o leitor enquanto alguém colhe fruta. O título alerta-nos para que irá surgir, mas nem por isso nos deixa de surpreender como sucede com quem a encontra. É vermelha, pequena e parece mesmo uma bola. Ali, no meio das árvores de frutos? Será? O mais provável é que seja mesmo uma fruta. E não somos os únicos a pensar isso. Afinal, não é uma fruta. Mas, o vermelho já invadiu o livro. 






Cada página parece redundar num fracasso. A bola não é uma fruta, não é um caracol, não é uma joaninha... Mas quem a encontrou parece determinado a devolvê-la ao seu habitat, a saber onde pertence. E o leitor já está demasiado envolvido neste jogo de possibilidades para recuar. 




Esta é uma narrativa visual, apenas entrelaçada por algumas onomatopeias que vão reforçando o espanto e a surpresa de quem não desiste de saber mais sobre aquela bola vermelha. Nós também não. Já nos tornámos cúmplices nesta aventura. Curiosos? Entrem no livro e surpreendam-se com a maravilhosa história  da bola vermelha.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Moncho e a Mancha

 






















12. Moncho e a Mancha | Kiko Da Silva | Kalandraka

Festejamos a chegada da edição comemorativa dos 20 anos de Moncho e a Mancha, um livro que inspirou gente de todas as idades. E que saudades nós tínhamos deste pequeno artista que pinta tudo e mais alguma coisa. A cama, as toalhas, o frigorífico, o avô... Moncho pode já ter 20 anos, mas a sua arte continua contemporânea.


























Quando, em 2003, chegou a Portugal, Da Silva deslumbrou com as suas ilustrações tridimensionais feitas a partir de esculturas de cerâmica e cimento policromado. As suas personagens pareciam tão reais, como capazes de pôr miúdos e graúdos a fazer grandes viagens pelo mundo da arte.

















Depois de ter recebido de presente uma caixa de aguarelas com círculos de cores e um pincel, o pequeno artista deu-lhe tanto uso que acabou por adormecer junto à parafernália de desenhos. No dia seguinte, quando acordou, viu uma estranha mancha negra num dos papéis brancos. Intrigado, Moncho queria saber o que ela representava. Mas, até uma simples mancha pode ser muita coisa, consoante a imaginação de cada um...





























Um livro divertido, com uma paleta de cores alegre e irresistível para os mais pequenos, que nos torna a todos fãs incondicionais do pequeno protagonista com alma de artista. Da Siva oferece-nos uma deliciosa e hilariante metáfora da arte contemporânea, tão actual hoje como há vinte anos. Para quem não saiba,  Moncho descobriu, ele próprio, o significado da mancha. 
Entretanto, tornou-se um artista muito afamado. E, ainda que muitos possam não entender a sua pintura, ele sabe bem o que pinta. Abram o livro e apreciem a sua obra!

Mia e o Balão


 





















11. Mia e o Balão | Komako Sakai | Livros Horizonte

Admiradores confessos da obra de Komako Sakai, em 2015 escrevíamos aqui sobre o seu mundo fascinante. Um mundo repleto de histórias que narram  factos simples da vida das crianças, com textos curtos, mas nem por isso menos poéticos, e onde os desenhos sempre captam o que de mais genuíno e belo existe na infância. 







































A expressividade e a densidade que Sakai consegue incutir nas personagens e a autenticidade com que nos mostra o que as rodeia são características maiores da sua arte. Mia e o Balão incorpora tudo isto.  A menina ganha um balão amarelo e o seu fascínio por ele é notório. Mais do que um simples brinquedo, o balão rapidamente atinge o estatuto de companheiro inseparável. Mia quer partilhar com ele as brincadeiras de rua, as refeições...vestir o pijama, lavar os dentes, ir para a cama já não são coisas para fazer sozinha. Não espantará, pois, o leitor que a pequena fique inconsolável quando o vento lhe leva o seu novo amigo para o cimo de uma árvore. Só mesmo  a promessa da mãe de o tirar no dia seguinte a consegue tranquilizar.



 



































Com um texto curto, são as ilustrações, com fundos minimalistas, que nos revelam as emoções de Mia em cada momento da estreita ligação que estabelece com o balão. A cada vinheta podemos sentir o afecto da pequena e as diversas formas como o manifesta. Através delas, e com a genial simplicidade que a caracteriza, a autora conta-nos uma história passível de ser vivida por qualquer criança.






















A propósito do seu livro Hannah's Night, que podem ver aqui, escrevemos que Sakai revela um profundo conhecimento do mundo interior das crianças, conseguindo através das ilustrações transmitir pensamentos e sentimentos, como se estivessem envoltos numa película transparente.  
O balão? Abram o livro e vejam se a mãe de Mia precisa de ajuda.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Podia Ser Pior




10. Podia Ser Pior | Einat Tsarfati | Fábula

Depois do êxito de Os Vizinhos, de que falámos aqui, a autora israelita está de volta com uma história sobre a forma como podemos encarar o mundo. Numa narrativa predominantemente visual, Tsarfati conta-nos a história de Alberto e Jorge, dois marinheiros que vivem  uma série de mirabolantes peripécias em pleno mar, sobrevivendo a um naufrágio.



Podia ser pior, é a frase que Jorge repete a cada nova dificuldade por contraposição ao pessimismo militante  de Alberto perante tudo o que lhes vai sucedendo. Uma história divertida e hilariante, onde não faltam animais assustadores, coisas nojentas, barcos-fantasma... e até uma baleia com uma genial barriga, onde o Pinóquio parece coabitar com a toda a espécie de tesouros. 




Com uma paleta de cores alegre e apelativa, uma parafernália de detalhes e elementos intertextuais, esta é uma história que tem tanto de absurdo como de encantador, suscitando o reiterado pedido de outra vez por parte dos mais pequenos.



Num registo divertido, que parece ser marca da autora, os mais pequenos encontram aqui  duas visões possíveis sobre os contratempos que a vida nos pode reservar. Pessimistas ou otimistas, vale a pena entrar nas profundezas deste mar e chegar a terra na companhia  desta tripulação.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

A Comichão

 
























9. A Comichão | Eleonora Marton | Pato Lógico

O título pisca-nos o olho. Não resistimos a abri-lo. A surpresa instala-se. No inicio, surgem os  sorrisos. Mas, rapidamente cedem o lugar às sonoras gargalhadas. Cada página parece espelhar as nossas próprias costas e é como se a nossa voz ecoasse. Para cima. Para baixo...







Começa por ser um ligeiro incómodo. Qualquer coisa inalcançável que não permite pensar em mais nada. Até que se torna insuportável e alguém tem de ajudar a resolvê-lo com precisão de mestre.
                                                  


Segundo a editora, este é um guia ilustrado do lugar que todos desejamos alcançar. Esse mesmo, esse onde sentimos comichão nas costas. 


A Comichão é o primeiro livro da autora italiana a ser publicado em Portugal. Fora da caixa? Mas inteiramente dentro da comichão. Comichem-se ou não, ninguém lhe fica indiferente.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Como Ver Coisas Invisíveis




8. Como ver coisas invisíveis | Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso | Planeta Tangerina

Num mundo com tantos problemas, a imaginação e a criatividade podem ser parte da solução. 
Como chegar até elas?
O que é a imaginação? Será a imaginação irmã ou prima da criatividade? 
Viverão no mesmo planeta ou em planetas diferentes? 
Onde nos leva cada uma?
Estas são apenas algumas das muitas questões levantadas num livro  incrivelmente desafiante que, nas palavras de Minhós Martins, aponta os holofotes à ciência, à arte e à escola. 


























A autora do texto diz-nos que o ponto de partida para este livro foi uma fotografia de Alexander Graham Bell, que a atraiu pelo que continha de brincadeira, jogo, leveza e mistério. E nós sentimo-nos igualmente atraídos pelo admirável resultado dessa observação. Estruturado de forma fascinante, entre observações, experiências e perguntas de artistas, cientistas e outras pessoas com imaginação, o leitor encontra motivos de reflexão em cada página. Aqui contam-se histórias de artistas e cientistas e cada uma termina sempre com uma proposta de experiência. E como viajamos por dentro do processo criativo, são também deixadas 20 sugestões de coisas que podemos fazer pela nossa imaginação e criatividade. Invisíveis?
As ilustrações de Madalena Matoso, as colagens e  as fotografias que utiliza, para além da complementaridade que emprestam ao texto, despertam-nos a vontade de imaginar estes e outros caminhos.







































Há uma pergunta que ainda nos enche a cabeça: o tempo que passamos a brincar enquanto crianças, terá repercussões no que fazemos quando nos tornamos adultos? 
Este é um livro aconselhado a partir dos 11 anos, mas pode e deve ocupar lugar na cabeceira de todos os adultos. Indiscutivelmente, um livro que deixa marca em 2021.