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quinta-feira, 26 de maio de 2022

Toi Toi Toi
























Toi Toi Toi | Catarina Sobral | Orfeu Negro

Fora de cena quem não é de cena! Nesta história não entram adultos. Os protagonistas são cinco miúdos com uma enorme vontade de montar um espectáculo. São amigos, mas claro são todos diferentes e cada um tem as suas preferências artísticas. Um concerto? Uma peça de teatro?  Porque não uma pintura mural? Chegarão a um consenso? 














A tarefa não é fácil. A imaginação é muita, as ideias também.  Mas nem sempre agradam a todos. Há dúvidas, questionam-se os métodos, o caminho, há mesmo quem pense em desistir... Mas, por maiores que sejam as diferenças, são todos amigos e a determinação é grande. As arestas acabam limadas e as diferenças ultrapassadas, sempre com algum humor à mistura.















Com uma paleta de cores e desenhos com que as crianças se identificam e onde se revêem, Sobral oferece-nos uma história que se revela um hino à capacidade de organização e determinação das crianças quando lhes damos espaço e liberdade. No final, um glossário internacional sobre as expressões e superstições mais utilizadas no universo do teatro diverte miúdos e graúdos.








Sem adultos por perto, a Noa, o Óscar, a Khadija, a Sara e o Cheng fazem tudo sozinhos. Escrevem, ensaiam... produzem o espectáculo. Um verdadeiro trabalho de equipa, alicerçado na amizade e na inclusão. Toi Toi Toi... Bom Espectáculo!

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Catarina Sobral nos Hipopómatos


Num Milionésimo de Segundo, a exposição de ilustrações de Catarina Sobral vai estar patente na Casa dos Hipopómatos até dia 2 de março. Hoje, dia 9, recebemos  a autora para uma conversa, seguida de sessão de autógrafos.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

IMPOSSÍVEL não os ler em 2018!


Uma viagem pelas origens do universo é a proposta do último livro de Catarina Sobral, editado pela Orfeu Negro. Nascido de um espectáculo de teatro concebido pela autora, é também a sua primeira incursão pelos livros informativos. Impossível é resistir-lhe.


O livro recua no tempo cerca de 14 mil milhões de anos e, por entre partículas, estrelas e dinossauros, deixa respostas para muitas das questões que os mais pequenos frequentemente formulam. O que é o universo? Qual a sua origem? Quando e como começou? 
Impossível?  Parece, mas é verdade: tudo começou quando TUDO estava no mesmo sítio. 


Impossível?  Parece, mas é verdade. O universo teve origem num espaço muito pequeno,  parecido com um minúsculo ponto final. O espanto dos pequenos leitores parece ser partilhado com o dos próprios personagens que vão contando a história. 


Parece impossível, mas bem visto de perto... com uma paleta de cores fortes e alegres, uns divertidos bonecos bem ao jeito da ilustradora, um glossário no final... este é um livro que os mais pequenos não querem largar, satisfazendo toda a sua curiosidade.


Depois de Aqui Estamos Nós de Oliver Jeffers (de que falámos aqui), e Impossível de Catarina Sobral, bem podemos agradecer à Orfeu Negro por ser deste planeta!


O Inventário dos Dinossauros e o Inventário dos Mares são os dois últimos exemplares  da série Inventários Ilustrados, editada, há alguns anos, pela  Faktoria de Livros, uma chancela da editora Kalandraka. 



Com texto de Virginie Aladjidi e ilustrações de Emmanuelle Tchoukriel, estes são livros de carácter científico que se revelam preciosos auxiliares de conhecimento da natureza para pequenos e grandes leitores. 

Tchoukriel é formada em desenho científico e do seu trabalho resultam, invariavelmente, fabulosas e detalhadas imagens que nos transportam para o universo referenciado. No caso dos dinossauros, encontramos quarenta e seis espécies das setecentas já catalogadas. O Triássico, o Jurássico e o Cretáceo são alguns exemplos, que aqui podemos ver, das criaturas que habitaram a Terra há 66 milhões de anos.



No Inventário dos Mares, é da biodiversidade marinha que se fala. Os leitores ficam a conhecer cerca de uma centena de animais e plantas, alguns deles em perigo de extinção. São muitas as características e as curiosidades  que, de forma simples e apelativa, dão a conhecer espécies de crustáceos, moluscos, peixes, mamíferos e outras. A par da ilustração, surgem sempre o nome comum, o nome científico e a descrição.


Para quem não conhece esta preciosa colecção, pode ler sobre outros Inventários aqui e aqui.



Depois de Animais Selvagens do Norte, é agora a vez dos animais da metade sul do globo terrestre. É a eles que o novo volume, também publicado pela Orfeu Negro, é dedicado.



Se já nos tínhamos deleitado com o primeiro volume, este parece apresentar uma beleza estonteante, que nos deixa sem fôlego sempre que olhamos  os animais  com que Dieter Braun nos presenteia.


É certo que a humanidade não acaba se deixar de haver tigres, antas ou ocelotes, mas seria errado presumir que nós, humanos, somos o mais importante ser vivo à face da terra.”



Diverte-te na natureza selvagem! É o convite de Braun depois de nos dizer que se contam "em vários milhões, as espécies animais espalhadas pelo mundo: mamíferos, aves, répteis, peixes, insetos... ninguém sabe ao certo quantos povoam o nosso planeta. Estão sempre a ser descobertas novas espécies, mas todos os anos muitas desaparecem, sem que nos fique a esperança de voltarmos a vê-las. Até animais corpulentos e possantes, como o tigre, estão ameaçados de extinção."


A viagem faz-se por África, pela América do Sul, Ásia, Austrália e Antártida e no seu decurso vamos sendo apresentados a uma diversidade de criaturas fascinantes, conhecendo algumas das suas características, forma de vida, curiosidades... E sim, divertimo-nos muito. Com o Mandril e as suas roupas coloridas, com a fidelidade da Arara, com os pequenos e dorminhocos Coalas, com o Lagarto- dragão-de Gola... Braun bem pode continuar a viajar pelo mundo!

Estes são, sem dúvida, alguns exemplos de como os livros informativos podem ser extraordinários. Não deixem de os ver. Divirtam-se!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Tão Tão Grande


Hipopómatos e Hipopótamos são a mesma coisa? A pergunta foi feita há uns dias por um dos nossos pequenos leitores. A mesma coisa não, mas são da mesma família, respondemos. Irmãos, primos, um pouco de tudo. Conhecida a nossa paixão pelos bichos, ninguém se surpreenderá se confessarmos que exultámos quando nos chegou às mãos o último livro de Catarina Sobral, Tão Tão Grande, editado pela Orfeu Negro.


A razão mais óbvia é que o protagonista, de nome Samuel, é um hipopótamo! A irmã, o pai, a mãe, claro está, são hipopótamos! Mas há outras razões para esta família de peso não ter saído mais da nossa Casa


A história revela-se uma deliciosa e divertida abordagem sobre a temática do crescimento. Certa manhã, ao acordar, o Samuel deu por si na cama transformado num gigantesco hipopótamo. As patas já não cabiam nas pantufas, nas sapatilhas, nas galochas ou nos chinelos de praia, o focinho já quase não cabia no espelho e Samuel, até pôde constatar, estupefacto, o aparecimento de... um bigode! 


Samuel estava nervoso, não sabia o que fazer e muito menos o que dizer... Do lado de lá da porta, uma voz suave insistia para que saísse, estava na hora de ir para a escola. Mas as respostas faziam-se ouvir numa voz tonitruante proveniente de um "corpinho" de 528 kg.


As semelhanças com a obra de Kafka, A Metamorfose, são óbvias e assumidas com uma boa dose de humor. Bastará ao leitor passar os olhos pelos compêndios de entomologia  de que Samuel tanto gosta, para se cruzar com Gregor Samsa, a famosa personagem kafkiana. Dela falámos aqui, a propósito de Ícaro.


Entre alegadas dores de barriga e uma valente fome de leão, o nervosismo de Samuel parece aumentar na mesma proporção do espaço que vai roubando aos objectos, remetidos ao mundo da pequenez, que coabitam com ele no quarto. 


De forma brilhante, os desenhos de Catarina Sobral espelham não só essa relação de grandeza entre o tamanho do corpo do hipopótamo e o diminuto espaço a que se vê confinado, como igualmente o crescente nervosismo e a luta interior que Samuel vive do lado de cá da porta.  Como sair dali, eis a questão para a qual nem o princípio de Arquimedes parece ser solução.


Com a paleta de cores a que já nos habituou, onde predominam o azul e o vermelho, e um notável jogo de sombras, Catarina Sobral consegue, mais uma vez, surpreender-nos com uma história inteligente, divertida e cheia de subtilezas.
O crescimento e as transformações que dele decorrem são, muitas vezes, assustadoras e nem sempre se lida bem com elas. Mas são tão inevitáveis quanto naturais. Essa é a grande diferença entre Samuel e Gregor Samsa, que acaba justificando o final da história.


Samuel, abre a porta. Anda! - suplicou a irmã. 
A vocês, caros leitores, resta abrir o livro para saberem o que aconteceu a este tão tão grande hipopómato. Ups! Hipopótamo, queremos dizer.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A casa que voou

Um dia a casa foi-se embora.
Simplesmente ergueu-se do chão e levantou voo.


E se um dia a nossa casa voasse?  Talvez ficássemos tão perplexos e perdidos como o proprietário desta casa. Sem saber o que fazer, dada a inusitada  situação, decidiu pedir ajuda às entidades oficiais


Deambulou, desesperado, entre Câmara Municipal, Gabinete dos Desastres Naturais, Gabinete dos Perdidos e Achados, Gabinete de Facilitação e Segurança Civil... 


O resultado não é inesperado. Perante o estranho acontecimento, o homem não só não logrou qualquer ajuda dos cinzentos burocratas como ainda colheu algumas insólitas respostas. Obviamente, homem estava muito aborrecido


Entretanto, lá em cima, a sua casa andava às voltas como um pássaro.


Sem nada a perder, decidiu-se por conta própria. Enquanto ela voava , ele seguia-a, cá em baixo, no carro. A perseguição durou dia e noite, até que... Oh, metam-se no carro e vão atrás dela até à livraria mais próxima!  
Uma viagem com o doce sabor do retorno à infância. 


Já aqui o dissemos várias vezes, Davide Cali é dono de um senhor humor. Escrevemo-lo recentemente a propósito do livro Não Fiz os Trabalhos de Casa Porque... Mas também de uma fina sensibilidade com que sempre toca os seus leitores.  Muitas são as viagens em que apanhámos boleia: Eu Espero... Um Dia, Um Guarda-Chuva, Arturo, são apenas alguns exemplos.
Juntar no mesmo livro um texto de Cali e o humor e a inteligência das ilustrações de Catarina Sobral pressupõe estar condenado ao sucesso! Parabéns à Bruaá por apadrinhar a genial parceria!


No seu estilo inconfundível, a ilustradora conduz-nos numa dupla viagem, a da casa e a do dono. Em busca do desfecho desta louca aventura, acompanhamos cada movimento em terra e no ar. As cores alegres e vivas que usa para pintar a natureza contrastam,  de forma inteligente e divertida, com o cinzento das repartições públicas, povoadas de gente enfadonha e também ela cinzenta. Uma parafernália de elementos percorre o livro, fazendo-nos sorrir a cada página. Os quadros que revestem as paredes, os objectos da secção de Perdidos e Achados, a alternância da cor do laço do proprietário da casa... são apenas alguns apontamentos reveladores do humor e da inteligência que sempre coloca no seu trabalho. 


Sobral continua a apaixonar-nos com o seu traço de menina. Encantam-nos as suas casas, os carros, as árvores e os pássaros que com elas coabitam, e que sempre nos fazem voar para o universo da infância. À semelhança da caprichosa e inteligente casa que, um dia, se fartou da cidade e voou em busca de um lugar impregnado do perfume das figueiras e do cheiro a lenha queimada.

terça-feira, 23 de junho de 2015

A Sereia e os Gigantes


O último livro de Catarina Sobral, originalmente publicado pela SM Ediciones, no âmbito do Prémio Internacional de Ilustração da Feira do Livro de Bolonha 2014 e agora publicado pela Orfeu Negro, é inspirado na lenda da Praia da Rocha.


Reza a lenda que os dois gigantes, mar e montanha, cessaram a cordial relação de vizinhança que há muito mantinham, quando se perderam de amores por uma sereia que por ali apareceu.


Numa contenda de corações, os vizinhos viraram rivais, não hesitando em usar tudo o que tinham ao seu alcance para conquistar o coração da formosa criatura por quem se tinham encantado. Ela, por sua vez, com a voz cristalina que todas as sereias têm, pediu-lhes provas da sua força.


O mar puxou dos galões e ofereceu-lhe as ondas, os corais, os tesouros dos barcos naufragados, o azul profundo... e um ramo de flores. Mas a montanha não se intimidou e levou à sua amada as árvores, as joaninhas e os casulos, o sopro do vento, um trono de pedra no topo do mundo... e um colar de pérolas.
A sereia fez a sua escolha. Caprichosa? É o que vocês terão de descobrir.


As ilustrações de Catarina Sobral traduzem um festim de cores e de formas. Fiel a um estilo já inconfundível, mas nem por isso menos criativo, é possível o reencontro com alguns dos elementos que percorrem outros livros da autora. Os singulares e encantadores gigantes, com as suas silhuetas brancas, trazem-nos à memória as figuras de Vazio e de Não Há Dois Iguais. Apesar do registo completamente diferente, o cachimbo e os chapéus não nos deixam esquecer O Meu Avô. A profusão de imagens, as cores, as árvores... recordam-nos Achimpa.


Um livro onde os mais pequenos se perdem, deslumbrados com o tanto que têm para descobrir. Nós, os mais crescidos, deambulamos deliciados pela praia da Catarina, que é também a nossa. Com a certeza de que quando voltarmos a pisar a areia da Praia da Rocha, nos lembraremos delas. Da Catarina Sobral e da sereia.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Não Há Dois Iguais



Gostamos do formato. Da cor forte que se aloja nos olhos, impedindo-nos de os desviar. O título põe-nos a cabeça à roda. Não Há Dois Iguais. Arriscamos. Apenas com uma certeza... Gostamos dele, antes mesmo de o abrir. 


Também gostamos de enigmas! Começamos a ler e descobrimos que existem em todos os países, nas terras altas e nas planícies longínquas, nas urbes populosas e nas aldeias esquecidas. 


Viramos as páginas. Lentamente. Todavia, inquietos para  alcançar a solução. A cada uma parece corresponder um novo equívoco da nossa parte. Não, também não pode ser... Existem em qualquer lugar, apesar de não serem fáceis de conseguir.


Ainda assim, não vamos resistindo à tentação de palpitar. Engordamos de curiosidade. Podem ser vistos a qualquer hora ou escapar a qualquer momento. No início de uma manhã solitária ou no final de uma noite de eclipse.


Não há dois iguais. Pensamos em tanta coisa! Podem ser alegres como um melro e tristes como aquela canção. O desafio agiganta-se. Entre o que se revela escondido e o que pensamos desvendar, as sugestões são muitas. 


Envolto nas palavras e nas imagens, o mistério é guardado até ao fim, onde  urge abrir a dobra que o oculta.  A beleza e a poesia do que encontramos, numa perfeita fusão entre palavras e imagens, faz-nos regressar a cada momento do caminho até ali percorrido. Agora, repleto de sentido.


Sim, sem dúvida, uns parecem inquietantes como um vulcão e outros, mágicos como o voo que emigra. Nós também gostamos muito! Deles e do livro!


Catarina Sobral dispensa apresentações. Conhecemos-lhe o talento, admiramos-lhe o trabalho e são grandes as expectativas a cada novo livro. Num jogo inteligente, com a alternância da cor do fundo das páginas a acentuar os opostos, mantém-se fiel à dualidade que se inicia no título, envolvendo o leitor no mistério. Do autor espanhol Javier Sobrino relembramos sempre Um Segredo Do Bosque, ilustrado por Elena Odriozola e editado pela OQO, em 2009. O que têm em comum ? Não Há Dois Iguais.


O livro, editado pela Kalandraka, chega hoje às livrarias. No mesmo dia em que se assinala  o Dia Internacional da Felicidade. Coincidências...