quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Dia Em Que Os Lápis Desistiram


Quando, em Julho do ano passado, entrámos na Shakespeare and Company, Os Lápis estavam por todo o lado. Nas prateleiras, nos expositores...  Sobre eles, já tínhamos lido uma parafernália de adjectivos. Genial, único, criativo, divertido... Depois de os vermos,  sentimos que tudo isso era pouco. De imediato,  lhes arranjámos lugar na nossa mala, como mostrámos aqui.  Agora, já existem em português, graças à Orfeu Negro. Nós dizemos: Obrigado!


Um dia, na escola, ao ir buscar a sua caixa de lápis de cera, Duarte é surpreendido por um monte de cartas que lhe é dirigido. Ao abri-las, descobre que foram escritas, precisamente, pelos lápis de cera. Depara-se, então,  com um rol de queixas, um descontentamento generalizado e fica a saber que os lápis não estão felizes.


As hostilidades são abertas pelo Lápis Vermelho, em forma de ultimato: Duarte, temos de falar! Queixa-se que o rapaz o faz trabalhar mais do que a todos os outros lápis. Carros de bombeiros, maçãs, morangos e todas as outras coisas vermelhas. Trabalha um ano inteiro, até nos feriados! E depois ainda vêm os pais natais e todos os corações  do Dia dos Namorados. A forma como se despede é reveladora: O teu amigo estafado, Lápis Vermelho.


As reclamações sucedem-se e cada uma das cores tem as suas queixas específicas. Uns trabalham demais, outros são pouco utilizados. Há ainda os que já não aguentam tanta irritação e ameaçam perder a paciência por Duarte pintar fora das linhas... 


O único que não tem razões de queixa é o Lápis Verde, mas, em contrapartida, revela a sua grande preocupação com os amigos Lápis Amarelo e Lápis Laranja que deixaram de falar um com o outro e...



Para que não subsistam dúvidas,  os lápis usam os desenhos feitos pelo rapaz para exemplificarem o que dizem. É um trabalho notável de imaginação e criatividade aquele que Oliver Jeffers desenvolve ao longo do livro. Um estilo deliciosamente naif que, por momentos,  nos consegue fazer acreditar que as ilustrações têm a autoria de uma criança.


As cartas são escritas à mão, numa mistura de letras maiúsculas e minúsculas, resultando num lettering que parece integrar a própria ilustração. Drew Daywalt, o autor do texto, é um  premiado argumentista e realizador de cinema e de televisão, que faz aqui a sua estreia no mundo da literatura infantil. Tamanha criatividade e um humor desmedido fazem-nos esperar por mais!



O proprietário da caixa dos lápis de cera não aparece em momento algum. Mas ao longo do livro,  Duarte está tão próximo que nos familiarizamos com ele a ponto de não nos surpreender a sua atitude face às queixas dos seus amigos lápis.


Tanta reivindicação obriga a pensar e a questionar o porquê das escolhas. Tal como Duarte, qualquer criança que leia o livro nunca mais olhará  as  cores da mesma forma. Os lápis passarão, seguramente, a ser utilizados com uma maior liberdade. 


Depois de O Dia Em que Os Lápis Desistiram, nada ficará igual. O mundo é agora bem mais colorido. Quem foi que disse que os monstros não podem ser cor de rosa, os pais natais azuis ou o céu amarelo?


Duarte recebeu um BOM pela escolha das cores e uma medalha de ouro pela criatividade. A mesma que não hesitaríamos em atribuir a Drew Daywalt e a Oliver Jeffers por esta genial, inovadora e divertidissíma história.


Durante 52 semanas, o livro manteve-se como best-seller na lista do New York Times. Foi uma das nossas escolhas de livros 2013. Continua a ser uma das nossas sugestões para leitura em férias. ÚNICO e OBRIGATÓRIO!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Desencontros


Se há chegadas que não podem deixar de ser festejadas, a de Jimmy Liao é uma delas. Há muito que nos perguntávamos como era possível que os seus livros não fossem editados entre nós. Há cerca de um ano escrevemos:  Porque somos seguidores incondicionais do fantástico mundo de Jimmy Liao perguntamo-nos amiúde até quando durarão os desencuentros entre o autor e as nossas editoras.

Desencontros,  agora editado pela Kalandraka, marca a estreia de Jimmy Liao entre nós.  Do livro e do autor falámos aqui e também aqui. Já aguardamos os próximos!


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Com o Tempo


A princípio estranha-se. Porque são muitos e fabulosos. Com O Tempo entranha-se e ficamos viciados... São os livros do Planeta Tangerina! O último, com texto de Isabel Minhós  Martins e ilustrações de Madalena Matoso, não foge à regra.


O tempo, ou a sua passagem, volta a ser a temática. De forma aparentemente simples, a cada página são evidenciados os  efeitos do seu decurso sobre  pequenas coisas de todos os dias. À boleia do tempo, vamos observando a sua própria medida de duração, as suas  mutações, a ordem de grandeza...


Um livro onde reconhecemos as etapas. O crescimento e o envelhecimento como pólos de um ciclo onde tudo se revela transitório, efémero... Mas onde cada etapa adquire uma importância específica,  que só o tempo poderá relativizar.


Todos já demos por isso. O tempo está sempre a passar, a passar, a passar... é o ponto de partida das autoras.  


Com o tempo nada permanece imutável. Objectos, alimentos, elementos da natureza ou até as próprias palavras.


Os mais pequenos identificam-se com situações de todos os dias. O humor que, aqui e além as acompanha, é responsável por uma boa dose de riso.


As ilustrações de Madalena Matoso acompanham e evidenciam os efeitos da passagem do tempo. Impossível não nos rendermos ao magnífico jogo que, por vezes, a ilustradora faz com o uso da mesma imagem, ora invertida ora acrescida de subtis pormenores que essa passagem lhe acrescenta ou retira. 


Um livro onde todos nos encontramos. Um final que emociona e  nos faz reflectir sobre o que o tempo nos dá e tira.  Ou, o que Com o Tempo conseguimos guardar. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

CAPITAL e VAZIO

Têm a palavra, perdão, a imagem... os Ilustradores! Afonso Cruz e Catarina Sobral, dois nomes grandes da nossa Ilustração,  são os senhores que se seguem na colecção editada pelo Pato Lógico, Imagens que Contam.



Para a editora, esta é uma colecção dedicada exclusivamente a ilustradores contadores de histórias. Com ela, o Pato pretende criar um espaço onde se dá forma ao que não é dito ou escrito. É um novo palco onde, em cada mancha, em cada traço, se descobre um mundo.



Depois de Sombras, de Marta Monteiro e Bestial, de André da Loba, Afonso Cruz assina uma história capitalizada.


CAPITAL é uma história contada em torno da figura,  bem nossa conhecida, do porquinho mealheiro. Muitos de nós crescemos com ele e habituámos-nos a capitalizar para a sua ranhura as moedas que conseguíamos angariar. Depois quebrávamos o animal e era dia de festa...


Bom, não é o que faz o rapaz da história a quem o porco é oferecido. De tal forma o alimenta e o mima que o porco vai engordando, engordando... até adquirir proporções gigantescas. Acaba por tomar o gosto às moedas e tornar-se insaciável. Ganancioso mesmo.


Com uma boa dose de humor e algum sarcasmo à mistura, vamos vendo uma criatura cada vez mais obesa e um dono que cresce com ele,  transformados numa máquina trituradora... Afinal, uma rábula tão actual nos dias que correm...


Um livro com marca registada Afonso Cruz, o que sempre parece querer significar um livro para  destinatários de todas as idades. Como já se tornou hábito, para pequenos e grandes leitores.


À semelhança de todos os outros do autor, um livro a que não se consegue ficar indiferente. Venha o próximo!


VAZIO é a história contada por Catarina Sobral


O vazio sentido por um homem que vive numa grande cidade e que todos os dias se cruza com a multidão. A busca por algo que o preencha nos detalhes do dia a dia ou até a explicação médica do que possa estar errado consigo não parecem ter qualquer êxito.  


Um vazio profundo, aqui simbolizado por uma silhueta branca onde nada permanece. Um vazio que nem a natureza ou a arte parecem conseguir colmatar. Até ao dia em que descobre, finalmente,  a receita para essa doença, bem mais comum do que muitas vezes supomos. 


Palavras para quê? Este é um livro de Catarina Sobral. A temática, a forma inteligente e divertida, mas não menos poética da abordagem, as subtilezas espalhadas pelas páginas e os seus bonecos inconfundíveis, conferem ao livro uma beleza singular. 


Expectantes e ansiosos pelos próximos livros, dizemos: Parabéns ao Pato! Lógico.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Bom Fim de Semana

Noemí Villamuza

Hoje Sinto-me...


É um alfabeto ilustrado. Não de objectos, nomes, cores ou animais... mas um ABC de emoções! De A a Z, este pequeno rapaz vai experimentando diversos sentimentos e  sensações.  Audaz, baralhado, curioso...


Da autoria de Madalena Moniz e com a chancela da Orfeu Negro, o livro é, também ele, audaz e único. 


Brincando com as letras, que ocupam as páginas do lado esquerdo,  a autora usa as ilustrações para exteriorizar os estados de espírito vividos pelo rapaz. Pintadas a aguarela e a tinta da china, através delas  recriam-se  elos de ligação entre a palavra e a imagem. 


Frágeis, fortes, delicadas, poéticas... afinal, como as emoções. Cada página representa um novo dia e um novo sentimento. Conseguem adivinhar?



 Definitivamente, sim! Este é um livro XL!


No final, os pequenos leitores também podem expressar os seus sentimentos. Por aqui, já houve quem se atrevesse...


E tu? Como te sentes?