sexta-feira, 16 de junho de 2023
Haja Paciência
quinta-feira, 25 de maio de 2023
Perdido
O título e o inicio do livro não deixam dúvidas aos leitores. Nesta história, há um urso polar perdido na grande cidade. Não sabe como aqui chegou, nem em que parte do percurso se enganou. Mas os altos arranha-céus, a multidão e a agitação rapidamente o levam a concluir que está perdido. Resta-lhe tentar encontrar o caminho de volta para casa.
Através dos pensamentos e das falas do urso, o leitor vai acompanhando a tarefa que não se adivinha fácil. À sua volta, todos lhe parecem demasiado ocupados ou abstraídos para o ajudar. Provavelmente, também estarão perdidos, pensa o urso. Talvez seja essa a razão para ninguém lhe prestar atenção. As filas são muitas. Decide aguardar numa, na esperança de ser a certa para recolher a informação de que precisa. O máximo que consegue é uma bebida da qual nem gosta...
Quando, finalmente, chega ao balcão das informações, a pessoa responsável pelo atendimento nem sequer olha para ele, entregando-lhe simplesmente um mapa. Apesar de lhe terem dito que contém toda a informação, não consegue encontrar nele a mínima pista para voltar ao Pólo Norte. Sem perceber bem como, já se encontra no metro. Mas as suspeitas de que o mesmo não o levará de volta a casa são imensas. Um grande plano da carruagem, divido em quadros, mostra ao leitor cenas que lhe são sobejamente familiares. Entre telemóveis, jornais, auscultadores... ninguém dá pela presença do enorme animal.
Num metro apinhado de gente, a sensação de solidão pode ser esmagadora. Mas, eis que, finalmente, uma menina de cabelo ruivo, abraçada a um coelho de peluche, lhe lança um "Olá, Urso!" A cor do cabelo fá-la destacar-se no meio daquela carruagem de gente tão igual. A sequência de imagens a partir daqui é extraordinária. A menina decide levar o urso para casa. Afinal, é o que ele quer! Uma mão dada ao urso e a outra à mãe que, completamente absorta no telemóvel, nem dá pela presença do novo amigo.
Uma vez instalados, sem que os pais se apercebam de alguma coisa, a menina faz tudo o que pode para que o amigo se sinta em casa. Inicia-se uma verdadeira relação de amizade. A pequena brinca com ele, alimenta-o, dá-lhe banho... O urso aprecia a simpatia e a generosidade da nova amiga, mas começa a desconfiar que ela não faz a mínima ideia de onde fica o Pólo Norte. Só quando chega a hora da história, nos tranquilizamos. Nós e o Urso. Podemos ver as estantes de livros, onde a autora inclui um exemplar do seu A Inundação e um livro sobre o Pólo Norte, de imediato reconhecido pelo urso. Com ele pode, por fim, mostrar a sua casa, o lugar onde nada, o que comem os ursos (e não, não é pizza!), a sua família... Adivinhamos o final. É para isso que servem os amigos, para nos ajudar a voltar a casa.
O segundo livro de Mariajo volta a ter como cenário a grande cidade. Mas, enquanto em A Inundação, de que falámos aqui, se aborda o espirito de equipa, a entreajuda e a solidariedade que permitem salvar a cidade inundada, aqui a temática é bem diferente. A indiferença da grande cidade, o alheamento da multidão e a frieza que pode caracterizar os grandes centros urbanos. Curiosamente, os dois livros exercem a mesma magia na hora de prender os leitores.
segunda-feira, 15 de maio de 2023
Se choras como uma fonte
Se Choras Como Uma Fonte | Noemi Vola| Planeta Tangerina
Este é um livro onde se pode chorar à vontade, mas do qual ninguém sai imune a umas boas gargalhadas. Já todos experienciámos a situação de estar perante uma criança e tentar, a todo o custo, que a sua vontade de chorar não descambe em pranto. E quem não provou já o fracasso da missão? Nesta história, é o narrador que chama a si tal tarefa, nunca se dando por vencido.
A minhoca vai-se recompondo. O narrador vai levando a água ao seu moinho. Entusiasma-se. Explica-lhe que todos choramos. Polícias, super-heróis, jogadores de futebol, formigas, pedras... Que as lágrimas podem apagar pequenos e grandes fogos. Que podemos chorar em qualquer estação do ano. Sozinhos ou acompanhados. Que chorar é uma língua universal que até se entende melhor que o inglês. Que, afinal, o mundo até seria trágico sem lágrimas. Os sapos, por exemplo, acabariam por explodir, os rios ficariam secos.... O ânimo da protagonista é agora diferente.
sexta-feira, 5 de maio de 2023
quinta-feira, 4 de maio de 2023
O Gaspar na Noite
sexta-feira, 28 de abril de 2023
sexta-feira, 14 de abril de 2023
O Que Fazem os Sentimentos Quando Ninguém Está a Ver
O Que Fazem os Sentimentos Quando Ninguém Está a Ver | Tina Oziewicz e Aleksandra Zajac | Fábula
Há por aqui toda uma paleta sóbria e delicada que nos acolhe em tons cinza, com alguns apontamentos em azul e rosa pálido , tornando este livro um lugar ameno para gente de todas as idades. Um ponto de encontro para graúdos e miúdos poderem conversar sobre a temática em que o próprio título já os introduziu.
Ao contrário de muitos dos livros que se propõem esta abordagem junto dos mais pequenos, aqui não nos deparamos com a estereotipada etiquetagem de cores. Os sentimentos não são identificados e rotulados com a paleta utilizada, antes surgindo sob a forma de uns bicharocos, maioritariamente peludos, com os quais criamos uma relação empática logo na capa. Num cenário limpo e minimalista, são eles que dão corpo aos trinta e um sentimentos que se enunciam no livro.
Altamente expressivas, as magníficas personagens vão-se exibindo ao longo das duplas páginas, enquadradas por frases curtas. Se algumas resultam mais ou menos óbvias, é o efeito surpresa que, maioritariamente, toca o leitor. Uma boa dose de originalidade e umas pitadas de fino humor acompanham-nos do princípio ao fim do livro.
A Curiosidade é um bicharoco de orelhas grandes e pontiagudas que sobe aos lugares mais altos que consegue: o topo da árvore, o telhado ou a chaminé. A Ansiedade senta-se numa lata enferrujada, num canto escuro debaixo de um armário. A Nostalgia cheira um velho cachecol numa casa recheada de memórias. O Nervosismo faz malabarismos. O Ódio é personificado por uma personagem roedora de fios, que corta toda e qualquer forma de comunicação. É esse resultado de não conduzir a lado nenhum e de total isolamento face a tudo e a todos que levará as crianças a captar a essência negativa deste sentimento.
Por oposição, os fios estão sempre ligados no amor, sentimento que contrasta com todos os outros pela sua grandeza, dimensão dada por uma enorme lâmpada que está sempre ligada.