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terça-feira, 21 de março de 2017

Muita Poesia e Alguma Primavera


Em Dia de Poesia, que por aqui é coisa de todos os dias, relembramos Manuel António Pina.

Os livros

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de 
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa, Assírio & Alvi


Na Casa dos Hipopómatos, decretámos Março como mês da Poesia. Pedimos a miúdos e graúdos que ilustrassem um ou mais poemas e nos enviassem. Continuamos a nossa maratona e voltamos a pedir. Pode ser por carta, por mensagem, por email... Queremos fazer uma enorme colheita das sementes de poesia que lançámos. Mas não só... o resto é surpresa. Participem, temos alguns livros de poesia para oferecer!


quarta-feira, 18 de março de 2015

Porque a Poesia é Coisa de Todos os Dias

No próximo Sábado celebra-se o Dia Mundial da Poesia. Porque o poema não tem dia nem hora, começamos hoje a festejar! Dia e noite, os poemas vão andar por aqui à solta! Escolham um... ou vários... para ler com as vossas crianças. Se quiserem, juntem-se à festa e deixem um aqui. Um POEMA, claro!

Danuta Wojciechowska


Os livros

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca, 
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?

Manuel António Pina, in Como Se Desenha Uma Casa, Assírio & Alvim, 2011


Javier Zabala

POR QUÉ NOS PREGUNTAMOS COSAS  

Las preguntas nos recuerdan
que no lo sabemos todo,
que una parte de nosotros
siempre será un misterio.
Sin las preguntas
no sabríamos esto
y seríamos idiotas.
Porque un idiota
no es el que no sabe nada
sino el que se cree que lo sabe todo.
Victoria Pérez Escrivá, in Por Qué Nos Preguntamos Cosas, Thule Ediciones, 2013

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sem Prazo de Validade


Às vezes, as crianças fazem perguntas difíceis. 
Os livros têm prazo de validade?- perguntaram-nos há uns dias. 
Depende, respondemos depois de uma pausa prolongada. Alguns não. 
Demos exemplos. Poucos. Um deles foi O País das Pessoas de Pernas Para o Ar, escrito há mais de quarenta anos por Manuel António Pina. 
Dizem-nos que se fosse vivo, faria hoje anos. E não está? Parabéns, Pina!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Senhor Pina

Esta semana estamos em festa! No próximo Sábado, os Hipopómatos celebram  o seu segundo aniversário!  Dois anos a fazer o que mais gostamos. Partilhar  livros que nos encantam e que sonhamos poderem um dia ser lidos por todos. Pequenos e grandes leitores. Hoje, a escolha só podia ser esta, O Senhor Pina!

 
«Ah e é um livro para crianças, então?»
«Quando for lido por uma criança é um livro para crianças. Quando for lido por um adulto é um livro para adultos. Os livros não são "para", os livros são.»
 

Álvaro Magalhães homenageia Manuel António Pina. Relembra-o, brincando com as palavras. Com as palavras que são dos dois e que parecem fundir-se numa identidade única. E quando um brincador relembra outro... nós calamo-nos e imaginamos: "A casa do senhor Pina estava sempre cheia de palavras (...). "Quando chegava, de manhã cedo, a empregada do senhor Pina espantava as palavras que estavam à porta, à espera. Xô! Xô! Eram centenas, milhares, milhões. E muitas delas entravam  pelas frinchas das portas, que há palavras mais hábeis que ladrões..."
 
 
Este é um livro para saborear, cheio de frascos de mel! Claro que temos de os partilhar com o  Puff, esse outro amigo inseparável do Senhor Pina. Para sermos rigorosos, o seu herói. Aquele que aparecia e desaparecia lá de casa, sem entrar ou sair ... ou seria ao contrário?
 
 
«Por que escreves poesia?», perguntou, por fim.
«Boa pergunta, Puff. Acho que há qualquer coisa em mim que se quer transformar em palavras. Percebes isto?»
«Se não me explicares mais, acho que sim. Disseram-me que és daqueles que caçam mesmo a poesia. Mas diz-me: ela não está só nesses poemas, pois não?»
«Não, a poesia faz parte da vida. Os poemas são só oportunidades para ela.» 
 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O TESOURO L-i-b-e-r-d-a-d-e


Há muitos anos, num país muito distante vivia um povo infeliz e solitário, vergado sob o peso de uma misteriosa tristeza.

As pessoas, quando se encontravam, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se alguma coisa, um segredo terrível, as amedrontasse.
No País das Pessoas Tristes, as pessoas não podiam fazer o que queriam nem podiam dizer o que pensavam ou sentiam. E também não podiam conhecer outros povos, vivendo fechadas no seu país, como se ele fosse uma prisão.
Havia polícias por toda a parte que as perseguiam e lhes batiam se elas não dissessem nem pensassem o que eles queriam que dissessem e pensassem.
Os meninos do País das Pessoas Tristes não podiam ouvir as músicas, nem ver os filmes, nem ler os livros e as revistas de que gostavam... Nem sequer podiam beber Coca-Cola, porque a Coca-Cola também era (ninguém sabia porquê) proibida!
As raparigas e os rapazes não podiam conversar nem conviver. Elas não podiam vestir calças nem andar sem meias e eles eram mandados para horríveis guerras  em países longínquos e obrigados a matar gente que não conheciam e que nunca lhes tinha feito mal nenhum, e muitos deles morriam lá ou regressavam loucos ou estropiados. 
No País das Pessoas Tristes, tudo isto acontecia porque alguém tinha roubado o maior e mais valioso tesouro que aquele povo tinha... A Liberdade.
Mas um dia, as pessoas decidiram reconquistá-lo. Era o dia 25 de Abril. Esse dia passou para sempre a chamar-se o Dia da Liberdade.
Depois de Manuela Bacelar e Evelina Oliveira, nesta edição da Assírio &Alvim, é Pedro Proença quem ilustra O TESOURO, de Manuel António Pina. O Tesouro de todos nós.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Pássaro Da Cabeça


Basta Imaginar

Basta imaginar
um pássaro para o aprisionar, 
e depois imaginar o ar para o libertar
e imaginar asas para ele voar
e imaginar uma canção para ele cantar


Porque nunca é demais imaginar com Manuel António Pina, já andamos por aqui a voar! Com imagens da pintora Ilda David', O Pássaro Da Cabeça e mais versos para crianças foi recentemente reeditado pela Assírio & Alvim, que assim se junta à editora Relógio D'Água e à extinta Quasi na edição deste livro de poemas do autor. 



Podem começar a sonhar!

domingo, 21 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA (1943-2012)




 O país das pessoas de pernas para o ar.


Onde viviam Gigões e Anantes.


E um Sábio Fechado na sua Biblioteca.


O sábio sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo. Conversava com os animais e com as plantas e conhecia o passado, o presente e o futuro. Até sabia que um dia, hoje, a esta hora...


 as pessoas se juntavam todas para pensar em ti.