sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Bom Fim de Semana


Catarina Correia Marques 

A Casa dos Hipopómatos comemora,  este fim de semana, o seu primeiro aniversário! Vamos estar sempre em festa, rodeados de amigos e com muitas actividades. Em permanência, teremos a nossa venda de livros, a preços de festa! São dois dias abertos, em que só têm de aparecer! 


Vai uma rifa, freguês? É o que diz o nosso caixote de livros, pronto a ser sorteado.


Livros, compotas biológicas e biscoitos de gengibre e canela...




Venham, estamos à espera do vosso abraço! Bom Fim de Semana.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Noite Estrelada

Se levantares a cabeça e olhares para a noite estrelada, o mundo torna-se grande, muito grande.


E se olharmos para a noite estrelada com um livro de Jimmy Liao na mão, o mundo agiganta-se, acrescentamos nós. O livro que chega agora a Portugal, mais uma vez pela mão da Kalandraka,  é um fascinante exemplo da beleza e da singularidade poética que caracterizam a obra deste autor. Um presente de Natal que não nos cansamos de agradecer.


É uma história povoada de tristeza, de silêncios, de solidão. Mas também de amor, de determinação, de coragem, de liberdade. Uma história que pode ser de muita gente,  ilustrada com a mestria inigualável de Liao.


A protagonista viveu até aos seis anos com os avós numa montanha. Agora vive na cidade com os pais. Diariamente, ocupa o seu lugar numa casa vazia e silenciosa, apenas habitada por uma mãe ausente e um pai ocupado. As saudades do que tinha antes são grandes e o peso que carrega apenas se torna mais suportável com a chegada de um novo vizinho e colega de escola.


Um dia, a coragem e a vontade de libertação sobrepõem-se a tudo o resto e ambos partem numa viagem que urgia ser vivida. O autor inspirou-se numa notícia  real da fuga de dois jovens, que uma vez encontrados e depois das mútuas acusações das respectivas famílias, afirmaram nada ter feito de mal, limitando-se a usufruir dos lugares que tinham visitado, a praia e a montanha.


O livro é atravessado por temas como a morte, os conflitos conjugais, a incompreensão, o bullyng, a solidão. São assim os livros de Jimmy Liao. Em 2013, a propósito do autor e da sua obra, escrevíamos aqui: Os livros de Jimmy Liao falam de percursos de vida, dos caminhos que se escolhem ou não, da transitoriedade e finitude da vida. De sentimentos, sonhos, medos, perdas... Afinal, coisas simples de todos os dias. 


Confessos admiradores do seu trabalho, referíamos: As personagens que cria não têm nomes, podendo ser qualquer um de nós. As histórias decorrem em lugares que existem em qualquer parte do mundo. As palavras são parcas porque os desenhos de Liao não deixam nada por dizer. Em todos os livros, autênticas novelas gráficas, a arte acontece. Através dela, o autor consegue expressar tudo o que tem para comunicar e partilhar com o mundo.



Liao é mestre em pintar sentimentos ou estados de alma. A solidão, a melancolia ou a esperança transmitem-se ao leitor através de um simples jogo de cores ou de uma sala vazia...


Confessando a influência de mestres como Van Gogh e Magritte, os seus livros são autênticas galerias de arte onde o leitor se perde no reencontro com elementos expressos que identificam a arte destes vultos.  


Jimmylianos de corpo e alma, voltámos a escrever sobre o autor em 2014. Em 2015, reafirmámos a nossa paixão pelos sua obra, um misto de arte e poesia sem destinatário específico. Na altura, falámos de uma história repleta de poesia e com uma forte dimensão onírica. Mas essa é uma constante em toda a obra de Jimmy Liao.


Aos textos curtos e portadores de uma elevada sensibilidade, junta-se a sublime mestria com que pinta sentimentos e "escancara" expressões. Tendo o azul como cor de eleição, as suas aguarelas oferecem-nos, regra geral, pedaços de arte que desejamos guardar na nossa galeria.


Hoje repetimos o que escrevemos aqui em Fevereiro último: As histórias de Liao podem não ser fáceis, mas surgem sempre envoltas num misto de beleza e de poesia, que acaba confrontando o leitor consigo mesmo. A profundidade que transmitem parece viver uma estreita relação com a subtileza com que o autor nos faz chegar sentimentos ou estados de alma de um qualquer personagem. Que, afinal, todos poderíamos encarnar.


Abram as portas e encantem-se com a magia do fantástico mundo de Jimmy Liao! Miúdos e graúdos, porque os destinatários da beleza e da arte não têm idade.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um Dia de Loucos, Trinta Ossos Duros de Roer


Há coisas da bruaá! É o que nos apetece dizer quando pomos as mãos neste magnífico livro com que a editora acaba de nos presentear. Um Dia de Loucos, Trinta Ossos Duros de Roer, da autoria do filósofo alemão Walter Benjamin, é aqui ilustrado por Marta Monteiro, num registo inconfundível e fabuloso a que já nos habituou. 


Walter Benjamin, filósofo e ensaísta alemão de origem judaica, de quem sempre lembramos o magnífico Berlin Childhood Around 1900, dedicou alguns anos à rádio, onde mantinha um programa para crianças, cujos textos viriam mais tarde a ser compilados. Um Dia de Loucos foi a história transmitida na Rádio de Frankfurt em 6 de Julho de 1932.


Hilariante, divertido e muitas vezes sem sentido... O aviso chega logo no inicio: na história que vamos ler, muita coisa não bate certo. Mas daremos todos por isso?


15 erros, 15 perguntas. É o que temos de encontrar. A esta altura, já devem estar munidos de lápis e papel, mas não esqueçam que a cabeça é fundamental. Porque, segundo o autor, nesta história o mais importante é pensar.


Com um início surreal, a história começa a desenrolar-se a partir de um enigma que Bruno pensa só conseguir desvendar com a ajuda do amigo António, um Professor Distraído, grande fã das adivinhas e que acaba sempre por resolvê-las.

Qual é a coisa, qual é ela, 
o camponês vê-o muitas vezes, o rei poucas, e Deus nunca? 


Bruno decide, então, ir ter com o amigo, que deveria estar na escola. O percurso que se pensava curto e o encontro que se julgava quase imediato são substituídos por uma série de desvios e peripécias que o próprio vai narrando e que dão origem,  a cada dupla página, a um novo enigma, a uma nova adivinha. E desengane-se o leitor adulto, se os pensa de fácil resolução.



A cada nova pergunta, Bruno responde invariavelmente da mesma maneira: Pois é, isso também eu gostava de saber. E o dia, esse, foi mesmo de loucos! 


Um delicioso livro/jogo que encantará miúdos e graúdos, pronto a ser consumido nos serões em família que se avizinham. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

HIPOPÓMATOS EM FESTA!

Há cinco anos, começámos este blogue com versos de João Pedro Mésseder. 

Infância

O grito do i cortante
No f a fala tentada
A carícia das últimas sílabas
Palavra que não acaba?
Acaba  mas não se sabe    














Hoje, na Casa dos Hipopómatos, comemoramos a infância todos os dias. 

sábado, 19 de novembro de 2016

Bom Fim de Semana




Emmanuelle Tchoukriel

Hoje, vamos plantar a nossa Árvore das Histórias nos Jardins da Biblioteca Municipal de Sintra. É uma Olaia. Estamos à vossa espera!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Correio Do Nosso Desassossego

Esta é uma das alturas do ano de que mais gostamos. Quase todos os dias chegam livros novos e fantásticos! É também a altura em que repetimos  uma das nossas frases preferidas: 
Este Natal, ofereçam Livros! 
Até lá, deixamos algumas sugestões.


Ahab e a Baleia Branca, da autoria de Manuel Marsol, vencedor, em 2014, do Prémio Internacional Edelvives e recentemente editado pela Orfeu Negro, é um daqueles livros onde queremos viajar


Uma viagem por um mar cheio de mistérios, de medusas, de cavernas habitadas por canibais e ilhas vulcânicas. Com piratas, naufrágios e, quem sabe, uma baleia branca... 
Moby Dick?  Sim, mas não o clássico de Herman Melville que todos conhecemos. Esta é a versão, magistralmente ilustrada, de Manuel Marsol.


Sem deixar margem para dúvidas, as apresentações são feitas logo no inicio da história: 
Sou o mais hábil caçador de baleias de todos os mares, capitão do barco Pequod e habitante da ilha de Nantucket. Tratem-me por Ahab. Toda a vida procurei a grande baleia branca. Sempre que havia notícias de Moby Dick, pois era esse o seu verdadeiro nome, lançava-me ao mar sem demoras.


Quem se lança também é o leitor, mergulhando numa história cheia de humor e de aventura, onde, ironicamente,  a criatura obcecada com a ideia de apanhar a baleia branca,  não parece enxergar o que está sempre por ali, à sua frente... 


Mas que não escapa ao leitor, que navega numa espécie de jogo hilariante que se vai estabelecendo entre o relato que o capitão faz e o que as imagens mostram.


Na versão de Marsol, de quem ainda temos presente O Tempo do Gigante, de que falámos aqui, são muitas as semelhanças com o clássico de Melville, mas o final da história é outro. 
Em entrevista, o autor afirma: Se pensarmos em caçar a baleia, nunca desfrutaremos da viagem.  
Desfrutem, e acima de tudo, não deixem de levar as crianças mar dentro e de lhes apresentar a baleia branca!


Para saberem mais sobre o autor e o livro,  espreitem a entrevista dada ao Picturebook Makers.