Num Milionésimo de Segundo, a exposição de ilustrações de Catarina Sobral vai estar patente na Casa dos Hipopómatos até dia 2 de março. Hoje, dia 9, recebemos a autora para uma conversa, seguida de sessão de autógrafos.
sábado, 9 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Contos de Encantar
São textos jubilosos sobre o amor, o nascimento e o desfazer da solidão. Sendo Cummings quem é, há a tendência para ler mais do que lá está escrito e cada um fará como quiser. A alegria da linguagem, as tentativas e os avanços rituais, próprios da literatura de encantar, são, porém, um valor absoluto que dispensa outras interpretações.
As palavras são da escritora Hélia Correia que, para além da tradução, assina também o prefácio.
Sendo Cummings quem é, não será propriamente no público mais jovem que pensamos quando falamos do seu nome. Mas, à semelhança de outros nomes grandes da Literatura, também ele não resistiu a uma incursão pelo mundo da infância. São quatro as histórias que terá escrito para a sua filha Nancy, que só viria a saber do verdadeiro grau de parentesco entre ambos já na idade adulta. Em 1965, três anos após a morte do poeta, as histórias foram reunidas e publicadas com o título Fairy Tales. Para as ilustrar, foi escolhido o artista canadiano John Eaton.
Recentemente, chegaram a Portugal, com o título Contos de Encantar, pela mão da Ponto de Fuga. Uma pequena editora com um grande trabalho, apostada em presentear-nos com livros de vultos da literatura, dedicados aos mais jovens. O Mundo é Redondo, de Gertrude Stein, de que falámos aqui, A Árvore dos Desejos, de William Faulkner, O Homem de Ferro e A Mulher de Ferro, de Ted Hughes são alguns dos títulos do catálogo.
Depois de O Mundo É Redondo, de Stein, Rachel Caiano volta a ser a eleita para ilustrar os contos de Cummings. O leitor apanha boleia nas asas do seu traço delicado para sobrevoar um universo feito de palavras doces e mágicas, onde todos sonhamos ser criança e imaginamos habitar nem que seja por um só dia. Com uma paleta de três cores, laranja, azul e preto, Caiano transporta pequenos e grande leitores com um prazer estonteante pelos textos que Hélia Correia designa de jubilosos sobre o amor, o nascimento e o desfazer da solidão.
O velho que perguntava "porquê" é a primeira das quatro histórias. Conta-nos que Silfo, um ser que durante milhões de anos viveu tranquilo e feliz sem envelhecer na mais longínqua das estrelas, um dia teve de usar as suas asas douradas e voar toda a noite, milhões e milhões de quilómetros até à lua. Era lá que estava o homem muito velho, de olhinhos verdes, grande barba branca e mãos tão delicadas como as de uma boneca, que nunca parava de perguntar porquê e de quem todos os vizinhos se queixavam. Um velho muito velho na idade dos porquês? Leiam, leiam a história.
Era uma vez um elefante que não fazia coisa alguma o dia todo. Um dia, avistou uma borboleta que ia toda feliz da vida a bater as asas ao longo da estrada caracoleante que ia dar a sua casa. É o fim de uma vida solitária e o inicio de uma maravilhosa amizade. O Elefante e a Borboleta é uma história magnífica que nos faz ter vontade de subir e descer a estrada caracoleante muitas vezes.
Era uma vez um a casa que se apaixonou por um pássaro. Começa assim o terceiro conto, A casa que comeu tarde de mosquito. Ninguém consegue imaginar o quanto a casa se sentiu feliz quando de súbito a minúscula criatura voadora pousou mesmo ao lado dela e lhe perguntou: Posso ir viver dentro de ti?"
A menina chamada Eu é o quarto e último conto. Depois de muitos encontros e convites para tomar chá, Eu conhece outra menina como ela, chamada Tu. Uma história deliciosa e divertida, que leva miúdos e graúdos a tentar adivinhar as respostas às perguntas que vão surgindo. Não resistam, encantem-se!
sábado, 2 de fevereiro de 2019
domingo, 27 de janeiro de 2019
Rosa Branca
27 de janeiro, dia dedicado à Memória das Vítimas do Holocausto. Para muitos, ao longo da vida, um dia feito de todos os dias. Hoje, parece cada vez mais necessário lembrar aos mais novos que o Holocausto existiu. Só o conhecimento poderá evitar que se repita. Por isso, voltamos a falar deles, dos livros que nos ajudam a manter viva essa memória.
Depois de A História de Erika, a editora Kalandraka trouxe, finalmente, para Portugal um dos livros mais conhecidos sobre o Holocausto, Rosa Branca, de Christophe Gallaz e Roberto Innocenti. Comum a ambos, é, certamente, a pretensão de consciencializar os seus leitores para que tal tragédia nunca mais se repita.
Com a inocência de uma criança, Rosa escuta o silêncio em volta mas não pode pactuar com a situação. A partir desse dia, passa a ter um segredo só seu, guardado a sete chaves. Diariamente, percorre o mesmo caminho para levar aos novos amigos toda a comida que consegue esconder na sacola.
Um dia, os soldados que chegam à sua terra são outros. Rosa encontra o campo de concentração vazio. Os amigos já lá não estavam. Ela era apenas uma criança. Mas a guerra é cega para todos os lados. Nesse dia, o caminho de volta não se fez.
Como é seu timbre, as assombrosas e hiper-realistas ilustrações de Innocenti, revelam cada detalhe de um tempo e de um lugar palco de todas as atrocidades. Da vitória à derrota do nazismo, o leitor revive a História vezes sem conta. O nome de Rosa Branca é uma homenagem ao mais conhecido movimento de resistência alemã, iniciado pelos irmãos Scholl, em Munique. Foram muitos os estudantes que acabaram executados pelos nazis, mas a sua maior herança permaneceu. Mostrar à humanidade que nem todos os alemães foram cúmplices dos horrores com que a Alemanha de Hitler escreveu a história. Afinal, essa é, também, a herança de Rosa, a menina que usa uma fita no cabelo da mesma cor da suástica, mas que representa o que de mais antagónico poderia existir. Porque a inocência de Rosa é igual à de qualquer outra criança, independentemente da nacionalidade ou da raça. Esta é uma história para partilhar com os mais novos. Para lembrar.
sábado, 26 de janeiro de 2019
domingo, 20 de janeiro de 2019
Oh Não, Sebastião! Uma Irresistível Tentação
Oh Não, Sebastião é o terceiro livro do premiado Chris Haughton, que chega a Portugal pela mão da Orfeu Negro. Depois do êxito de Mamã?, o livro estreia do autor, e de Boa Noite a Todos, as crianças podem agora desfrutar da companhia desse genuíno cão que é Sebastião.
Trocado para miúdos, os livros de Haughton fazem as delícias dos seus destinatários, os mais pequenos, e encantam os adultos que têm o privilégio de os ler e contar. Não admira que o autor se tenha tornado um coleccionador de prémios e de nomeações e que os seus livros se encontrem traduzidos em 27 línguas.
Simplicidade parece ser a divisa do trabalho deste autor. Texto e desenhos comungam dela, de modo inequívoco. Algo minimalistas, as formas utilizadas por Haughton aparentam, não raro, poder ter sido feitas pelos pequenos leitores. Os peculiares animais que habitam os seus livros são facilmente identificados pelos grandes e arredondados olhos que possuem. E até a paleta de cores, ainda que vibrante, não deixa de ser limitada e contida. Tudo somado é mais do que q.b. para prender os livros às mãos pequeninas que os abrem vezes sem conta.
No primeiro livro, Haughton encanta as crianças com a história do pequeno mocho que, tendo adormecido, caiu do ninho e se perdeu da sua mamã. Com a ajuda de um prestável esquilo que estava por perto, inicia-se a busca da mamã Mocho. Entre a impetuosidade do esquilo e a fraca precisão do pequenote nas descrições que faz da sua mamã, a missão acaba por revelar-se complexa. Afinal de contas, olhos grandes ou orelhas pontiagudas nem sempre são exclusivos da nossas mãe...
Os mais pequenos sabem a história de cor e salteado, imitam cada gesto do pequeno mocho na perfeição, divertindo-se com a mesma intensidade a cada vez que aqui voltam. Já seguros do grande reencontro entre filhote e mamã Mocho, reconfortados com os tributos solidários e amigos do esquilo e da rã, acham hilariantes as falhas de comunicação...
Oh Não, Sebastião! parece ter nascido, igualmente, condenado ao êxito. As semelhanças de formato, ilustração e design são inegáveis, mas as histórias são bem diferentes. O que prende, agora, as mãos e a atenção dos mais pequenos é algo bem diverso. Algo com que se identificam, com que se debatem amiúde e que os aproxima de Sebastião, o cão de quem todos ficarão amigos. Falamos de tentações...
Portas-te bem, Sebastião? É a pergunta que Raul, o dono, lhe faz no momento em que tem de sair. Uma pergunta que os adultos fazem com frequência... Verdade seja dita, a resposta também não é muito diferente da que as crianças costumam dar: "Vou portar-me lindamente". Não cabe ao leitor duvidar das boas intenções do 4 patas, mas o "espero eu" de Sebastião, logo na página seguinte, deixa no ar o que se avizinha.
Cada virar de página reserva ao simpático animal uma tentação. A primeira começa logo ali, na cozinha, onde Sebastião vê ... um bolo! Hum? Não, não queríamos estar "na pele dele", deve ser um grande conflito...
"Eu disse que ia portar-me bem, mas eu sou LOUCO por bolo".
O que fará o Sebastião é a pergunta que, perante cada tentação, é colocada aos leitores. As tentativas dos mais pequenos para adivinhar o comportamento canino são, quase sempre, hilariantes. Até porque já todos vivemos situações semelhantes. Quem não cedeu já a tentações que atire a primeira pedra... Até os adultos mais certinhos, não é? Então, porquê o espanto?
SIM! Sebastião come mesmo o bolo. TODO!
E vocês? Resistem a correr para ir ver o que faz Sebastião? Bem nos parecia!
Pelo meio, há ainda o delicioso Boa Noite a Todos. Na floresta, numa hora em que o sol se deita e os olhos dos animais se fecham para mais uma noite, um pequeno urso resiste ao sono, tentando persuadir outros pequenotes a prolongar as brincadeiras.
Pelo meio, há ainda o delicioso Boa Noite a Todos. Na floresta, numa hora em que o sol se deita e os olhos dos animais se fecham para mais uma noite, um pequeno urso resiste ao sono, tentando persuadir outros pequenotes a prolongar as brincadeiras.
Ao encanto das ilustrações junta-se o das páginas com tamanhos em crescendo, que permite ver vários cenários em simultâneo. Hora de dormir? É aqui, mas não sabemos se a criançada consegue ouvir a história até ao fim. AHHHH.....UAAA
sábado, 19 de janeiro de 2019
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