quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A preto e branco

A leitura é simples. Vamos a isto.
A noite é preta.
A neve é branca.

O gato é preto.
O leite é branco.

O pássaro é…  bom, já perceberam!
A magia deste livro é incrementada pela forma como as páginas se vão tornando cada vez mais pequenas. À medida que se folheia, cria-se um padrão listado a preto e branco, que culmina num simpático... Adivinham o que é? Preparem-se para a surpresa.

De Petr Horáček, What is black and white?


Fica aqui este belo petisco, para abrir o apetite. Voltamos já, com mais Petr Horáček.

domingo, 14 de outubro de 2012

Mar

Hoje fomos à pesca. Os peixes eram lindos!


Havia um mar... de gente, ali para as bandas do Chiado, mesmo à porta d' A Vida Portuguesa.


Tudo por causa de outro MAR, de autoria destes dois marujos, Ricardo Henriques e André Letria. Com o alto patrocínio do Pato Lógico, o animal que faz livros.


E onde há peixe... não falta pregão, pois claro.


No final, ainda pescámos este magnífico exemplar, que já está a marinar para ser "devidamente cozinhado"aqui.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Elefante Acorrentado

Nós, Hipopómatos, congratulamo-nos com a existência de obras de arte que relembram o direito dos animais a uma vida digna. E, não sendo propriamente uma novidade, é uma preciosidade.

O Elefante Acorrentado é um livro que abrimos e partilhamos várias vezes. Por todas as razões. Pela ilustração, de uma qualidade plástica admirável, onde se combinam a aguarela e a colagem num jogo de luz e sombra muito simbólico e nostálgico.

Pelo texto, da autoria de Jorge Bucay, que se traduz numa narrativa de várias camadas, onde o elefante personifica a condição humana subjugada à opressão dos mais fortes.

Pela temática abordada. E aqui falamos directamente do elefante que «…é um animal daqueles capaz de arrancar uma árvore com um simples puxão.» No entanto, o enormíssimo animal não arranca uma simples estaca do chão, à qual se encontra acorrentado.

O elefante está amestrado. Por isso não foge. O narrador, ainda criança, questiona-se sobre este mistério que ninguém consegue desvendar: «Se está amestrado e por isso não foge, porque é que o acorrentam?» A pergunta fica sem resposta.


De uma beleza inquietante, O Elefante Acorrentado remete para o mundo circense, numa leitura em que transparece também o nomadismo. As ilustrações, do argentino Gusti, são enriquecidas com pequenos apontamentos externos à narrativa, destacando-se os selos de correio, todos eles ilustrados com imagens de elefantes. Apaixonante, no mínimo


Sugerimos, para completar esta leitura,  uma visita à Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela UNESCO. Relembramos o Artigo 10º:
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem. 
2.As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Et avant Serge Bloch?

Desde Setembro que o francês Serge Bloch é o Ilustrador convidado do Cria Cria. Devotos do seu trabalho, os Hipopómatos não têm perdido pitada da conversa. E, claro, estão a adorar! Hoje, partilhamos o último livro do ilustrador que há uns meses veio parar à nossa biblioteca.



Uma constante e infinita interrogação sobre as origens do Homem. Assim se poderia definir Et avant, o livro escrito por CharlElie Couture, que Bloch ilustrou.


Do alto de uma torre, em Manhattan, um homem observa as gentes que, em baixo, correm de um lado para o outro. Partindo da constatação de que parecem saber para onde vão, a primeira das suas interrogações é se saberão de onde vêm.



Uma voz estabelece então um diálogo com o homem, ritmado pela cadência da quase invariável pergunta:  e antes, onde estavas? As respostas vão construindo a sua história, que é, afinal, também a do povo judeu.  A cada página,  remonta-se a um tempo cada vez mais longínquo.



                                   

As ilustrações de Bloch, de traço minimalista, emergem em torno de um buraco circular existente no centro de cada página. Elemento visual preponderante,  vai-se transformando e ajustando a cada momento da história. Ponto de interrogação, sol, balão, boca, ventre materno... 


Simbolizando simultaneamente a passagem para um outro tempo e o próprio meio para voltar às origens,  através dele vamos recuando no tempo.  


                                         



O traço preto e fino da ilustração de Serge Bloch, apenas acompanhado aqui e ali pelo azul celeste, reforça e engrandece o texto poético de Couture.


Este é um livro que põe gente pequena e grande a pensar. Saberemos todos de onde vimos?


Vocês sabem?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A cantiga do urso


No dia mundial da música, os Hipopómatos sugerem A cantiga do urso. Um livro de Benjamin Chaud, recentemente editado pela Orfeu Mini.



Um urso a actuar na Ópera de Paris? Mesmo no dia mundial da música não deixa de ser surpreendente... Como surpreendente é a louca corrida que faz até chegar aqui e que nos deixa a nós, leitores, absolutamente sem fôlego.


Ainda mais,  quando o inicio da história não deixa prever tamanha "correria". À chegada do Inverno, a floresta vive momentos de calma e os seus habitantes preparam-se já para hibernar. Barulho, só mesmo o do ressonar do Papá Urso.


O que pode então ter acontecido para, ao virar da página, encontrarmos o Papá Urso em tamanho "sprint" pela floresta? A única coisa passível de levar um urso a interromper o seu sono: o Pequeno Urso escapulira-se atrás de uma atrevida abelha que por ali passou a zumbir! Onde há abelha...


Em busca do pequenote, Papá Urso sai da floresta e chega às turbulentas ruas de Paris. Nós seguimos viagem com ele por páginas repletas de imagens, tentando desesperadamente descodificar onde pára o Pequeno Urso. É uma espécie de quebra-cabeças, hilariante tanto para pequenos como para grandes.


Alheio a toda esta movimentação e só tendo olhos para a abelha, é com grande à vontade que o Pequeno Urso entra no magnífico edifício da Ópera. Papá Urso vê-se obrigado a segui-lo e nós também.


O que um pai não faz por um filho? Dando-se conta de que estava em cima do palco e sem qualquer intenção de fazer outra figura que não a sua,  o Papá Urso decidiu cantar "uma cantiga que aquece o coração de todos os ursos".



Nem sempre as cantigas dos ursos são devidamente apreciadas. Mas isso pouco importa numa história com final doce e feliz, bem juntinho ao céu de Paris.


Um magnífico livro, onde a riqueza das ilustrações nos envolve numa parafernália de detalhes que parecem não ter fim. Uma história, onde cabem muitas outras histórias.
Boas leituras e boa música!