segunda-feira, 6 de março de 2017

O Rosto da Avó


Em dia de aniversário da avó, a família reúne-se. Todos sabem o quanto ela fica feliz  quando os vê juntos. Ainda assim, há momentos em que a avó consegue, ao mesmo tempo, parecer um pouco triste, surpreendida e até preocupada.


A curiosidade da pequena neta perante o mistério é grande. Mas a avó explica-lhe que isso se deve às linhas  que lhe marcam o rosto. É lá que guarda todas as memórias. Os porquês próprios da infância persistem. Como será possível que linhas tão pequenas consigam ter espaço para tantas memórias...


O livro dá inicio a uma viagem por um outro livro, o rosto da avó. As linhas assemelham-se a um fio condutor que serve para cozer umas às outras as histórias da sua vida. 
As páginas vão-se alternando. A cada pergunta da neta sobre uma linha diferente, segue-se o acontecimento vivenciado pela avó num tempo mais longínquo.


O tempo das primeiras descobertas, das amizades que se celebram num piquenique à beira-mar, do primeiro encontro com o amor, das primeiras despedidas... De forma terna e comovente, à pequena vai sendo transmitido o conhecimento das várias etapas de que se fez a vida da avó. Conhecimento de que o leitor se torna cúmplice ao ouvir as histórias que as linhas desenhadas no rosto albergam.


As deliciosas ilustrações, com uma paleta de cores que parece escolhida para acompanhar a  ternura do texto passo a passo, estabelecem uma estreita relação com as histórias que vão sendo narradas na primeira pessoa. O resultado culmina numa simbiose perfeita: o relato de uma vida. 


Este é o terceiro livro de Simona Ciraolo, editado entre nós pela Orfeu Negro. A família, os laços, as emoções são temáticas comuns e que já nos tinham tocado em Quero Um Abraço, de que falámos aqui e em O Que Aconteceu À Minha Irmã, que podem ver aqui. Ficamos, claro, à espera do próximo! 
Ah, e por favor,  não passem indiferentes pelo jardim de catos da avó!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Porcos, Galinhas e Outros que Tais. É o Regresso dos Contos Tradicionais



Casa de palha, casa de madeira, casa de pedra e tijolo... Cada casa a seu porco! Um preguiçoso, outro um pouco mais trabalhador e um terceiro, muito trabalhador. Todos conhecemos o enredo. Para além dos laços de sangue, os três irmãos têm em comum o mesmo inimigo, o lobo.


Oriundos dos contos populares, estes protagonistas há muito que nos povoam as histórias, continuando a fazer as delícias dos mais pequenos. 


A estrutura repetitiva, a recompensa do trabalho e do esforço do mais aplicado dos três irmãos, a derrota infligida ao lobo, a capacidade de ludibriar o matreiro inimigo são algumas das características deste conto popular que contribuem para cativar os seus destinatários. Estes rapidamente absorvem a história e repetem-na vezes sem conta.


A versão agora editada pela Kalandraka é uma adaptação de Xosé Balesteros (de quem lembramos outras como O Coelhinho Branco e Os Sete Cabritinhos), com ilustrações do também já nosso conhecido Marco Somà (A Rainha das Rãs Não Pode Molhar Os Pés e A Galinha Ruiva).
Com uma paleta de cores quentes e fortes, o ilustrador preenche o imaginário dos leitores com a sua prole de animais humanizados de grande expressividade e o recurso a um infinito e incrível número de elementos com que enriquece os espaços domésticos e os ambientes campestres onde, por regra,  estas narrativas se desenrolam.


O que nos lembra, de imediato, o livro agora novamente editado pela Kalandraka, A Galinha Ruiva. Sobre ele, escrevemos aqui, há três anos.


Sim, continuamos a gostar muito desta Galinha d'armas! Até porque o que não falta por cá é gente à espera de comer o produto do trabalho dos outros...

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Miffy! Miffy!

via pinterest

A notícia da morte de Dick Bruna deixou-nos um sentimento de estranha tristeza. Também morrem, as pessoas como ele?  Talvez não, se pensarmos que nos deixou... a Miffy! É com ela, que vos desejamos Bom Fim de Semana. Até sempre, Dick!


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Pequeno Mi viaja até Sintra!


Amanhã, sábado, às 15.30h, a Rachel Caiano e o Sandro William Junqueira vão estar na Casa dos Hipopómatos, na Biblioteca Municipal de Sintra, para apresentar A Grande Viagem do Pequeno Mi e inaugurar a Exposição de Ilustrações.
Apareçam, mesmo que chova!  O Mi não se intimida nem com tempestades de bolotas!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Leituras de Fora. What Color Is The Wind?


We can't see the wind, we hear what it brings.
We can't hear the wind, we see what it brings.

What Color Is The Wind? é o livro em destaque, esta semana, na Casa dos Hipopómatos.


Uma ou outra vez acontece-nos andar com um livro ao colo vários dias... e continuar a
pensar que tudo o que possamos dizer ou escrever sobre ele é pouco! É necessário contemplar, demoradamente, o que temos nas mãos. É preciso tocar, sentir!
Este é um desses livros. Da autoria de Anne Herbauts, autora que seguimos incondicionalmente e que tanto gostaríamos de ver por cá, a história tem como protagonista um rapaz cego que vai perguntando a cor do vento  a diferenciados interlocutores com que se cruza:  o cão, o lobo, a janela, a chuva... Para cada um, a resposta é, obviamente, distinta.


It has a color, says the dog. It is pink, flowery, pale white.

Diversas técnicas e materiais, uma multiplicidade de formas em relevo, ainda que suave e delicado, sobreposições, recortes...  são elementos que geram surpreendentes e inimagináveis resultados.  Que, se fecharmos os olhos e passarmos os dedos,  nos deslumbram e desconcertam pela beleza e singularidade do efeito alcançado.


 No, says the wolf, the wind is the dark smell of the forest.

Profundo, poético, filosófico, belo... Um livro que nos faz pensar e nos transporta para lá das palavras e das imagens. Venham até cá, também queremos perguntar-vos:  What color is the wind?


The little giant asks a bird,   
What color...
But  the bird has flown away.