Tapete de Histórias | Sophie Blackall e Phoebe Wahl | Orfeu Negro
Eu entranço, tu entranças, nós entrançamos... tudo o que está à mão serve para entrançar. Os cabelos de uns e de outros, os atacadores dos sapatos e até as caudas dos póneis. A febre das tranças entrou na turma do 2ºC da escola primária Margaret Bennett.
Mas no meio de tanto entrançado, o Jaime está chateado. Tem cabelo curto, sapatos sem atacadores e não sobraram póneis para ele. Não está nada interessado nas outras tarefas que a professora lhe sugere. O que ele quer mesmo é fazer tranças! Mas a professora Lorena é daquelas que tem sempre alguma ideia. E, na ausência de outra coisa, o trapo de limpar o quadro manteve o Jaime a fazer uma trança na escola, que se estendeu pela viagem de autocarro até casa.
Entusiasmado, lembrou-se de perguntar se lá por casa também havia trapos. O pai deu-lhe uma camisa velha e ainda o ensinou a coser as tiras. Na escola, todos queriam fazer o mesmo. O rapaz ensinou os colegas e, enquanto a professora lhes lia histórias, as tranças foram crescendo.
A moda pegou e nesta escola inclusiva, onde todos sabem que juntos somos mais fortes, a obra começou a crescer. Houve quem trouxesse um cobertor de quando era bebé, uma velha toalha de mesa, umas cortinas cor de rosa às pintinhas a que o sol já tinha roubado alguma cor, um sari amarelo muito antigo que uma avó já não vestia e a mãe do Omar até lhe deu uma saia às riscas. As tranças iam-se entrelaçando com as histórias que, à vez, todos iam lendo. Umas engraçadas, outras assustadoras. Algumas tristes, disparatadas, emocionantes...
Quando a aula acabou, já a trança já se estendia por toda a escola. Como o Jaime tem sempre alguma ideia, todos aguardavam pelo que viria a seguir. Em pouco tempo, o que era do tamanho de um prato já tinha dimensões de uma piza familiar, de uma roda de bicicleta, de uma piscina pequena, de uma mesa grande da biblioteca...
Já conhecemos o trabalho de Wahl, de quem somos fãs. Encanta-nos ver os seus livros a chegar. A Casa Azul, A Bruxinha Avelã ou As três Galinhas da Sónia são exemplos disso. A paleta de cores alegres atravessa todos os seus livros e confere-lhe um dos seus traços distintivos. Aqui faz-se notar nos tecidos, nas roupas, nos livros e em toda a parafernália de elementos que povoa a sala aula. Blackall dispensa apresentações. Olá Farol, Se algum dia vieres à terra ou Casa de Família são alguns dos seus livros publicados entre nós. A expectativa para ver um livro conjunto das duas autoras era grande. Por isso dizemos: não deixem de visitar esta escola! E o melhor de tudo é que o Jaime e companhia ainda nos ensinam como fazer um tapete de trapos. Porque até os trapos servem para fomentar o espírito de grupo e o trabalho em equipa. Juntos somos mesmo mais fortes.






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