segunda-feira, 12 de outubro de 2026

De braços abertos

 






















De braços abertos | Antonio Rubio e Maria Girón | Kalandraka


Abrir o livro é abrir a porta de uma escola que gostaríamos que fosse modelo para todas as outras. Escola também é casa e esta é para todos. Independentemente da origem, do nome, da cor da pele, crianças dos 4 cantos do mundo convivem felizes, partilhando os dias e as aprendizagens.

Há cores da pele tal qual o barro, cores de um crescente arco-íris, cores de vento, chuva, sândalo.


A poesia das palavras de Rubio encontra um genuíno interlocutor no rosto das crianças que vamos conhecendo. As cores quentes e alegres usadas por Girón sem receios mostram-nos que aqui a alegria e a amizade são coisas que se constroem. Tudo parece dizer ao leitor que há por aqui um mundo que teima em não chegar, mas que é possível. 

Há idiomas da noite, sossegados, idiomas altos, leves, escondidos, idiomas que são ritos, luas, cânticos.














Há por aqui crianças felizes que partilham jogos, músicas, sabores, costumes... porque a riqueza do mundo mora nesta multiculturalidade e na diversidade que ela oferece. 

Há idiomas da noite, sossegados, idiomas altos, leves, escondidos, idiomas que são ritos, luas, cânticos.












Há toda uma celebração da vida, evidenciando a esperança num mundo livre, povoado pela união e pela igualdade. E, como que para dissipar descrenças, Rubio relembra-nos que as criaturas marinhas e as aves migratórias atravessam oceanos e céus sem fronteiras que limitem a sua liberdade.

Há cabelos escorridos ou encaracolados, cabelos como nuvem ou como trigo, cabelos em carapinha ou estremunhados.



E há nomes de planetas e de astros, nomes de nuvem, rio ou cordilheira, nomes-luz, nomes pinha, nomes-pássaro.

A meio do livro, as crianças vão sendo apresentadas ao leitor. As suas fisionomias e os nomes levam-nos a intuir o lugar de onde são oriundos, comprovando que esta é uma escola de e para todos.





Talvez porque o limiar da escola seja um sobreiro antigo com o palpitar de antepassado sábio. 




Não conseguimos deixar de pensar que este é um livro que ficaria bem à entrada de todas as escolas, em jeito de acolhimento das nossas crianças. Todas diferentes, todas iguais.


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