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terça-feira, 15 de outubro de 2024

Um e Sete

 





Um e Sete | Gianni Rodari e Beatrice Alemagna | Kalandraka


Quando Gianni Rodari escreveu este conto, que integra os Contos ao Telefone, talvez não suspeitasse que volvidos mais de 60 anos, ele fosse tão adequado aos tempos negros que vivemos e passível de tocar tão intensamente leitores de todas as idades. Magistralmente ilustrado por Beatrice Alemagna, esta ode à paz e à diversidade transforma-se num relato de esperança e amor que percorre a infância até à idade adulta. 



É a história de um rapaz que era sete meninos num só. Viviam em lugares distintos (grandes cidades capitais do mundo), falavam línguas diversas, mas quando riam, faziam-no na mesma língua. Sete meninos diferentes, afinal um só. Os pais têm profissões distintas, mas os meninos têm hábitos iguais. Todos sabem ler e  escrever, andar de bicicleta sem mãos, brincar, ser criança... 
Todos diferentes, todos iguais.



























Uma história tocante, de uma extrema sensibilidade que percorre  texto e ilustração. Mais do que actual, necessária. Este é um daqueles livros que sempre nos acompanha. Pena que os homens que, entretanto foram crescendo em tamanho, não tenham crescido em cabeça e coração e não o queiram, também eles, por companhia. 
















Era uma vez um rapaz que era sete meninos num só. Muito mais o que os une do que aquilo que os separa, quando crescem, no seu mundo, não há lugar para a guerra. Afinal são um só. Gostamos deste mundo e, tal como escrevemos aqui em 2017, há muito que fizemos a nossa reserva. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Agente X.99. O inesgotável encantamento de ler Rodari


 











Volvidos mais de quarenta anos sobre a primeira publicação das histórias e aventuras pelo espaço deste Agente X.99,  elas continua a deliciar leitores de todas as idades. O que não espantará, se pensarmos que o seu autor se chama Gianni Rodari. O livro, recentemente publicado pela editora Kalandraka, integra a colecção Sete Léguas e é magnificamente ilustrado por Federico Delicado, de quem já falámos várias vezes.

Sim, senhor jornalista, vivi durante anos como um eremita naquele pequeno asteróide, do qual vem o meu nome de guerra: X.99. O nosso universo tem para mim poucos segredos. Conheci mundos muito mais desenvolvidos do que o nosso e outros mais atrasados. Conheci também misturas bastante singulares de progresso e subdesenvolvimento. 




É nesta conversa com um jornalista que o ex-guardião de um asteróide relata as inúmeras e fantásticas aventuras que viveu no espaço, na companhia da sua cabra Renata. Tendo sido guardião de radiofarol no asteróide X.99, uma bola rochosa na qual o sol se levantava e se punha  vinte vezes durante o dia, foram muitas as missões de que foi incumbido no tempo em que por lá viveu. O Planeta dos Brinquedos, o Planeta Osíris, o Planeta Parco, o Planeta Miro... A cada um corresponde um capítulo onde são reveladas ao leitor as aventuras vividas pelo astronauta e pela cabra Renata. O espaço não tem segredos para eles. 


Mais do que simples histórias, as memórias deste agente revelam experiências tão peculiares quanto incríveis. Num planeta, o agente ensina os macacos que o habitam a fazer fogo e estes rapidamente se tornam famosos pela sua indústria alimentar. Noutro, aprende a falar com as árvores, terminando com os mitos sobre árvores assassinas... Abelhas luminosas e inteligentes, teias de aranhas magnéticas,  estranhos desaparecimentos de astronaves, inesperados jogos de batalha naval, estranhos homens com ideias perigosas, costumes bizarros e absurdos... há de tudo para contar. 





O nosso planeta preferido é, sem qualquer dúvida, o dos Brinquedos. Povoado apenas por crianças, mas onde não há escolas. Nele, as crianças fazem o que lhes apetece, desde construir as casas onde vivem, fazer a comida que comem, ler em cima das árvores, desenvolver os mais variados e criativos projetos... No planeta onde há milhares de bicicletas diferentes porque cada menino gosta de inventar o seu próprio modelo, não há adultos. Surpreendente? Não, se nos lembrarmos do brilhante e genial pedagogo que foi Gianni Rodari. A par da pedagogia, o autor embrenha-nos com grande subtileza em temáticas tão variadas como a natureza, o progresso ou o totalitarismo. É com naturalidade que vemos aparecer a referência a um possível "Hitler da Via Láctea". Este é um livro para os mais novos, para os mais velhos, para toda a família...























Terminada a entrevista e a fabulosa descrição das peripécias espaciais do agente X.99, o final do livro ainda reserva ao leitor os divertidos Poemas para Rir do Planeta das Árvores de Natal (obra publicada em 1962), aqui recuperados pelo autor por coincidirem na temática espacial, na exploração e na descoberta inesperada. As magníficas ilustrações de Delicado, que optou por caricaturar várias personagens, completam brilhantemente  a fantástica viagem pelo desconhecido. De tal modo contagiante que também nós vamos viajar. Ainda não nos decidimos pelo planeta, mas sabemos que voltamos em setembro. 

Até lá, boas férias, boas viagens & boas leituras!


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Era Duas Vezes o Barão Lamberto.




“O homem cujo nome é pronunciado permanece vivo”.  

No ano do centenário do nascimento de Gianni Rodari, esta podia bem ser uma referência ao autor, tantas são as vezes que lhe pronunciamos o nome. O Pai da Gramática da Fantasia permanece vivo através do extraordinário legado que nos deixou.
A frase é sua e revela-se o mote para um dos mais magníficos e hilariantes contos que escreveu, já com estatuto de clássico na literatura infantojuvenil. Era Duas Vezes o Barão Lamberto, editado recentemente pela Kalandraka, chega em formato de luxo, com ilustrações do conceituado Javier Zabala (de quem falámos aqui e aqui). Antes, o espanhol já tinha deixado a sua assinatura no delicioso conto de Rodari, El Hombre Que Compró La Ciudad de Estocolmo.


Rodari foi, na sua essência, um brincador das palavras, um descobridor dos seus múltiplos sentidos e um criativo na arte de as pôr ao serviço das crianças. Grande pedagogo, revelou-se, também, exímio nos método de contagiar os adultos. Com ele aprendemos que as palavras são, afinal, brinquedos. É com estes brinquedos que podemos exercitar o maravilhoso poder de inventar.
Em Era Duas Vezes o Barão Lamberto, esse poder não parece conhecer limites. O Barão é um homem muito velho, muito rico e detentor, nada mais nada menos, de 24 doenças. Arteriosclerose, artrite, artrose, asma, bronquite crónica... De a a z, Lamberto padece de tudo um pouco. É o que dá ter a mania das grandezas. Anselmo, o velho mordomo com quem partilha a casa e a vida, anota tudo. Os remédios, as horas, o que pode comer, o que pode beber... Para além das 24 doenças, Lamberto tem também 24 bancos e outras tantas casas espalhadas pelo mundo. Quando chega o Inverno, os velhos ossos do Barão têm por hábito ir apanhar o sol do Egipto. É lá que se dá o encontro com o curandeiro árabe que lhes fornece a cura para todos os males do velho. “O homem cujo nome é pronunciado permanece vivo”.  




O segredo guarda-se no sótão, onde passam a viver umas quantas criaturas contratadas exclusivamente para invocar, dia e noite, o santo nome: - Lamberto, Lamberto, Lamberto...
O humor e a criatividade que atravessam a obra rodariana são aqui uma constante, a que se juntam a crítica social, a fina ironia e uma boa dose de sarcasmo. Com a inteligência a que nos habituou, a brincadeira percorre temas tão variados e sérios como o materialismo, a ganância ou os direitos dos trabalhadores.
Pelo meio, há um desfile de personagens que, por uma razão ou por outra, nos são familiares. É o caso de Otávio, o sobrinho protótipo do escroque que anseia a morte do tio  para herdar a grande fortuna ou dos 24 bandidos, todos de nome Lamberto, que exigem 24 milhões da fortuna do velho barão.



Ao longo da história, Lamberto rejuvenesce, morre, ressuscita e termina criança. Mas, reparem caros leitores, que, se o fim escolhido não for do vosso agrado, o autor vos dá total liberdade para inventar outro. Afinal, falamos de Gianni Rodari

domingo, 31 de maio de 2020

Feliz Dia da Criança, com Gianni Rodari!



No ano do centenário do nascimento de Gianni Rodari, não podíamos comemorar o Dia da Criança sem lembrar a maravilhosa e inspiradora obra deste escritor, pedagogo e jornalista que tanto deu à literatura infantil e juvenil. 
Amanhã, na Casa dos Hipopómatos, entre as 15 e as 19H, os Contos Ao Telefone serão ouvidos ao vivo nos nossos jardins.
Em parceria com a editora Kalandraka oferecemos 6 livros de Gianni Rodari. Um exemplar de cada livro publicado entre nós pela editora, incluindo a mais recente novidade, Era Duas Vezes O Barão LambertoPara se habilitarem, só têm de ser seguidores do blogue e deixar aqui o nome de um dos vossos contos preferidos de Rodari. O sorteio decorre até à meia noite de amanhã. Boa sorte!


::: os Hipopómatos têm para oferecer ::: 

Gramática da Fantasia 
O Que É Preciso? 
Baralhando Histórias 
Inventando Números 
Contos Ao Telefone 
Era Duas Vezes O Barão Lamberto.


Na Casa dos Hipopómatos,  as mesas vão estar no jardim à distância necessária. O café e os biscoitos são oferta da casa. Todos os livros têm descontos especiais. Com embrulhos personalizados , podem ir para casa num dos maravilhosos sacos sandakianos, gentilmente oferecidos pela Kalandraka. Esperamos por vocês!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Un et Sept. Leituras de Fora


Un et Sept, de Gianni Rodari e Beatrice Alemagna, é o livro da semana na Casa dos Hipopómatos. 



Magistralmente ilustrado por Beatrice Alemagna, a história de Rodari é uma ode à paz. Sete meninos diferentes, afinal um só. Vivem em distintas cidades do mundo, falam línguas diversas,  mas o sorriso é o mesmo.


Os pais têm profissões distintas, mas os meninos têm hábitos iguais. Aprendem a ler e a escrever, a andar de bicicleta, a brincar, a ser criança... Todos diferentes, todos iguais. 


Muito mais o que os une do que aquilo que os separa, quando crescem, no seu mundo, não há lugar para a guerra. Afinal são um só. Gostamos desse mundo e já fizemos a nossa reserva. Celebramos o Dia da Criança todos os dias.