22. There's a Ghost in this House | Oliver Jeffers | Harper Collins
A última vez que escrevemos aqui sobre Oliver Jeffers, dissemos que o autor tem, há muito, um lugar de destaque na literatura infantil. Que as suas histórias parecem trazer, a priori, um selo de qualidade e conquistam leitores de todas as idades. Hoje dizemos que nunca deixamos de ser surpreendidos. Este é um livro que deixa marca em 2021. São infinitas as vezes que já entrámos nesta esplendorosa casa à procura de fantasmas!quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
Era Uma Vez Um Alfabeto
5. Era Uma Vez Um Alfabeto | Oliver Jeffers | Orfeu Negro
sábado, 27 de novembro de 2021
terça-feira, 9 de março de 2021
O Destino de Fausto. Uma Fábula Ilustrada
Não será por acaso que se chama Fausto. O mito vem-nos à memória, Fausto vendeu a alma ao diabo. Relembramos Gothe e o indissociável Drº Fausto. Mas este é outro. É o Fausto a quem Oliver Jeffers traçou o destino. Uma fábula ilustrada sobre um pequeno ditador que almeja ser dono do mundo. Com o toque de genialidade que todos reconhecemos ao autor, o último livro de Jeffers chega, mais uma vez, pela mão da Orfeu Negro.
Tratando-se de uma fábula, o leitor cedo intui que o destino de Fausto terá algo de trágico. Mas nem por isso deixamos de nos sentir inclinados a torcer pela má sorte do protagonista. Para isso muito contribui a ambição desmedida que este vai exibindo em crescendo desde que abrimos a primeira página do livro.
Como na vida, a ordem não é indiferente e a história começa com o pequeno homem, a quem não falta a gravata e a barriga proeminente, a subjugar os "aparentemente" mais fracos. Uma pequena e delicada flor, uma pacata e doce ovelha, uma árvore que acaba por se vergar perante o reiterado anúncio:
- Tu és minha!
Já dono da flor, da ovelha e da árvore, Fausto continua insaciável na sua ânsia de poder. Cada vez mais confiante e determinado, vai reclamando para si tudo o que se atravessava no seu caminho. Um campo, uma floresta, um lago. Ninguém fica indiferente à ira demonstrada pela criatura sempre que lhe oferecem resistência, como sucede com a montanha. Há sempre os que resistem! Ainda que seja por pouco tempo.
A ganância de Fausto vai crescendo na mesma proporção do desejo do leitor de conhecer o inevitável fim que Jeffers lhe reservou. Não sem que antes nos tenhamos interrogado se a flor e a ovelha de Jeffers terão algo a ver com as do Principezinho...
Quando vemos o homem fazer-se ao mar, adivinhamos, desde logo, que a coisa tem tudo para não correr bem. A vontade de saber o que nos reservam as páginas seguintes é ainda maior.
- Tu és meu, mar!
O diálogo entre Fausto e o mar tem tanto de previsível como de arrebatador. Sábio, o mar começa por optar pelo silêncio. Mas a prepotência nunca se deu bem com o silêncio ou a indiferença e isso só fez aumentar a raiva de Fausto. O seu interlocutor reage com a calma própria dos que sabem de que lado está a razão.
- Mas tu nem gostas de mim - disse o mar.
Fausto afirmava que estava enganado, que gostava muito dele.
Como nós, o mar sabia que Fausto estava a mentir e desferiu a pergunta fatal:
- Como podes gostar de mim, se não me compreendes?
Incapaz de controlar a sua raiva, Fausto não via a hora de mostrar quem mandava ali.
- Se queres bater o pé, então vem mostrar-me como se faz, para que eu perceba. E foi assim que Fausto acabou. A bater o pé ao mar. E, como não sabia nadar...
Jeffers recorreu inteligentemente às páginas em branco para transmitir ao leitor o isolamento de Fausto face ao mundo. À sua volta, tudo é vazio e frio. Em contrapartida, o contraste com as cores fortes que utiliza para pintar o mar reforça ainda mais as suas beleza e grandeza. E não deixa margem para dúvidas quanto ao posicionamento do leitor nesta fábula.
Sim, ficamos aliviados! Até felizes, com a justeza do destino de Fausto. Com tanto ditador no mundo, não precisávamos de mais um.
Jeffers sabe disso, e em jeito de moral, brinda-nos com algumas conclusões tão óbvias quanto sublimes.
O mar ficou triste por Fausto, mas continuou a ser o mar.
A montanha também voltou à sua vida normal.
O lago, a floresta, o campo a árvore, a ovelha e a flor continuaram a ser como eram.
Porque o destino de Fausto não era importante para eles.
Oliver Jeffers tem, há muito, um lugar de destaque na literatura infantil. As suas histórias parecem trazer, a priori, um selo de qualidade e conquistam leitores de todas as idades. Os últimos livros parecem querer acrescentar algo mais, sempre em jeito de reflexão sobre o mundo onde vivemos hoje. Fausto é bem exemplo disso.
E o texto do escritor Kurt Vonnegut que encontramos no final do livro, também. É o relato de uma conversa com outro escritor, Joseph Heller, que terá tido lugar numa festa de um milionário em que estiveram juntos. Perante a riqueza evidente do milionário, Heller terá dito:
- " Eu tenho uma coisa que ele nunca terá."
- "E que raio de coisa é essa, Joe?", perguntou Vonnegut.
- "A noção de que tenho o suficiente".
Ora aí está algo que Fausto nunca poderia ter compreendido. Tal como não compreendeu o mar.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
O Que Vamos Construir. E se um livro por dia fôr uma vacina contra a pandemia?
O Natal sem a chegada de um novo livro de Oliver Jeffers nunca seria igual. Há cerca de dois anos, falávamos aqui do fantástico Aqui Estamos Nós, Apontamentos para Viver no Planeta Terra, um livro que o autor dedicava ao filho que acabara de nascer. Em jeito de continuidade, o livro que agora chega é dedicado à filha e constrói-se em torno da relação de ambos. Mas, com Jeffers, as coisas nunca são apenas o que parecem e, logo à chegada, somos confrontados com este pequeno texto: Só somos livres para sonhar e fazer planos (para o futuro) quando não temos de lutar para sobreviver (no presente). Para todos os pais e todas as filhas, nesta esfera, cujas hipóteses são menos promissoras do que as nossas, o nosso objetivo é nivelar o terreno. Com amor, Oliver e Mari
(Em memória do Óscar e da Valeria, que tentaram sem nunca ter conseguido).
O que vão, então, construir pai e filha? Em primeiro lugar, uma história repleta de amor e de afectos, com que brindam os leitores. E que acaba por se revelar um espécie de passaporte para tantas viagens que pais e filhos sonham fazer.
Com um texto rimado, a cada dupla página os nossos protagonistas surpreendem-nos com a diversidade de coisas fantásticas que constroem. Ou sonham construir. Uma porta, uma casa, um túnel para qualquer lugar ou essa fabulosa estrada para a lua!
Um sítio onde chegar sem hora marcada, um abrigo onde guardar o que trazem de viagens passadas e o amor já reservado. Pelo meio, também há perigos e inimigos. Fazem parte da vida. Nada que uma chávena de chá e uma boa dose de desculpas não consigam superar. Mas o que eles mais constroem são os laços e as cumplicidades que, certamente, os vão unir toda a vida.
sábado, 20 de outubro de 2018
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Aqui Estamos Nós. Apontamentos para Viver no Planeta Terra
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Era Uma Vez Um Alfabeto. Jeffers Está de Volta!
sábado, 29 de outubro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
terça-feira, 19 de julho de 2016
FÉRIAS COM LIVROS III
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
quinta-feira, 3 de julho de 2014
O Dia Em Que Os Lápis Desistiram
As hostilidades são abertas pelo Lápis Vermelho, em forma de ultimato: Duarte, temos de falar! Queixa-se que o rapaz o faz trabalhar mais do que a todos os outros lápis. Carros de bombeiros, maçãs, morangos e todas as outras coisas vermelhas. Trabalha um ano inteiro, até nos feriados! E depois ainda vêm os pais natais e todos os corações do Dia dos Namorados. A forma como se despede é reveladora: O teu amigo estafado, Lápis Vermelho.
As reclamações sucedem-se e cada uma das cores tem as suas queixas específicas. Uns trabalham demais, outros são pouco utilizados. Há ainda os que já não aguentam tanta irritação e ameaçam perder a paciência por Duarte pintar fora das linhas...











































