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quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

There's a Ghost in this House


 





















22. There's a Ghost in this House | Oliver Jeffers | Harper Collins

A última vez que escrevemos aqui sobre Oliver Jeffers, dissemos que o autor tem, há muito, um lugar de destaque na literatura infantil.  Que as suas histórias parecem trazer, a priori, um selo de qualidade e conquistam leitores de todas as idades. Hoje dizemos que nunca deixamos de ser surpreendidos. Este é um livro que deixa marca em 2021. São infinitas as vezes que já entrámos nesta esplendorosa casa  à procura de fantasmas! 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Era Uma Vez Um Alfabeto

 






















5. Era Uma Vez Um Alfabeto | Oliver Jeffers | Orfeu Negro

Fãs do trabalho de Oliver Jeffers, não podemos deixar de assinalar a reedição do seu genial Alfabeto. Em 2016, aquando da sua chegada, escrevemos sobre ele.
São mais de 100 páginas com histórias curtas e imaginativas que viajam de A a Z. Excêntricas, estranhas, tontas, contraditórias, loucas, de puro nonsense... ou nem por isso. Em comum, têm a característica de nos levar por caminhos hilariantes. Revelador de grande originalidade, o que mais nos encanta neste livro, é a forma delicada e criativa com que Jeffers subverte!"
O que pode haver de mais cativante para os pequenos leitores que se estreiam nesta viagem pelo alfabeto, do que começar com um paradoxo? O A é de astronauta. Não um qualquer, mas Edmundo que morria de medo das alturas. Descobrir a solução para os problemas de Edmundo exige percorrer as páginas até à letra Z...
Podem ler na íntegra aqui.







































Hoje terminamos como há cinco anos. É uma das nossas escolhas e sugestões para este ano, para o próximo, para sempre que decidirem oferecer um livro de excelência aos miúdos!

terça-feira, 9 de março de 2021

O Destino de Fausto. Uma Fábula Ilustrada



Não será por acaso que se chama Fausto. O mito vem-nos à memória, Fausto vendeu a alma ao diabo. Relembramos Gothe e o indissociável Drº Fausto. Mas este é outro. É o Fausto a quem Oliver Jeffers traçou o destino. Uma fábula ilustrada sobre um pequeno ditador que almeja ser dono do mundo. Com o toque de genialidade que todos reconhecemos ao autor, o último livro de Jeffers chega, mais uma vez, pela mão da Orfeu Negro.







































Tratando-se de uma fábula, o leitor cedo intui que o destino de Fausto terá algo de trágico. Mas nem por isso deixamos de nos sentir inclinados a torcer pela má sorte do protagonista. Para isso muito contribui a ambição desmedida  que este vai exibindo em crescendo desde que abrimos a primeira página do livro.

Como na vida, a ordem não é indiferente e a história começa com o pequeno homem, a quem não falta a gravata e a barriga proeminente, a subjugar os "aparentemente" mais fracos. Uma pequena e delicada flor, uma pacata e doce ovelha,  uma árvore que acaba por se vergar perante o reiterado anúncio: 

- Tu és minha!







































Já dono da flor, da ovelha e da árvore, Fausto continua insaciável na sua ânsia de poder. Cada vez mais confiante e determinado, vai reclamando para si tudo o que se atravessava no seu caminho. Um campo, uma floresta, um lago. Ninguém fica indiferente à ira demonstrada pela criatura sempre que lhe oferecem resistência, como sucede com a montanha. Há sempre os que resistem! Ainda que seja por pouco tempo.

A ganância de Fausto vai crescendo na mesma proporção do desejo do leitor de conhecer o inevitável fim que Jeffers lhe reservou. Não sem que antes nos tenhamos interrogado se a flor e a ovelha de Jeffers terão algo a ver com as do Principezinho...













Quando vemos o homem fazer-se ao mar, adivinhamos, desde logo, que a coisa tem tudo para não correr bem.  A vontade de saber o que nos reservam as páginas seguintes é ainda maior.


- Tu és meu, mar! 





























O diálogo entre Fausto e o mar tem tanto de previsível como de arrebatador. Sábio, o mar começa por optar pelo silêncio. Mas a prepotência nunca se deu bem com o silêncio ou a indiferença e isso só fez aumentar a raiva de Fausto. O seu interlocutor reage com a calma própria dos que sabem de que lado está a razão. 

- Mas tu nem gostas de mim - disse o mar. 

Fausto afirmava que estava enganado, que gostava muito dele. 

Como nós, o mar sabia que Fausto estava a mentir e desferiu a pergunta fatal:

- Como podes gostar de mim, se não me compreendes?

Incapaz de controlar a sua raiva, Fausto não via a hora de mostrar quem mandava ali.

- Se queres bater o pé, então vem mostrar-me como se faz, para que eu perceba. E foi assim que Fausto acabou. A bater o pé ao mar.  E, como não sabia nadar...
























Jeffers recorreu inteligentemente às páginas em branco para transmitir ao leitor o isolamento de Fausto face ao mundo. À sua volta, tudo é vazio  e frio. Em contrapartida, o contraste com as cores fortes que utiliza para pintar o mar reforça ainda mais as suas beleza e grandeza. E não  deixa margem para dúvidas quanto ao posicionamento do leitor nesta fábula.

Sim, ficamos aliviados! Até felizes, com a justeza do destino de Fausto. Com tanto ditador no mundo, não precisávamos de mais um. 

Jeffers sabe disso, e em jeito de moral, brinda-nos com algumas conclusões tão óbvias quanto sublimes. 

O mar ficou triste por Fausto, mas continuou a ser o mar

A montanha também voltou à sua vida normal. 

O lago, a floresta, o campo a árvore, a ovelha e a flor continuaram a ser como eram. 

Porque o destino de Fausto não era importante para eles.





Oliver Jeffers tem, há muito, um lugar de destaque na literatura infantil. As suas histórias parecem trazer, a priori, um selo de qualidade e conquistam leitores de todas as idades. Os  últimos livros parecem querer acrescentar algo mais, sempre em jeito de reflexão sobre o mundo onde vivemos hoje. Fausto é bem exemplo disso. 

E o texto do escritor Kurt Vonnegut que encontramos no final do livro, também. É o relato de uma conversa com outro escritor, Joseph Heller, que terá tido lugar numa festa de um milionário em que estiveram juntos. Perante a riqueza evidente do milionário, Heller terá dito: 

- " Eu tenho uma coisa que ele nunca terá."

- "E que raio de coisa é essa, Joe?", perguntou Vonnegut.

- "A noção de que tenho o suficiente".

Ora aí está algo que Fausto nunca poderia ter compreendido. Tal como não compreendeu o mar.


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O Que Vamos Construir. E se um livro por dia fôr uma vacina contra a pandemia?

6. O Que Vamos Construir, Planos Para Um Futuro Comum | Oliver Jeffers | Orfeu Negro

O Natal sem a chegada de um novo livro de Oliver Jeffers nunca seria igual. Há cerca de dois anos, falávamos aqui do fantástico  Aqui Estamos Nós, Apontamentos para Viver no Planeta Terra, um livro que o autor dedicava ao filho que acabara de nascer. Em jeito de continuidade, o livro que agora chega é dedicado à filha e constrói-se em torno da relação de ambos. Mas, com Jeffers, as coisas nunca são apenas o que parecem e, logo à chegada, somos confrontados com este pequeno texto: Só somos livres para sonhar e fazer planos (para o futuro) quando não temos de lutar para sobreviver (no presente). Para todos os pais e todas as filhas, nesta esfera, cujas hipóteses são menos promissoras do que as nossas, o nosso objetivo é nivelar o terreno. Com amor, Oliver e Mari 

(Em memória do Óscar e da Valeria, que tentaram sem nunca ter conseguido).

O que vão, então, construir pai e filha? Em primeiro lugar, uma história repleta de amor e de afectos, com que brindam os leitores. E que acaba por se revelar um espécie de passaporte para tantas viagens que pais e filhos sonham fazer. 













Com um texto rimado, a cada dupla página os nossos protagonistas surpreendem-nos com a diversidade de coisas fantásticas que constroem. Ou sonham construir. Uma porta, uma casa, um túnel para qualquer lugar ou  essa fabulosa estrada para a lua! 














Um sítio  onde chegar sem hora marcada, um abrigo onde guardar o que trazem de viagens passadas e o amor já reservado. Pelo meio, também há perigos e inimigos. Fazem parte da vida.  Nada que uma chávena de chá e uma boa dose de desculpas não consigam superar. Mas o que eles mais constroem são os laços e as cumplicidades que, certamente, os vão unir toda a vida.



Jeffers mantém-se fiel ao registo do anterior livro, sendo as semelhanças evidentes. Os elementos intertextuais passeiam-se no livro, exibindo, por vezes, alguma ordem caótica. Mas o que mais nos encanta neste livro é a viagem que convida os leitores de todas as idades a fazer.  Apanhem boleia na estrada para a lua, ou no túnel que vos leva a qualquer lado, ou descansem num sítio confortável... Inspirem-se com um pai e uma filha capazes de construir um super relógio para evitar o tempo morto e assim irem construindo o futuro um do outro.
Façam os vossos planos para um futuro comum. Sonhem juntos. Porque não há vírus que ataque o sonho.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Aqui Estamos Nós. Apontamentos para Viver no Planeta Terra


Muitas vezes nos apetece escrever, depois de entrar num dos seus livros, que Oliver Jeffers é um autor de outro planeta. Ainda a levitar, hoje, é ele quem nos chama à Terra. Aqui Estamos Nós é uma espécie de guia ilustrado-manual de boas vindas-kit de sobrevivência.  Assumindo a sua condição de pai, Jeffers conversa com o filho, de dois meses de idade,  dando-lhe as boas vindas e apresentando-lhe o lugar onde chegou. 


Partindo da premissa de que há muito para ver e fazer aqui na Terra, inicia o filho e os leitores numa visita guiada. Uma viagem predominantemente visual que nos deslumbra pela genial simplicidade com que é construída, atento o seu primeiro destinatário. Mas não se deixem enganar, é para todas as idades.


A terra e o mar, a diversidade de pessoas e animais, o respeito e os cuidados a ter consigo e com o que o rodeia, o corpo, o tempo... A riqueza e a multiplicidade de factos e de detalhes que encontramos, os conselhos, as sugestões,  as notas de humor, o respeito pela diversidade, a crença na humanidade desembocam a uma só voz na mesma reflexão: Nunca estamos sozinhos na terra.


Alegremente surpreendidos, aqui e além, por um estilo diferente do que estamos habituados, como é o caso da dupla página dedicada aos animais, algo estilizada e enciclopédica, as ilustrações e a  própria paleta de cores escolhida encantam-nos a cada virar de página. Entre a imensidão azul do espaço e a Ponte de Brooklyn (bairro onde o autor reside), Jeffers ilustra o planeta de várias perspectivas e conta ao filho o que pode esperar e o que pode fazer por ele. Respeito, consideração e tolerância são valores herdados do pai do próprio Jeffers  que, certamente, espera que norteiem a vida do filho.


- Usa bem o teu tempo. Ele acaba antes que dês por isso.


Há pessoas de todas as formas, tamanhos e cores. Podem parecer diferentes, fazer coisas e sons diferentes, mas não te deixes enganar, somos todos pessoas.
- Também há animais. Com formas, tamanhos e cores diferentes. Eles não falam, mas isso não quer dizer que não devamos tratá-los bem.

O humor nunca está ausente nos livros de Jeffers e este não é excepção. O leitor não consegue deixar de rir quando, por exemplo, o pai remete a conversa sobre o mar para um pouco mais tarde, para quando o bebé aprender a nadar. Ou quando um papagaio põe em causa  a máxima de que os animais não falam. "Eu falo", diz a divertida criatura. 


Vais descobrir montes de coisas sozinho. Só não te esqueças de deixar apontamentos para as outras pessoas. 
Nós descobrimos esta paixão pelo trabalho de Oliver Jeffers, pela forma genial como ele ilustra a vida e usa pedaços dela. É esse apontamento que partilhamos com vocês.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Era Uma Vez Um Alfabeto. Jeffers Está de Volta!


Alfabetos há muitos. Uns menos convencionais do que outros. Munari, Sendak, Quentin Blake e tantos outros não resistiram a alfabetizar... Edward Gorey, o mestre do nonsense, deixou-nos um legado fabuloso de várias e incríveis histórias sobre as 26 letras do alfabeto.




Oliver Jeffers não fez por menos e decidiu passar a ocupar um lugar de relevo na História dos Alfabetos. 26 histórias para 26 letras. O brilhante Era Uma Vez Um Alfabeto, Pequenas Histórias com todas as Letras, chegou recentemente a Portugal, pela mão da Orfeu Negro. 


São mais de 100 páginas com histórias curtas e imaginativas que viajam de A a Z. Excêntricas, estranhas, tontas, contraditórias, loucas, de puro nonsense... ou nem por isso.  Em comum, têm a característica de nos levar por caminhos hilariantes. Revelador de grande originalidade, o que mais nos encanta neste livro, é a forma delicada e criativa com que Jeffers subverte!


Há histórias que se cruzam, histórias que entram noutras histórias, enigmas que só  algumas histórias depois são resolvidos... Há um humor intertextual  que nos permite encontrar personagens já nossas conhecidas de outros livros do autor a passearem por algumas páginas... E há, sobretudo, uma humor inteligente que percorre todo o livro.


Há histórias que se lêem e relêem. Muitas vezes. Procura-se a certificação de que o final é mesmo aquele. E quando assim é, o riso é o resultado inevitável. Povoado de monstros, robôs e outros seres absolutamente singulares, este é um livro que contém doses de suspense, de perplexidade e  de humor que o tornam absolutamente genial.


O que pode haver de mais cativante  para os pequenos leitores que se estreiam nesta viagem pelo alfabeto, do que  começar com um paradoxo? O A é de astronauta. Não um qualquer, mas Edmundo que morria de medo das alturas. Descobrir a solução para os problemas de Edmundo exige percorrer as páginas até à letra Z...


O C fica por conta de uma caneca que, farta de viver num armário escuro e frio, um dia decidiu arriscar, acabando, claro está, em cacos. Porque aqui não há concessões fáceis, há inevitabilidades. A caneca volta a reaparecer algumas histórias depois, devidamente colada e certamente resgatada pelos dois especialistas em salvamento que coabitam no livro. Mas porque há coisas inevitáveis, quase a terminar a viagem, o leitor volta a vê-la em cacos.


Com uma magnífica capa cor de laranja vivo, o interior do livro acaba por se revelar surpreendente. Cada letra, desenhada como só Jeffers sabe, e a respectiva história são introduzidas por uma página colorida. Mas os desenhos das histórias exibem-se, a cada página, em tons pretos e cinzas, apenas com um ou outro apontamento de cor. 


Esse é, sem dúvida, um forte contributo para que a memória de Gorey não nos abandone ao longo da viagem. Mas não o único. Há páginas onde texto e  ilustração parecem resultar numa verdadeira combinação goreyniana.  É assim, por exemplo, com o H, Habitação de Alto Risco. É a história de Helena, que habitava a metade de uma casa. A outra metade, tinha caído ao mar, durante um furacão, há ano e meio. Por ser preguiçosa, e não ter um martelo, a Helena não tratara ainda de arranjá-la. A Helena nunca tivera problemas até  ao terrível e horrível dia em que rebolou para o outro lado da cama.


Brilhante e irresistível, é um luxo que já se passeie por cá!  Agradecer à Orfeu Negro por isso, nunca será demais. É uma das nossas escolhas e sugestões para este ano, para o próximo, para sempre que decidirem oferecer um livro de excelência aos miúdos! 

terça-feira, 19 de julho de 2016

FÉRIAS COM LIVROS III


Em Julho de 2014, escrevíamos aqui sobre O Dia Em Que Os Lápis Desistiram, uma das nossas sugestões para leitura em férias.  Dois anos depois, em tempo de férias e de regressos, falamos de O DIA Em Que Os Lápis Voltaram A Casa, também ele trazido pela Orfeu Negro.


No decurso destes dois anos, muita coisa se terá passado entre Duarte e os seus lápis. Talvez nem mesmo ele se tenha dado conta... Certo é que, um dia em que estava a desenhar alegremente, recebeu um estranho molho de postais pelo correio.


Os postais chegavam de sítios diversos e contavam histórias bem diferentes. O lápis vermelho-vivo, por exemplo, escreve-lhe do hotel onde tinham passado férias oito meses antes. Depois do desenho que tinham feito do escaldão do pai do Duarte, este deixara-o esquecido na piscina. Oito meses à espera é demais e decidiu regressar a pé...


A viagem será tão longa quanto hilariante.  Mesmo o leitor mais pequeno consegue perceber que geografia não é o forte do lápis vermelho. A identificação que  vai fazendo dos locais por onde passa é susceptível de provocar poderosas gargalhadas a miúdos e a graúdos.


Humor é o que não falta neste segundo livro da magnífica dupla Drew Daywalt e Oliver Jeffers. Há lápis esquecidos na cave, partidos ao meio do sofá, a derreter ao sol e até há quem se tente recompor depois de ter sido...comido por um cão e vomitado no tapete!!


O Duarte ficou triste por saber que tinha perdido, esquecido, partido ou desprezado tantos lápis ao longo dos anos. Por isso foi a correr recuperá-los a todos.


O problema é que, agora, os lápis estavam tão estragados e tão diferentes...  Descubram, descubram a genial ideia que Duarte teve para reunir de novo os seus lápis e dar resposta a tanta reivindicação! 


Para quem já era fã de O Dia Em Que Os Lápis Desistiram, os novos desenvolvimentos da vida dos lápis do Duarte são imperdíveis! Os outros?  Apressem-se, porque suspeitamos que, com tamanhas criatividade e imaginação, a dupla Daywalt & Jeffers não se ficará por aqui.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Dia Em Que Os Lápis Desistiram


Quando, em Julho do ano passado, entrámos na Shakespeare and Company, Os Lápis estavam por todo o lado. Nas prateleiras, nos expositores...  Sobre eles, já tínhamos lido uma parafernália de adjectivos. Genial, único, criativo, divertido... Depois de os vermos,  sentimos que tudo isso era pouco. De imediato,  lhes arranjámos lugar na nossa mala, como mostrámos aqui.  Agora, já existem em português, graças à Orfeu Negro. Nós dizemos: Obrigado!


Um dia, na escola, ao ir buscar a sua caixa de lápis de cera, Duarte é surpreendido por um monte de cartas que lhe é dirigido. Ao abri-las, descobre que foram escritas, precisamente, pelos lápis de cera. Depara-se, então,  com um rol de queixas, um descontentamento generalizado e fica a saber que os lápis não estão felizes.


As hostilidades são abertas pelo Lápis Vermelho, em forma de ultimato: Duarte, temos de falar! Queixa-se que o rapaz o faz trabalhar mais do que a todos os outros lápis. Carros de bombeiros, maçãs, morangos e todas as outras coisas vermelhas. Trabalha um ano inteiro, até nos feriados! E depois ainda vêm os pais natais e todos os corações  do Dia dos Namorados. A forma como se despede é reveladora: O teu amigo estafado, Lápis Vermelho.


As reclamações sucedem-se e cada uma das cores tem as suas queixas específicas. Uns trabalham demais, outros são pouco utilizados. Há ainda os que já não aguentam tanta irritação e ameaçam perder a paciência por Duarte pintar fora das linhas... 


O único que não tem razões de queixa é o Lápis Verde, mas, em contrapartida, revela a sua grande preocupação com os amigos Lápis Amarelo e Lápis Laranja que deixaram de falar um com o outro e...



Para que não subsistam dúvidas,  os lápis usam os desenhos feitos pelo rapaz para exemplificarem o que dizem. É um trabalho notável de imaginação e criatividade aquele que Oliver Jeffers desenvolve ao longo do livro. Um estilo deliciosamente naif que, por momentos,  nos consegue fazer acreditar que as ilustrações têm a autoria de uma criança.


As cartas são escritas à mão, numa mistura de letras maiúsculas e minúsculas, resultando num lettering que parece integrar a própria ilustração. Drew Daywalt, o autor do texto, é um  premiado argumentista e realizador de cinema e de televisão, que faz aqui a sua estreia no mundo da literatura infantil. Tamanha criatividade e um humor desmedido fazem-nos esperar por mais!



O proprietário da caixa dos lápis de cera não aparece em momento algum. Mas ao longo do livro,  Duarte está tão próximo que nos familiarizamos com ele a ponto de não nos surpreender a sua atitude face às queixas dos seus amigos lápis.


Tanta reivindicação obriga a pensar e a questionar o porquê das escolhas. Tal como Duarte, qualquer criança que leia o livro nunca mais olhará  as  cores da mesma forma. Os lápis passarão, seguramente, a ser utilizados com uma maior liberdade. 


Depois de O Dia Em que Os Lápis Desistiram, nada ficará igual. O mundo é agora bem mais colorido. Quem foi que disse que os monstros não podem ser cor de rosa, os pais natais azuis ou o céu amarelo?


Duarte recebeu um BOM pela escolha das cores e uma medalha de ouro pela criatividade. A mesma que não hesitaríamos em atribuir a Drew Daywalt e a Oliver Jeffers por esta genial, inovadora e divertidissíma história.


Durante 52 semanas, o livro manteve-se como best-seller na lista do New York Times. Foi uma das nossas escolhas de livros 2013. Continua a ser uma das nossas sugestões para leitura em férias. ÚNICO e OBRIGATÓRIO!