Mostrar mensagens com a etiqueta Davide Cali. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Davide Cali. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O Vendedor de Felicidade


 






















16. O Vendedor de Felicidade | Davide Cali e Marco Somà | Nuvem de Letras

É caso para dizer que este vendedor era aguardado já há algum tempo e agradecemos à Nuvem de Letras poder agora vê-lo a falar em português. Assinado por uma dupla de peso, que há uns anos nos presenteou com A Rainha das Rãs Não Pode Molhar os Pés , este é um livro deslumbrante, onde as ilustrações de Somà encantam leitores de todas as idades. Nesta história há alguém que decide vender a felicidade em frascos. Pequenos, grandes e de tamanho familiar, há de todos os tamanhos e para todas as necessidades. Abram o livro para descobrir o preço da felicidade e deleitem-se com esta pequena maravilha.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

FÉRIAS COM LIVROS I


Férias são férias e as portas da escola bem podem ser fechadas. Mas isso não impedirá a pequenada de poder ir magicando e reservando algumas boas desculpas para quando voltarem a chegar... atrasados!


Depois do Não Fiz os Trabalhos de Casa Porque... de que falámos aqui,  a Orfeu Negro volta a presentear-nos com outro livro da dupla Davide Cali e Benjamin Chaud,   Cheguei Atrasado à Escola Porque...


Um verdadeiro emaranhado de incidentes e acasos, todos ligados entre si, acabam por transformar-se no gigantesco contratempo que conduz ao atraso. 
Tudo começa com umas formigas gigantes que decidem comer o pequeno-almoço do rapaz... 


O dito contratempo revela-se, afinal, uma hilariante história, assente numa elaborada e gigantesca confusão.  Ninjas ferozes, bailarinas estranhas ou monstros-bolha peganhentos são apenas algumas das personagens que habitam as magníficas páginas do livro.


De forma inesperada, ou talvez não, à medida que percorre as páginas, o leitor é igualmente convidado a revisitar  outras histórias bem conhecidas, como Capuchinho Vermelho, o Flautista de Hamelin ou Alice no País das Maravilhas. Uma parafernália de elementos conduz os mais pequenos à rápida identificação de alguns dos clássicos da literatura.


Uma máquina do tempo parece assumir papel preponderante no desenlace da história, capaz de surpreender não só os leitores como também a professora a quem a história é narrada. 


Ponham a criançada a ler e a dar largas à imaginação! No regresso à escola, chegar atrasado será praticamente inevitável!


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A casa que voou

Um dia a casa foi-se embora.
Simplesmente ergueu-se do chão e levantou voo.


E se um dia a nossa casa voasse?  Talvez ficássemos tão perplexos e perdidos como o proprietário desta casa. Sem saber o que fazer, dada a inusitada  situação, decidiu pedir ajuda às entidades oficiais


Deambulou, desesperado, entre Câmara Municipal, Gabinete dos Desastres Naturais, Gabinete dos Perdidos e Achados, Gabinete de Facilitação e Segurança Civil... 


O resultado não é inesperado. Perante o estranho acontecimento, o homem não só não logrou qualquer ajuda dos cinzentos burocratas como ainda colheu algumas insólitas respostas. Obviamente, homem estava muito aborrecido


Entretanto, lá em cima, a sua casa andava às voltas como um pássaro.


Sem nada a perder, decidiu-se por conta própria. Enquanto ela voava , ele seguia-a, cá em baixo, no carro. A perseguição durou dia e noite, até que... Oh, metam-se no carro e vão atrás dela até à livraria mais próxima!  
Uma viagem com o doce sabor do retorno à infância. 


Já aqui o dissemos várias vezes, Davide Cali é dono de um senhor humor. Escrevemo-lo recentemente a propósito do livro Não Fiz os Trabalhos de Casa Porque... Mas também de uma fina sensibilidade com que sempre toca os seus leitores.  Muitas são as viagens em que apanhámos boleia: Eu Espero... Um Dia, Um Guarda-Chuva, Arturo, são apenas alguns exemplos.
Juntar no mesmo livro um texto de Cali e o humor e a inteligência das ilustrações de Catarina Sobral pressupõe estar condenado ao sucesso! Parabéns à Bruaá por apadrinhar a genial parceria!


No seu estilo inconfundível, a ilustradora conduz-nos numa dupla viagem, a da casa e a do dono. Em busca do desfecho desta louca aventura, acompanhamos cada movimento em terra e no ar. As cores alegres e vivas que usa para pintar a natureza contrastam,  de forma inteligente e divertida, com o cinzento das repartições públicas, povoadas de gente enfadonha e também ela cinzenta. Uma parafernália de elementos percorre o livro, fazendo-nos sorrir a cada página. Os quadros que revestem as paredes, os objectos da secção de Perdidos e Achados, a alternância da cor do laço do proprietário da casa... são apenas alguns apontamentos reveladores do humor e da inteligência que sempre coloca no seu trabalho. 


Sobral continua a apaixonar-nos com o seu traço de menina. Encantam-nos as suas casas, os carros, as árvores e os pássaros que com elas coabitam, e que sempre nos fazem voar para o universo da infância. À semelhança da caprichosa e inteligente casa que, um dia, se fartou da cidade e voou em busca de um lugar impregnado do perfume das figueiras e do cheiro a lenha queimada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Não Fiz Os Trabalhos De Casa Porque...


Confessamos, somos convictamente contra os trabalhos de casa, vulgo TPC’s! Mas, pela primeira vez, hesitámos... Se não fossem eles, este magnífico livro não existiria! Nãooooo, não podia ser!



A partir de agora nada será igual! Esqueçam as gastas e esfarrapadas desculpas tipo "fiquei com dor de cabeça", "faltou a luz lá por casa" ou "estive a ajudar o meu pai a construir um foguetão"...  Abram o tratado de Davide Cali e Benjamin Chaud, editado pela Orfeu Negro, e nele encontrarão compiladas 28 inimagináveis desculpas para não realizar as "maçadoras tarefas". Absurdamente geniais!



Neste caso, a aparência engana mesmo, pois trata-se de um livro pequeno e fino. Mas está lá tudo, garantimos! Os motivos vão sendo invocados, em catadupa,  por um pequeno rapaz,  envergando fato e gravata, no momento em que é interpelado pela professora. 


Invasões de macacos ou de lagartos gigantes, coelhos que roem lápis e cadernos, elfos que escondem lápis, plantas carnívoras, descobertas de petróleo no quintal, funeral do gato... É preciso ver para crer! "Um gigantesco inventório!", na opinião de um dos miúdos com quem partilhámos o livro. Precioso, acrescentamos nós.


As ilustrações de Benjamin Chaud elevam o grau de absurdo do texto de Cali a um tal patamar, que o livro acaba transformado num hino à imaginação. Relembramos, por exemplo, A Cantiga do Urso, e reconhecemos a riqueza gráfica que caracteriza o seu trabalho. Uma multiplicidade de pormenores, de detalhes minuciosamente cuidados em cada ilustração definem-lhe o estilo. 


Descobrir e identificar alguns desses pormenores é tarefa com que o leitor se pode deliciar.  Nós não resistimos. Aqui, por exemplo, entrámos pelo quarto do rapaz para ver um realizador famoso que quis usá-lo como cenário do seu novo filme. Fizemos cada descoberta!...


A genialidade do final da história não foge à regra, num  livro onde são muitas as semelhanças com o genial Edward Gorey. Ou não estivéssemos no universo dele...


Claro que os professores vão ler o livro... mas podem sempre arriscar! Ainda assim, lembrem-se do aviso dos autores:


Davide Cali é autor de vários livros editados entre nós. Eu espero..., A Rainha das Rãs Não Pode Molhar os Pés, Adoro Chocolate, Arturo, Um dia, Um Guarda-Chuva... são alguns deles. Dono de um senhor humor e de uma versatilidade ímpar, Cali vai estar esta segunda-feira na Gulbenkian, no colóquio É então isto para crianças? Essa é uma das  razões, nada absurda, porque vamos estar lá. 




 Bom Fim de Semana!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Juste à ce moment-là...


Hoje é dia de visita ao zoo de Davide Cali e José Saraiva. Juste à ce moment-là... entramos num dos nossos zoos preferidos. Querem boleia?

ESTE ZOO FECHA À SEXTA-FEIRA, À HORA DE ALMOÇO. 

                                         

Émile, o guarda, acompanha os visitantes até ao portão e de seguida cumpre todo um ritual. Antes de ele próprio almoçar, trata de alimentar a bicharada: o elefante, a girafa, o rinoceronte, a zebra, o macaco, o hipopómato, o dromedário e o crocodilo.


Contudo, na última sexta-feira algo correu de forma diferente. O guarda Émile, que está apaixonado, teve um encontro à hora de almoço e na hora de sair esqueceu-se de fechar as jaulas e o portão do zoo.


Juste à ce moment-là, incia-se o processo de libertação. Com as portas escancaradas, todos se põem a caminho. Pelo meio, ficamos a saber que não apreciavam muito a estadia por aquelas bandas. África é o destino escolhido. Mas será que todos lá chegam?


Uma história que se revela um  hino à liberdade. E onde a amizade acaba por ocupar lugar de destaque num final surpreendente.



O caminho percorrido pelos animais é longo e sempre ocupado por multidões. Mas, pasme-se, apesar do aparato da parada, por uma razão ou por outra, nunca ninguém repara nela.


Ainda que ninguém os tenha visto, os vestígios deixados pelos animais em debandada não deixam margem para dúvidas. Alguma coisa passou por ali! Mas essa é outra história...



Fantasticamente construída, com a repetição dos nomes dos animais a cada página, como a criançada tanto gosta, é uma história repleta de desafios ( poucos resistem a contar os animais a cada página) e riquíssima em detalhes que nos fazem constantemente  voltar atrás nesta intensa caminhada.


As deslumbrantes ilustrações não enganam em relação à autoria. Conhecemos-lhe a tendência para o uso desta paleta cromática, com predominância dos tons azul, vermelho e branco. Mas a maior característica das ilustrações de José Saraiva é a poesia que delas sempre emana e que exerce sobre nós uma magia e um poder encantatório únicos. O livro foi editado em França, há cerca de dez anos, pelas éditions Sarbacane. Teríamos gostado tanto de o ver por cá...


Há muito que adoramos este zoo! De vez em quando voltamos ... Talvez pelo prazer de ver as jaulas vazias e abertas. Talvez porque nos lembramos amiúde que vivemos num mundo onde o que chama a nossa atenção nem sempre é o essencial. Mesmo que o essencial seja um elefante, uma girafa, um rinoceronte, uma zebra, um macaco, um hipopómato, um dromedário e um crocodilo.