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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

5. Perdi-me No Museu Porque...


David Cali e Benjamin Chaud estão de volta, trazendo com eles o pequeno e imaginativo Henrique. Neste terceiro livro, editado pela Orfeu Negro, o rapaz que já conhecemos por não fazer os trabalhos de casa e chegar atrasado à  escola, sempre com fortes motivos, diga-se, vive  uma nova aventura. Uma visita de estudo a um museu.

Assim que cheguei, fui atacado por um triceratops.

Quem também já conhece o Henrique é a sua professora, que não resiste a questioná-lo,  com cara de poucos amigos, sobre a visita realizada. Ora, o rapaz não se faz rogado e dá inicio ao relato das muitas e fantásticas peripécias experienciadas. É aqui que os leitores apanham boleia.


Uma vez lá dentro, tudo é possível!  Encontros com manadas de búfalos ou famílias Neanderthal, passagens secretas, esculturas animadas que capturam visitantes, explosões... Henrique vê-se mesmo obrigado a executar algumas tarefas que não estariam previstas: arrumar, limpar e até... pintar. Sim, o miúdo reparou naqueles quadros que não estavam terminados e achou que era o mínimo que podia fazer! 

E dediquei-me com toda a minha arte.


Enquanto o leitor reconhece algumas alusões à Mona Lisa ou ao Princepezinho , as aventuras sucedem-se a um ritmo tão alucinante quanto hilariante. Nada que desvie o nosso pequeno artista do seu objectivo, encontrar a turma! Ah, é que nos tínhamos esquecido de contar que o Henrique chegou atrasado... ao museu.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

FÉRIAS COM LIVROS I


Férias são férias e as portas da escola bem podem ser fechadas. Mas isso não impedirá a pequenada de poder ir magicando e reservando algumas boas desculpas para quando voltarem a chegar... atrasados!


Depois do Não Fiz os Trabalhos de Casa Porque... de que falámos aqui,  a Orfeu Negro volta a presentear-nos com outro livro da dupla Davide Cali e Benjamin Chaud,   Cheguei Atrasado à Escola Porque...


Um verdadeiro emaranhado de incidentes e acasos, todos ligados entre si, acabam por transformar-se no gigantesco contratempo que conduz ao atraso. 
Tudo começa com umas formigas gigantes que decidem comer o pequeno-almoço do rapaz... 


O dito contratempo revela-se, afinal, uma hilariante história, assente numa elaborada e gigantesca confusão.  Ninjas ferozes, bailarinas estranhas ou monstros-bolha peganhentos são apenas algumas das personagens que habitam as magníficas páginas do livro.


De forma inesperada, ou talvez não, à medida que percorre as páginas, o leitor é igualmente convidado a revisitar  outras histórias bem conhecidas, como Capuchinho Vermelho, o Flautista de Hamelin ou Alice no País das Maravilhas. Uma parafernália de elementos conduz os mais pequenos à rápida identificação de alguns dos clássicos da literatura.


Uma máquina do tempo parece assumir papel preponderante no desenlace da história, capaz de surpreender não só os leitores como também a professora a quem a história é narrada. 


Ponham a criançada a ler e a dar largas à imaginação! No regresso à escola, chegar atrasado será praticamente inevitável!


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Não Fiz Os Trabalhos De Casa Porque...


Confessamos, somos convictamente contra os trabalhos de casa, vulgo TPC’s! Mas, pela primeira vez, hesitámos... Se não fossem eles, este magnífico livro não existiria! Nãooooo, não podia ser!



A partir de agora nada será igual! Esqueçam as gastas e esfarrapadas desculpas tipo "fiquei com dor de cabeça", "faltou a luz lá por casa" ou "estive a ajudar o meu pai a construir um foguetão"...  Abram o tratado de Davide Cali e Benjamin Chaud, editado pela Orfeu Negro, e nele encontrarão compiladas 28 inimagináveis desculpas para não realizar as "maçadoras tarefas". Absurdamente geniais!



Neste caso, a aparência engana mesmo, pois trata-se de um livro pequeno e fino. Mas está lá tudo, garantimos! Os motivos vão sendo invocados, em catadupa,  por um pequeno rapaz,  envergando fato e gravata, no momento em que é interpelado pela professora. 


Invasões de macacos ou de lagartos gigantes, coelhos que roem lápis e cadernos, elfos que escondem lápis, plantas carnívoras, descobertas de petróleo no quintal, funeral do gato... É preciso ver para crer! "Um gigantesco inventório!", na opinião de um dos miúdos com quem partilhámos o livro. Precioso, acrescentamos nós.


As ilustrações de Benjamin Chaud elevam o grau de absurdo do texto de Cali a um tal patamar, que o livro acaba transformado num hino à imaginação. Relembramos, por exemplo, A Cantiga do Urso, e reconhecemos a riqueza gráfica que caracteriza o seu trabalho. Uma multiplicidade de pormenores, de detalhes minuciosamente cuidados em cada ilustração definem-lhe o estilo. 


Descobrir e identificar alguns desses pormenores é tarefa com que o leitor se pode deliciar.  Nós não resistimos. Aqui, por exemplo, entrámos pelo quarto do rapaz para ver um realizador famoso que quis usá-lo como cenário do seu novo filme. Fizemos cada descoberta!...


A genialidade do final da história não foge à regra, num  livro onde são muitas as semelhanças com o genial Edward Gorey. Ou não estivéssemos no universo dele...


Claro que os professores vão ler o livro... mas podem sempre arriscar! Ainda assim, lembrem-se do aviso dos autores:


Davide Cali é autor de vários livros editados entre nós. Eu espero..., A Rainha das Rãs Não Pode Molhar os Pés, Adoro Chocolate, Arturo, Um dia, Um Guarda-Chuva... são alguns deles. Dono de um senhor humor e de uma versatilidade ímpar, Cali vai estar esta segunda-feira na Gulbenkian, no colóquio É então isto para crianças? Essa é uma das  razões, nada absurda, porque vamos estar lá. 




 Bom Fim de Semana!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A cantiga do urso


No dia mundial da música, os Hipopómatos sugerem A cantiga do urso. Um livro de Benjamin Chaud, recentemente editado pela Orfeu Mini.



Um urso a actuar na Ópera de Paris? Mesmo no dia mundial da música não deixa de ser surpreendente... Como surpreendente é a louca corrida que faz até chegar aqui e que nos deixa a nós, leitores, absolutamente sem fôlego.


Ainda mais,  quando o inicio da história não deixa prever tamanha "correria". À chegada do Inverno, a floresta vive momentos de calma e os seus habitantes preparam-se já para hibernar. Barulho, só mesmo o do ressonar do Papá Urso.


O que pode então ter acontecido para, ao virar da página, encontrarmos o Papá Urso em tamanho "sprint" pela floresta? A única coisa passível de levar um urso a interromper o seu sono: o Pequeno Urso escapulira-se atrás de uma atrevida abelha que por ali passou a zumbir! Onde há abelha...


Em busca do pequenote, Papá Urso sai da floresta e chega às turbulentas ruas de Paris. Nós seguimos viagem com ele por páginas repletas de imagens, tentando desesperadamente descodificar onde pára o Pequeno Urso. É uma espécie de quebra-cabeças, hilariante tanto para pequenos como para grandes.


Alheio a toda esta movimentação e só tendo olhos para a abelha, é com grande à vontade que o Pequeno Urso entra no magnífico edifício da Ópera. Papá Urso vê-se obrigado a segui-lo e nós também.


O que um pai não faz por um filho? Dando-se conta de que estava em cima do palco e sem qualquer intenção de fazer outra figura que não a sua,  o Papá Urso decidiu cantar "uma cantiga que aquece o coração de todos os ursos".



Nem sempre as cantigas dos ursos são devidamente apreciadas. Mas isso pouco importa numa história com final doce e feliz, bem juntinho ao céu de Paris.


Um magnífico livro, onde a riqueza das ilustrações nos envolve numa parafernália de detalhes que parecem não ter fim. Uma história, onde cabem muitas outras histórias.
Boas leituras e boa música!