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quinta-feira, 6 de julho de 2017

A Bola Amarela. Jogamos?


Há livros de outro planeta! Neste caso, do Planeta Tangerina. Em 2014, a propósito de Daqui Ninguém Passa, escrevemos: É a história de uma revolução, mas também a revolução do próprio livro. É uma brincadeira magnífica, hilariantemente conseguida, que nos faz querer participar! 



Hoje, falamos de A Bola Amarela e continuamos a dizer que o livro se reinventa todos os dias. Com texto de Daniel Fehr e ilustrações de Bernardo Carvalho, o mais recente livro da colecção De Cantos Redondos do Planeta Tangerina é um livro-jogo que, com elevadas doses de diversão e originalidade, leva o leitor a calcorrear 37 páginas para trás e para a frente... para a frente e para trás. As crianças, e não só, deleitam-se com esta aventura! 


Um livro é um lugar. Com dentro e fora, esquerda e direita, perto e longe, princípio e fim, diz a editora a propósito desta colecção. Aqui, o lugar começa por ser um campo de ténis e a acção desencadeia-se quando Luísa e Luís decidem fazer um jogo amigável e, imaginem, a bola acaba por escapulir-se na dobra entre as páginas! 



Aos dois amigos não resta alternativa que não seja procurá-la. E os leitores? Pois, esses têm de segui-los, iniciando uma aventura que os levará a percorrer os mais diversificados e encantadores cenários. Mas não se enganem, não é fácil e a coisa exige alguma forma física. Aqui, não chega virar a página. A numeração não existe para ser seguida ordeiramente. Aqui, é preciso saltitar entre páginas, para trás e para a frente.


De pista em pista, acompanhamos os pequenos no rasto da bola. Atravessamos uma festa, onde todos conhecemos alguns dos convidados, uma savana, um campo com burros, páginas digitais que nos trazem à memória  alguns videojogos e muito mais. Tudo, pela mão de Bernardo Carvalho que, com a qualidade a que já nos habituou, se socorre do desenho e da fotografia, num registo pautado pelo humor.


Uma louca viagem com passagem pelo céu e direito a conhecer um deus muito especial! 
Ufa! Não!! Não descansem porque não podem perder de vista os petizes! E não se deixem enganar, bolas amarelas há muitas...


Livros em papel, interativos e digitais? Nem mais.
Subjacente à colecção, está o conceito de interactividade. Genialmente conseguida, os leitores mergulham literalmente no livro, esgueirando-se pelas dobras ou saltando pelas páginas até conseguirem enxergar a bola amarela. Mas, não se ficam por aí. É um desafio empolgante e irresistível, com um final/recomeço hilariante, feito na companhia dos dois pequenos protagonistas. Ela desfrutando, tal como os leitores, de cada página, ele resmungando com tudo e todos. Até com Deus! Até com os autores do livro! DEVEM ESTAR A GOZAR!!



Há planetas assim. Lugares onde os leitores participam, jogam, brincam, aventuram-se... dentro do livro! Pssst, os miúdos já estão a caminho do campo de ténis? Não?? DEVEM ESTAR A GOZAR!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

MARY JOHN. Um Natal Mais Azul!


Que bom é poder terminar o ano a falar de livros como este! MARY JOHN, o novo livro de Ana Pessoa, com ilustrações de Bernardo Carvalho e recentemente editado pelo Planeta Tangerina, é um livro condenado ao sucesso junto do público adolescente.


Há semanas que ando a escrever-te. Não sei bem porquê. Não sei bem para quê. Quem és tu, Júlio Pirata? Ando a pensar na nossa história. Desde o princípio. Desde o primeiro encontro. Desde a primeira pergunta: "És menino ou menina?"

Assim começa a longa carta que Maria João escreve a Júlio Pirata, uma espécie de balanço das histórias vividas e partilhadas durante a infância e a adolescência. A mudança de casa e de lugar, na companhia da mãe, acaba por funcionar como a alavanca desencadeadora deste relato pormenorizado de  sentimentos, de meditações, de estados de alma.



Eu sou uma menina por tua causa, Júlio. Deixei crescer o cabelo para ti, furei as orelhas para ti. Eu vivo e morro para ti. Todos os meses tenho o período, morro um bocadinho e penso em ti. Tu dizes: "Morreste!" E eu morro. Atiro-me para o chão de qualquer maneira.
E eu não quero isso. Eu nunca mais quero morrer, Júlio. Eu quero viver para sempre. Todos os minutos de todas as horas de todos os dias. 
A carta para o Júlio Pirata parece corresponder a um desejo de encerrar um capítulo já longo, quando um recomeço se avizinha. Será?


Depois do fantástico SUPERGIGANTE, Ana Pessoa volta a surpreender com uma história intensa, cativante e imperdível. Um porto de abrigo onde qualquer adolescente se encontra e os adultos devem entrar. Que venham mais, nós agradecemos!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Um Ano Inteiro, Agenda Para Explorar a Natureza


Não é preciso esperar por 2016. Porque esta não é uma agenda comum! É o que nos dizem os autores, logo na introdução: Não se inicia em janeiro, mas no solstício de inverno, a 21/22 de dezembro. É uma agenda intemporal, sem prazo de validade, para ser usada infinitas vezes.


E acrescentam: Porque a natureza nos chama todas as semanas, faz sentido uma agenda como esta. Uma agenda semanal, com uma proposta para cada semana do ano. Depois do êxito de Lá Fora, de que falámos aqui, o Planeta Tangerina volta a surpreender com Um Ano Inteiro, Agenda Para Explorar a Natureza. Com textos de Isabel Minhós Martins e ilustração de Bernardo Carvalho, a selecção de conteúdos e a revisão científica, voltam a ficar por conta de uma equipa especializada.


Semana a semana, são diversas as sugestões, as propostas, os desafios, as descobertas que fazemos. Actividades tão simples como aprender a identificar as nuvens ou descobrir as estrelas do céu de inverno, deixam-nos uma enorme vontade ir lá para fora!


Há desafios ímpares. Daquele em  que se vai logo avisando que não são fáceis, como: Com os olhos nas nuvens (e a cabeça no papel) desenha diferentes tipos de nuvens. Na agenda,  claro, onde as páginas em branco aguardam.


Sabem quando acordam as joaninhas? Já ouviram o canto nocturno do rouxinol? E os sons do crepúsculo? Agarrem na agenda (para o ano inteiro) e vão lá para fora! Preencham as tabelas existentes para a identificação das aves e comecem a tratá-las pelo nome.


No campo ou na cidade, não deixem de sair em busca da natureza. Espreitem a Via Láctea e as constelações de Verão. Descubram o nome de todas as conchas que apanham na praia (apostamos que não conhecem todas), escutem o canto das cigarras...


No momento certo, agasalhem-se e não deixem de observar o nascer do sol no solstício de Inverno.


Uma agenda que nunca mais largamos. Afinal, a natureza é coisa de todos os dias. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Patologic(o)mente Magníficos

Chegam sempre aos pares! São os livros da colecção Imagens que Contam, editada pelo Pato Lógico


Bernardo Carvalho e João Fazenda são os ilustres contadores que se juntam a André da Loba, Marta Monteiro, Afonso Cruz e Catarina Sobral. Que luxo!


Verdade?! tem a assinatura de Bernardo Carvalho e conta a história de um pescador e do seu cão que vêem uma inesperada tempestade transformar um normal e tranquilo dia de pesca num pesadelo. 


A fúria do mar agiganta-se e os perigos surgem de vários lados.


Por entre monstros marinhos e relâmpagos, tudo parece irremediavelmente perdido. Mas um surpreendente final da história acaba por revelar o contrário. Verdade?! Bom, pelo menos, é o que conta o nosso pescador...


Uma história que nos fez lembrar... as de um velho pescador que nunca nos cansávamos de  ouvir. A intensidade com que as contava levava-nos mar dentro, enfrentando monstros e perigos vários, com a mesma determinação e coragem que sempre lhe encontrávamos na voz. Depois, durante dias, a pergunta roía-nos… Verdade?! 


Praia mar,  mares revoltos... Bernardo Carvalho já nos habituou a deixar-nos sem palavras.


Shall  we dance? 



A pergunta impõe-se assim que abrimos Dança, o livro de João Fazenda.


A vontade é muita, mas não parece suficiente. O contraste é óbvio. Visível  nas formas e nas cores.  Ela é uma exímia dançarina. Ele, o que vulgarmente se chama "pé de chumbo".



O mundo em que vivem não é seguramente pintado com as mesmas cores. O dela é pincelado de cores quentes e alegres. O dele, é cinzento e pesado.


Nada que a música e o amor não consigam transformar...


Shall we dance?


Nós já rodopiamos, à espera do próximo par. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Viva o Livro!


É uma das características mais apaixonantes da literatura infantil: o livro reinventa-se todos os dias. Vir ao mundo, de Emma Giuliani, editado pela Edicare, é um bom exemplo disso.


Poético e belo. Delicado e resistente. Pela voz das flores, o ciclo da vida vai acontecendo a cada folha que abrimos em forma de harmónio. 


Num fundo preto e branco, as flores encontram-se ocultas graças à técnica das formas pop-up. Cabe-nos a nós tocar-lhes, abri-las, descobrir-lhes as cores. Ou não. Afinal, como na vida.


Vir ao mundo num vasto universo. Viver graças ao calor de um outro e retribuir. Misturar as suas cores, para uma ainda maior beleza.



Reconciliar os amigos, declarar o amor, coroar as crianças ou dizer um último adeus... As palavras são poucas mas revelam uma imensidão. Da aliança entre elas, as imagens e o próprio design do livro, surge a  revelação dos diversos estágios da vida. Lembrando-nos que, à semelhança da minúscula joaninha que atravessa todo o livro, somos seres actuantes. Ou não.


E apesar da fragilidade, existir. Um livro sobre flores, sobre pessoas, sobre a própria existência. Dos 0 aos 100, um objecto belo, delicado e tocante que sentimos como nosso.



Numa sessão de leitura com jovens de 13 e 14 anos mostrámos o livro. No final, observámos que um deles ficara para trás, que apertava o livro contra o peito e chorava. Expunha a sua fragilidade por uma perda a que resiste todos os dias. Não conseguimos imaginar um mundo sem livros. Mas por uma razão ou por outra, continua a angustiar-nos pensar em todas as crianças que não os têm e que nunca conseguirão encontrar-se neles.


Aqui, o livro reinventa-se todos os dias. E fazem-se revoluções! Os cabecilhas? Procurem por entre toda esta multidão!  Nós encontrámos alguma gente conhecida, nomeadamente, a Isabel Minhós Martins e o Bernardo Carvalho,  autores deste livro, editado pelo Planeta Tangerina.


Mas isso não constituirá propriamente uma novidade. Revolucionar talvez seja o verbo que melhor define o papel daquele Planeta no universo infantil. 


Daqui Ninguém Passa! É a história de uma revolução, mas também a revolução do próprio livro. É uma brincadeira magnífica, hilariantemente conseguida, que nos faz querer participar! 


A partir de agora vai ser assim, não percam o vosso latim. Quem o diz é o general Alcazar, um homenzinho prepotente, que se julga dono do livro e ambiciona ser o herói da história. 


Não, não é um valentão! Muito menos um corajoso! Munido de um exército de guardas, o  homem limita-se a impôr proibições. A página da direita está-lhe reservada!


Mas, como diz a Isabel, este livro é de todos e se há revoluções que se fazem com cravos,  outras há que se fazem com bolas... Certo é que a história parece reservar algumas surpresas ao dito general!


Como tudo isto acaba é algo que terão de descobrir. Nós já sabemos. Porque andámos no meio da multidão, ouvimos os desabafos de muita gente, detectámos coincidências e escolhemos os nossos heróis! Enfim, participámos na revolução. 


Talvez por isso nos falte agora tempo  para elencar todos os livros de que gostámos em 2014. Mas se nos pedissem para eleger um, diríamos... Daqui Ninguém Passa!


quarta-feira, 28 de maio de 2014

LÁ FORA

De 29 de Maio a 15 de Junho, todos os caminhos vão dar ao Parque. A Feira do Livro de Lisboa está de volta, na sua 84º edição. O que todos desejamos é que se encha de gente. Porque os livros, esses, já lá estão. À nossa espera.  


Ao longo de mais de quinze dias, a horas diversas, a Feira torna-se casa morada de escritores, ilustradores, editores, contadores de histórias... Há sessões de autógrafos, lançamentos, animações... Na hora H ou em qualquer outra, há dezenas de boas razões para irmos até lá. Uma , duas, três... muitas vezes! Por exemplo? A Feira é lá fora!


O último livro do Planeta Tangerina também! Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspetos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Lá Fora define-se como um guia para descobrir a natureza. Venham daí!


Sigam as pistas e descubram os bichos, bichinhos e bicharocos com quem dividimos a terra, a água e o ar. Escutem o vento, olhem as árvores, vejam as rochas ou, simplesmente, contemplem o céu. Mas vão para Fora


Com texto de Maria Ana Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário e ilustrações de Bernardo Carvalho, são 368 páginas repletas de ensinamentos fantásticos, pistas, curiosidades e propostas de actividades.


Lá Fora é, ele próprio, uma proposta irresistível. Pró menino e prá menina, para pequenos e grandes, para toda a família. Para quem vive no campo ou habita na cidade. Ou não fosse um livro com chancela do Planeta Tangerina.


Claro que é preciso algum fôlego. Façam uma pausa. Contemplem o céu ou, simplesmente, relaxem, observando as folhas das árvores.

 
Mas não deixem de olhar as nuvens, ver um arco-íris, observar as borboletas, molengar com os caracóis, trepar às árvores, pular muros, subir  rochas... 

Agarrem no livro e na família e vão à descoberta do mundo lá fora. Sigam as pistas. Nós já experimentámos. Mas temos certeza que nos vamos deixar guiar durante muito tempo. Porque adoramos seguir pistas, desvendar  mistérios, aprender a linguagem de outros, conhecer tudo o que é  bicho, saber distingui-los, trepar às árvores, colher fruta, entrar na água...



Lá Fora aguça-nos a vontade de andar por aí, de espreitar aqui e acolá, de partilhar a noite com os pirilampos, de deixar que as nuvens nos toquem. 


Aproveitem o fim-de-semana! As condições climatéricas não são impeditivas. Vamos apanhar uma molha e sentir o vento?


Para quem ainda não tem o livro, saiba que basta seguir as pistas até à Feira do Livro! É Lá Fora... Lá Fora.