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terça-feira, 13 de junho de 2017

Gatos, piolhos, ratos, girafas, crocodilos, pirilampos e muitos mais... continuam a querer ir de férias com as crianças e os pais!



Depois da bicharada toda que elencámos aqui, é de animais que continuamos a falar. E  voltamos a dizer que, quer estejam a caminho da Feira do Livro ou já a preparar as férias, há livros onde não podem deixar de entrar.
É o caso da maravilhosa cidade que Joan Negrescolor, autor do premiado livro HÁ Classes Sociais, editado pela Orfeu Negro, nos convida a visitar. Com a chancela da mesma editora,  A Cidade dos Animais é um hino à natureza que deslumbra os visitantes com uma luminosa e alegre paleta de cores. 



No espaço, que outrora parece ter sido ocupado por habitantes diferentes e onde ainda podemos encontrar objectos perdidos, proliferam elementos da natureza e uma gigantesca diversidade de seres. Deixem-se guiar por Nina, a menina que conhece bem os trilhos e os cheiros desta floresta, e passeiem-se com as crianças.  Apesar de se tratar do seu lugar secreto, está disposta a partilhá-lo com os leitores.


O reencontro com os amigos, sempre que volta à cidade selvagem, cheia de cor e luz, é uma festa marcada por um ritual: a leitura de histórias. Nina não faz distinções porque sabe que cada um tem o seu gosto bem pessoal. Se é verdade que os macacos preferem viagens à lua, aventuras espaciais e seres extraordinários, já a serpente elege os poemas sobre o mar, os pescadores e as tempestades. Por seu turno, os pinguins...



Mas, ATENÇÃO,  há uma história que reúne unanimidade! Entrem e descubram!


Pela mão da Kalandraka, chega-nos mais um livro de Leo Lionni, o que é sempre um luxo! As histórias de Lionni são intemporais e continuam a apaixonar miúdos e graúdos. Para isso muito  contribuem a ternura em que estão envoltas e a delicadeza e mestria com que a mensagem que as acompanha se faz anunciar junto do leitor. Frederico, O Sonho de Mateus ou o eterno Pequeno Azul e Pequeno Amarelo são apenas alguns exemplos.


Num registo algo diferente do habitual, com colagens de cores garridas e divertidas, Alex e o Ratinho de Corda gira à volta dos laços que se estabelecem entre dois amigos improváveis, Alex e Willie. O primeiro é um pequeno rato que, sempre que empreende uma incursão pela casa onde escolheu alojar-se em busca de uma qualquer migalha, se vê em apuros no meio dos usuais gritos de "Socorro! Um rato!" O segundo, é um rato de corda e o brinquedo preferido da menina da casa.



Willie é detentor de todos os mimos e atenções, partilha a almofada branca e fofa da dona e diz-se amado por todos. Mas só anda em círculos e quando lhe dão corda. Alex até poderia correr por todos os cantos da casa, mas a vassoura é o objecto que está sempre mais próximo...Vive com a tristeza de saber que ninguém gosta dele. E à noite, na escuridão do seu esconderijo, não consegue evitar a inveja que sente dos mimos dados ao seu único amigo, o rato de corda...



Das muitas horas de conversa e partilha surge a revelação da existência de um lagarto mágico que tudo consegue transformar. Alex, cansado de ser o mal amado, não pensa duas vezes. Mas, tal como na vida, nas histórias também há reviravoltas... Uma deliciosa história sobre amizade. A que se constrói e prevalece independentemente de todas as diferenças. 


É o cúmulo da bicharada! No livro da Rita Taborda Duarte há de tudo : elefantigas, girafeusgirafus, gigopulgões ou nanoleias... 
Estes são, apenas, alguns dos animais, ou melhor, animenos, que são bichos tal qual os demais mas tendo bastante menos, que se passeiam neste criativo e delicioso "manual de bichos e bichissímos". As não menos criativas ilustrações de Pedro Proença tornam o livro, editado pela Caminho, um objecto irresistível para os mais pequenos.


Apresentados em verso, os Animais e Animemos e outros bichos mais pequenos (sim, podem ser minusculíssimos) são divertidos, hilariantes e únicos, pondo a criançada a gargalhar e a pedir mais e mais! 


Conhecer esta espécie de piolhos que vivem nos nossos miolos ou a macacança que pode rodopiar dentro de qualquer pessoa é algo que apaixona os leitores mais pequenos que, não só repetem os nomes vezes sem conta, como decidem,  eles próprios, dar largas à imaginação e inventar outras espécies de animenos.


Macacança? Trata-se de uma espécie especial de macaco, mesmo muito pequenino, mesclado de criança que, entre outras coisas, pode  desarrumar pensamentos e virar o mundo do avesso. Claro que há sempre aqueles que, tendo muito siso, vivem sem bicharada a mordiscar-lhes o juízo. Que tédio, dizemos nós! Soltem lá a macacança que há em vocês e, para além dos ANIMAIS, façam-se acompanhar também destes fantásticos ANIMENOS em férias!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O TESOURO L-i-b-e-r-d-a-d-e


Há muitos anos, num país muito distante vivia um povo infeliz e solitário, vergado sob o peso de uma misteriosa tristeza.

As pessoas, quando se encontravam, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se alguma coisa, um segredo terrível, as amedrontasse.
No País das Pessoas Tristes, as pessoas não podiam fazer o que queriam nem podiam dizer o que pensavam ou sentiam. E também não podiam conhecer outros povos, vivendo fechadas no seu país, como se ele fosse uma prisão.
Havia polícias por toda a parte que as perseguiam e lhes batiam se elas não dissessem nem pensassem o que eles queriam que dissessem e pensassem.
Os meninos do País das Pessoas Tristes não podiam ouvir as músicas, nem ver os filmes, nem ler os livros e as revistas de que gostavam... Nem sequer podiam beber Coca-Cola, porque a Coca-Cola também era (ninguém sabia porquê) proibida!
As raparigas e os rapazes não podiam conversar nem conviver. Elas não podiam vestir calças nem andar sem meias e eles eram mandados para horríveis guerras  em países longínquos e obrigados a matar gente que não conheciam e que nunca lhes tinha feito mal nenhum, e muitos deles morriam lá ou regressavam loucos ou estropiados. 
No País das Pessoas Tristes, tudo isto acontecia porque alguém tinha roubado o maior e mais valioso tesouro que aquele povo tinha... A Liberdade.
Mas um dia, as pessoas decidiram reconquistá-lo. Era o dia 25 de Abril. Esse dia passou para sempre a chamar-se o Dia da Liberdade.
Depois de Manuela Bacelar e Evelina Oliveira, nesta edição da Assírio &Alvim, é Pedro Proença quem ilustra O TESOURO, de Manuel António Pina. O Tesouro de todos nós.