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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Um Ano Atarefado


 










Um Ano Atarefado | Leo Lionni | Kalandraka


Os livros de Leo Lionni não têm idade. Independentemente de terem sido escritos há vinte, cinquenta ou mais anos, continuam a encantar as crianças de hoje como fizeram com as anteriores gerações que os leram. A genial e inspiradora simplicidade que percorre toda a sua obra fará sempre as delícias dos mais pequenos. Os livros atingiram, há muito, o estatuto de clássicos e o autor perpetuou o seu lugar no panorama da literatura para os mais novos. A arte preencheu-lhe os sonhos desde criança, mas foi já com meio século de vida que abriu a porta a este universo. Da famosa viagem de comboio com os netos surgiu essa pérola que é  Pequeno Azul e o Pequeno Amarelo. Seguiram-se mais de 40 títulos, sempre aclamados pela crítica e amados pelos leitores.
























Lionni é o rei das fábulas. Não no sentido literal, impregnadas de moral, mas como janelas abertas para um mundo que os mais pequenos reconhecem e com que, facilmente, se identificam.  As suas histórias falam de amizade, partilha, tolerância, aceitação, solidariedade... Os pequenos animais que protagonizam as suas histórias preencheram a sua infância, já que era um coleccionador nato. Quando cresceu, transformou-os nos seus e nossos "heróis". Frederico é o exemplo perfeito. É o poeta que nos faz acreditar nas palavras e nos sonhos. Tal como Mateus, o artista que os pinta. 
























Em Um Ano Atarefado, o autor traz de volta os pequenos ratos a que deu vida de forma inconfundível. Desta feita, os protagonistas são Alice e Artur, dois ratitos gémeos com um enorme coração que se tornam amigos de uma árvore, de seu nome Flora. Uma amizade que vai crescendo e atravessa as quatro estações do ano. Os pequenos preocupam-se com Flora, com o facto de ela não se conseguir mover do lugar onde as suas raízes se agarram à terra e com as adversidades que o tempo lhe pode reservar: neve, chuva, vento, sol intenso.


A cada dupla página corresponde um mês do ano e os pequenos leitores vão observando as transformações de Flora. A queda das folhas, o surgimento dos primeiros rebentos, o nascimento das flores e dos frutos. Alice e Artur são visitas de todos os dias, atentos a todas as etapas da vida da amiga. Ela tranquiliza-os, falando-lhe dos benefícios que a mãe natureza dispensa ao seu crescimento e desenvolvimento. Só os humanos a preocupam. Flora divide com os amigos o seu medo do perigo de incêndios. Mas, no momento certo, os gémeos estão lá, revelando a generosidade e o espírito de ajuda que os amigos nunca recusam. Num cenário estático e de sóbria simplicidade, este é um livro onde os mais pequenos se sentem em casa e onde voltam vezes sem conta.


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Uma Cor Apenas Sua. Um verão com sabor a livros


 






















Uma Cor Apenas Sua | Leo Lionni | Kalandraka


Para as crianças, os livros de Lionni não têm idade. Pouco importa que o seu pequeno camaleão conte já mais de quarenta anos. A genial e inspiradora simplicidade que percorre toda a sua obra fará sempre as delícias dos mais pequenos. Para nós, a chegada de mais um livro em portugês do autor de Frederico ou do Pequeno Azul e Pequeno Amarelo, não pode deixar de ser festejada.












O pequeno camaleão não acha grande piada ao facto de mudar permanentemente de cor. Percebe que é diferente de todos os outros com quem se vai cruzando. Os elefantes são cinzentos, os porcos cor-de-rosa... só ele não tem uma cor própria. Mudar de cor consoante o lugar onde possa estar não é algo que lhe agrade ou que pareça compreender. E, muito menos, o facto de isso só acontecer com ele. Definitivamente, não se sente bem na sua pele.

















Inconformado com a sua aparência, não desiste da ideia de  ter uma cor própria. Afinal,  como  todos os outros. É assim que, um dia, sentado na cauda de um tigre, toma a decisão que julga solucionar todos os seus problemas de identidade. Muda-se definitivamente para uma folha verde, garantindo que assim terá uma cor só sua. A solidão não é coisa que importe. Dali não  irá arredar pata, agora que é só verde.











Os mais pequenos simpatizam com ele. Chegam mesmo a esboçar alguma solidariedade pelo seu inconformismo e determinação. Mas, a mãe natureza acaba por trocar as voltas ao nosso protagonista.  Enquanto os pequenos leitores assistem ao decurso das estações do ano, assinaladas pela mudança de tom das folhas,  o camaleão volta a mudar de cor. O verde acaba por ceder lugar às tonalidades mais amarelecidas do outono, mais tarde substituídas pelos tons escuros do inverno... 










Os problemas de aceitação da sua aparência só parecem terminar quando encontra outro camaleão e percebe que não é o único diferente. Mais velho e mais sábio, o companheiro demonstra-lhe que, juntos, podem ultrapassar qualquer obstáculo, pouco importando a diversidade de cores que a natureza lhes queira emprestar. Bem ao jeito de Lionni, esta é uma fábula sempre actual, onde os dois camaleões vivem felizes para sempre. Atrevemo-nos a dizer que felizes serão, também, as crianças que os visitarem. Independentemente da sua cor de pele.


terça-feira, 13 de junho de 2017

Gatos, piolhos, ratos, girafas, crocodilos, pirilampos e muitos mais... continuam a querer ir de férias com as crianças e os pais!



Depois da bicharada toda que elencámos aqui, é de animais que continuamos a falar. E  voltamos a dizer que, quer estejam a caminho da Feira do Livro ou já a preparar as férias, há livros onde não podem deixar de entrar.
É o caso da maravilhosa cidade que Joan Negrescolor, autor do premiado livro HÁ Classes Sociais, editado pela Orfeu Negro, nos convida a visitar. Com a chancela da mesma editora,  A Cidade dos Animais é um hino à natureza que deslumbra os visitantes com uma luminosa e alegre paleta de cores. 



No espaço, que outrora parece ter sido ocupado por habitantes diferentes e onde ainda podemos encontrar objectos perdidos, proliferam elementos da natureza e uma gigantesca diversidade de seres. Deixem-se guiar por Nina, a menina que conhece bem os trilhos e os cheiros desta floresta, e passeiem-se com as crianças.  Apesar de se tratar do seu lugar secreto, está disposta a partilhá-lo com os leitores.


O reencontro com os amigos, sempre que volta à cidade selvagem, cheia de cor e luz, é uma festa marcada por um ritual: a leitura de histórias. Nina não faz distinções porque sabe que cada um tem o seu gosto bem pessoal. Se é verdade que os macacos preferem viagens à lua, aventuras espaciais e seres extraordinários, já a serpente elege os poemas sobre o mar, os pescadores e as tempestades. Por seu turno, os pinguins...



Mas, ATENÇÃO,  há uma história que reúne unanimidade! Entrem e descubram!


Pela mão da Kalandraka, chega-nos mais um livro de Leo Lionni, o que é sempre um luxo! As histórias de Lionni são intemporais e continuam a apaixonar miúdos e graúdos. Para isso muito  contribuem a ternura em que estão envoltas e a delicadeza e mestria com que a mensagem que as acompanha se faz anunciar junto do leitor. Frederico, O Sonho de Mateus ou o eterno Pequeno Azul e Pequeno Amarelo são apenas alguns exemplos.


Num registo algo diferente do habitual, com colagens de cores garridas e divertidas, Alex e o Ratinho de Corda gira à volta dos laços que se estabelecem entre dois amigos improváveis, Alex e Willie. O primeiro é um pequeno rato que, sempre que empreende uma incursão pela casa onde escolheu alojar-se em busca de uma qualquer migalha, se vê em apuros no meio dos usuais gritos de "Socorro! Um rato!" O segundo, é um rato de corda e o brinquedo preferido da menina da casa.



Willie é detentor de todos os mimos e atenções, partilha a almofada branca e fofa da dona e diz-se amado por todos. Mas só anda em círculos e quando lhe dão corda. Alex até poderia correr por todos os cantos da casa, mas a vassoura é o objecto que está sempre mais próximo...Vive com a tristeza de saber que ninguém gosta dele. E à noite, na escuridão do seu esconderijo, não consegue evitar a inveja que sente dos mimos dados ao seu único amigo, o rato de corda...



Das muitas horas de conversa e partilha surge a revelação da existência de um lagarto mágico que tudo consegue transformar. Alex, cansado de ser o mal amado, não pensa duas vezes. Mas, tal como na vida, nas histórias também há reviravoltas... Uma deliciosa história sobre amizade. A que se constrói e prevalece independentemente de todas as diferenças. 


É o cúmulo da bicharada! No livro da Rita Taborda Duarte há de tudo : elefantigas, girafeusgirafus, gigopulgões ou nanoleias... 
Estes são, apenas, alguns dos animais, ou melhor, animenos, que são bichos tal qual os demais mas tendo bastante menos, que se passeiam neste criativo e delicioso "manual de bichos e bichissímos". As não menos criativas ilustrações de Pedro Proença tornam o livro, editado pela Caminho, um objecto irresistível para os mais pequenos.


Apresentados em verso, os Animais e Animemos e outros bichos mais pequenos (sim, podem ser minusculíssimos) são divertidos, hilariantes e únicos, pondo a criançada a gargalhar e a pedir mais e mais! 


Conhecer esta espécie de piolhos que vivem nos nossos miolos ou a macacança que pode rodopiar dentro de qualquer pessoa é algo que apaixona os leitores mais pequenos que, não só repetem os nomes vezes sem conta, como decidem,  eles próprios, dar largas à imaginação e inventar outras espécies de animenos.


Macacança? Trata-se de uma espécie especial de macaco, mesmo muito pequenino, mesclado de criança que, entre outras coisas, pode  desarrumar pensamentos e virar o mundo do avesso. Claro que há sempre aqueles que, tendo muito siso, vivem sem bicharada a mordiscar-lhes o juízo. Que tédio, dizemos nós! Soltem lá a macacança que há em vocês e, para além dos ANIMAIS, façam-se acompanhar também destes fantásticos ANIMENOS em férias!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Grandes Livros Para Gente Pequena


Um luxo! É o que nos apetece dizer sobre as últimos livros editados entre nós, destinados aos mais pequeninos. Parecem ter chegado todos ao mesmo tempo! Quase sem darmos conta,  em pouco mais de um mês, publicaram-se livros com a assinatura dos consagrados  Eric Carle  e Leo Lionni, da conceituada Beatrice Alemagna e da talentosa Madalena Moniz.
São tão fabulosos que até nos apetece voltar a ser pequeninos. Vamos abri-los? 

I. Boa viagem bebé!


Pequeno, cartonado, de cantos arredondados, com uma paleta de cores suave e suficientemente apelativa para os seus destinatários. Lá dentro, reconhecem-se fácil e imediatamente os objectos de todos os dias. Ou de todas as noites. Biberão, chucha, livro, roca, brinquedos vários... 


Uma alegoria à hora de ir para a cama e aos rituais que a precedem, aqui relatados em forma de preparativos para uma grande viagem. É o próprio viajante, ou melhor, o bebé, quem assume o protagonismo e nos vai revelando o que a mala deve conter. 


Os objectos que recolhe para o acompanharem são facilmente reconhecíveis pelos seus pares. Biberão, chupeta, o peixinho, o livro preferido...


A bem da rotina, a viagem inicia-se todas as noites à mesma hora. Numa atmosfera  tranquila e ternurenta, todos parecem conhecer de cor os seus papéis. Enquanto o nosso protagonista selecciona calmamente os pertences que o vão acompanhar na viagem,  ao papá compete a muda da fralda e vestir-lhe o superfato da viagem. Leia-se pijama!


À mamã compete assegurar o meio de transporte. O melhor do mundo, o colo! 


Depois das despedidas e do desejo de boa viagem,  é chegado o momento da mamã ligar o motor... A viagem ao mundo dos sonhos inicia-se agora. Também nós dizemos boa viagem bebé! 


Este é um livro com a assinatura da conceituada Beatrice Alemagna, recentemente editado pela Orfeu Negro.


Um livro que tem tudo para se tornar o preferido dos bebés na hora de viajar! E que nos delicia ainda com esse fantástico pormenor do bebé ter eleito como livro preferido o... Curiosos? Ah, também é um dos nossos preferidos! Descubram, descubram!
Aviso: Este bebé também tem o hábito de dormir nas Feiras do Livro.
II. Números e Cores 

Igualmente cartonados e com cantos arredondados, o tamanho reduzido adequa-se na perfeição às pequenas mãos dos seus leitores.  Números e Cores, de Leo Lionni, chegaram para se juntar aos outros títulos da série protagonizada por Frederico, a célebre personagem criada por Lionni,  que a Kalandraka vem editando. 


De 1 a 10, as crianças vão vendo surgir situações do dia a dia, com as quais se identificam facilmente:  brincadeiras, jogos, amizades... 


Em Cores, os familiares bichinhos vão aparecendo em tons diversos, sempre associados a objectos ou sensações que os mais pequenos reconhecem.


Sim, crescer com o autor de Pequeno Azul e Pequeno Amarelo é um luxo! Um luxo que todas as crianças deveriam experimentar! O bebé da Beatrice Alemagna não tem dúvidas a esse respeito...

1, 2, 3... contamos outra vez?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O sonho de Mateus

Mateus nasceu pobre. À semelhança de todos os pais, também os dele anseiam por um futuro melhor para o pequeno rato. Gostariam que fosse médico, garantia de que o queijo parmesão não lhes faltaria na mesa. Mas quando lhe perguntam o que quer ser quando for grande, Mateus só tem uma certeza, quer ver o mundo
Uma visita ao museu, com a escola, muda-lhe a vida. Mateus descobre que o mundo inteiro está ali, bem ao alcance dos seus olhos.
Uma visita partilhada pelos pequenos leitores que, juntamente com Mateus, podem usufruir de uma fabulosa lição de arte. De uma forma só ao alcance de alguns, dos génios, Leo Lionni conduz os visitantes do museu pela história da arte.
Ao retrato do Rei Rato IV e à deliciosa natureza morta iniciais, vão-se juntando outros   quadros, magníficos exemplares de correntes como o impressionismo, o cubismo ou o surrealismo...

                               

Não é pois, de espantar que, no decurso da visita, Mateus se apaixone. Pela arte e por Nicoleta, uma ratinha, também ela deslumbrada pela beleza de tudo o que os olhos enxergam.
Nessa noite, Mateus sonha que, na companhia de Nicoleta, se passeia num imenso e fantástico quadro. Ao som de uma música longínqua, as cores dançam em seu redor e ele sabe que quer ficar ali para sempre.

Quando desperta do sonho, Mateus continua a ter de enfrentar a dura realidade que é a sua vida, mas  já sabe o que quer ser! Alimentado pelo sonho, torna-se pintor. Um pintor famoso. O seu maior quadro, onde pinta os sóis e as luas que, no sonho, dançaram ao som da música longínqua, ocupa lugar no museu.  
                           
E porque sonhar não tem preço, também nós sonhamos que, um dia, todas as crianças possam crescer familiarizadas com a arte. E que saibam que através dela podem, livremente, transformar-se a si e ao mundo em que vivem.


Com recurso à técnica da colagem e a uma magnânima  componente pictórica que se destaca no fundo branco das páginas, Lionni conta-nos uma história que tem muito de si próprio. Também ele soube, em criança, que queria ser artista, tendo passado muito do seu tempo em museus.

                                     

Leo Lionni, de quem já falámos aqui, é, sem dúvida, um  dos nomes mais amados da literatura infantil. Este é um dos seus livros de que mais gostamos e que há muito   sonhávamos poder ler em português. Obrigada, Kalandraka!