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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Vivam as rentrées!

Que revigorantes podem ser os regressos! São muitas e fantásticas as novidades que já nos enchem a casa e nos estimulam a retomar as leituras de todos os dias com os mais novos. Razão para fazermos um périplo por algumas das nossas editoras e desvendar os livros com que decidiram presentear os seus leitores. 


Começamos pela Orfeu Negro,  destacando algumas das muitas novidades. Nina é o sexto livro em português de Benji Davies, o conhecido autor de A Baleia, O Regresso da Baleia, A Ilha do Avô, O Pássaro da Avó e Olharapo. Da famosa dupla Davide Cali e Benjamin Chaud chega  A Minha Incrível Escola, que promete continuar a dilatar a imaginação de miúdos e graúdos. Javier Sáez Castán e Manuel Marsol convidam-nos para uma visita ao MVSEVM, um extraordinário e muito especial museu. Depois de Quadrado e Triângulo, chega o Círculo, de Jon Klassen e Mac Barnett. Este último regressa também acompanhado por Isabelle Arsenault com o livro Mas Porquê?


Mas Porquê é a nossa escolha de hoje. Barnett já se tornou um nome incontornável da literatura para a infância. Entre nós, conhecemo-lo, sobretudo, da parceria que mantém com Klassen (Quadrado, Triângulo, CirculoO Lobo, o Pato e o Rato, Uma Aventura Debaixo da Terra).  Mas, a chegada de um livro ilustrado pela canadiana Isabelle Arsenault, enche-nos de alegria! Há muito que seguimos o seu trabalho e somos verdadeiros devoradores dos seus livros. Virginia Wolf, de que falámos aqui, Cloth Lullaby, the woven life of Louise Bourgeois, Migrant e tantos outros têm lugar cativo nos Hipopómatos.


Arsenault já fez uma pequena incursão  por cá, quando, em 2012, a OQO publicou A Caixa das Recordações, com ilustrações suas e texto de Anna Castagnoli.  Sete anos volvidos, voltamos a ter um livro seu, esperando que outros se sigam.


Todos conhecemos o célebre "mas porquê ?" e sabemos bem como a curiosidade das crianças pode ser algo sem fim à vista. Se a transportarmos para a hora de dormir, em que todos os pretextos são bons para retardar o fechar de olhos, podemos ter de enfrentar verdadeiros desafios. É o que se passa com o pai desta deliciosa e divertida história. 


Estaremos nós preparados para responder a tantas questões? - é algo que passa frequentemente na cabeça dos adultos. 
O que é a chuva? O que é que aconteceu aos dinossauros? Porque é que as folhas mudam de cor? São algumas das questões que a menina da história coloca ao pai. A genial  criatividade das respostas acaba por surpreender e encantar miúdos e graúdos. Inspirem-se, pais!


As perguntas surgem em destaque, na página esquerda, em círculos de cores apostos em fundo preto. Na página da direita, assistimos ao que se vai passando no quarto, com a criança já envolta na atmosfera para dormir, transmitida ao leitor pelo uso dos tons escuros.
Mas parece haver sempre mais um "teimoso porquê". As respostas do pai surgem nas duplas página seguintes, onde Arsenault espraia sem limites a genialidade do seu traço aliada a uma criteriosa selecção de cores, obtendo um magistral resultado.


Um livro estruturado de forma inteligente e divertida, que se revela um instrumento precioso na hora de ir para a cama. Para os mais pequenos e para os adultos que experienciam diariamente estes gigantescos desafios.
Porque é que temos de dormir? Sejam curiosos e vão lá descobrir a desconcertante resposta! 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O Lobo, O Pato & O Rato. Regresso ao Quadrado.


Mac Barnett e Jon Klassen estão de volta. Pela mão da Orfeu Negro,  a dupla de Uma Aventura Debaixo da Terra e de Triângulo regressa, agora, ao Quadrado


Geometricamente falando, este é o segundo livro. Do primeiro, Triângulo, falámos aqui. Na altura, a propósito de Klassen, relembrámos o que tínhamos escrito em 2013:  Enquanto ilustrador, Klassen é portador de um estilo inconfundível. Minimalistas, as suas ilustrações parecem conter apenas o essencial para nos encantar e deixar incondicionalmente à espera do próximo livro. A utilização de uma paleta de cores, onde predominam, em regra, os tons terra, sépia e negro é outra das suas características. Mas é, sobretudo, o humor desconcertante que quase sempre expressa nas suas ilustrações, que encanta pequenos e grandes leitores. 
Hoje, voltamos a dizer que os mais pequenos têm razões para sorrir.


O Quadrado é já nosso conhecido. As crianças não terão esquecido o susto causado pelas  partidas que o brincalhão do Triângulo lhe pregou. Desta feita, temos oportunidade de o conhecer um pouco melhor e ficamos a saber que ocupa o tempo na sua gruta secreta, tirando blocos de pedra que  empurra até ao topo da colina. Depois, empilha-os, obtendo verdadeiras obras de arte. Um trabalho maravilhoso que não passa despercebido à sua amiga Círculo.


O Quadrado não sabe sequer o que é um escultor, mas a sua amiga acha que é isso que ele é. Mais,  conhece-lhe as aptidões e considera-o nada mais nada menos que um génio. Por isso, encomenda-lhe um trabalho específico.  Mais uma vez, o Quadrado está em apuros. De natureza diferente, é certo. A  verdade é que não se sente capaz de executar o trabalho que a amiga Círculo lhe pede, duvidando de si mesmo e vendo a perfeição, que sempre almeja, longe do seu horizonte.


Sem querer antecipar o resultado final, sempre diremos: espectacular! Sim, concordamos com a Círculo. Este Quadrado é um génio. Vão de férias? Levem-no que ele pode ser uma ajuda preciosa! Os miúdos agradecem.

O Lobo, O Pato & O Rato. 
 Uma história pronta a ser devorada, mesmo em férias



Um dia, pela manhã, um rato encontrou um lobo e foi logo engolido. 

Mau, mau! Isto mais parece o final do que o começo da história. Bom, depois de séculos de histórias, se há algo que já aprendemos é que quando metem lobos são sempre imprevisíveis. Esta não foge à regra. Neste caso,  até a pequena criatura foi surpreendida depois de já ter previsto o próprio fim. Por isso, se estão à espera de fazer o percurso pelas tripas da fera, esqueçam lá isso.
Para seu (e nosso) enorme espanto, o que o rato encontra é uma barriga esmeradamente limpa, organizada a rigor e com uma decoração invejável. O responsável? Um pato bon vivant, amante de alta cozinha, de bom vinho e de música. Antes que perguntem: sim, é morador! 


Ainda mal refeito do espanto e já apaparicado com um belo pequeno almoço de boas vindas, o rato não aguentou de tanta curiosidade.  Cama, mesa, toalha, compota???
- Nem imaginas as coisas que se encontram na barriga de um lobo.
Nem ele, nem nós, leitores.


Klassen é igual a si próprio, com o estilo a que já nos habitou. Minimalista, com uma paleta de cores que já nos é familiar e sobretudo com esses olhos que possuem todas as suas personagens...
Os detalhes são maravilhosamente hilariantes. Placa de fogão topo de gama, um fantástico conjunto de facas, lps, aparelhagem... O rato estava rendido.
Claro que nem tudo é perfeito.  Ter uma ou duas janelas dava jeito. Mas depois de o pato esclarecer que tinha sido engolido mas não pretendia ser comido,  estava mais do que decidido.


O argumento final, esse foi de peso. Esta vida era muito melhor e mais despreocupada do que  a que tinha lá em cima, sempre com medo de ser engolido por um lobo. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. O rato decidiu ficar e festejaram a preceito. 


A música e a dança provocaram um tal tumulto que o pobre lobo  quase morria de dores de estômago. O pato não se fez rogado, tinha a cura para as dores da fera, um remédio antigo indicado para acalmar as dores: um pedaço de bom queijo. E um jarro de vinho! E umas velas de cera de abelha. O jantar foi um luxo e o brinde, claro, foi à saúde do lobo!


O único senão foi que o remédio não surtiu qualquer efeito... e os gemidos do lobo acabaram por captar a atenção de um caçador que passava por perto. Mau, mau! Até o pato previu o fim. 
Mas o rato manteve o firme propósito de defender a casa. Afinal de contas, não seria justo, ainda agora comemorava a decisão de ali morar... A coragem, a determinação e a solidariedade foram grandes e o caçador acabou por fugir a sete pés.


Nesta fábula bem moderna, com um final de fazer inveja a Esopo, tudo acaba bem! Mais do que bem... Ao que parece, a dança passou a ser uma constante da vida naquela casa e o senhorio ainda hoje continua a uivar para a lua! Não deixem de dar um pulo até lá!

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Triângulo


A chegada de mais um livro da dupla Jon Klassen/Mac Barnett é sempre motivo para festejar. Desta parceria frutuosa, temos, entre nós, Uma Aventura Debaixo da Terra, também editado pela Orfeu Negro. Destinado ao público mais pequeno, chega agora Triângulo.




Um dia, o triângulo, que vivia numa casa triangular, decidiu ir pregar uma valente partida ao quadrado. Para chegar a casa deste, o triângulo teve de atravessar uma floresta povoada de triângulos pequenos, médios e grandes.  Depois deles, o triângulo passou ainda pela parte da floresta em que as formas já não eram triângulos, eram formas sem nome, até chegar, finalmente, ao território dos quadrados. Grandes, médios, pequenos...



Conhecedor do pavor que o quadrado nutre por cobras, o triângulo chega a casa deste determinado a pregar-lhe um valente susto. E podemos garantir que a tarefa que se propunha foi coroada de êxito. 


Em Dezembro de 2013, escrevíamos aqui que Klassen era um dos autores que muito gostaríamos de ver traduzido entre nós. Quatro anos volvidos, graças à Orfeu Negro, são  já vários os livros conhecidos em Portugal. trilogia dos chapéus (Este Chapéu não é MeuQuero o meu Chapéu e Achámos um Chapéu),  O Escuro, Uma Aventura Debaixo da Terra
Enquanto ilustrador, Klassen é portador de um estilo inconfundível. Minimalistas, as suas ilustrações parecem conter apenas o essencial para nos encantar e deixar incondicionalmente à espera do próximo livro. A utilização de uma paleta de cores, onde predominam, em regra, os tons terra, sépia e negro é outra das suas características. Mas é, sobretudo, o humor desconcertante que quase sempre expressa nas suas ilustrações, que  encanta pequenos e grandes leitores.


Triângulo não foge à regra. À semelhança de outros livros desta dupla, como Uma Aventura Debaixo da Terra e Extra Yarn,  há uma notável cadência entre texto e imagens. Com uma estrutura repetitiva e invertida, ao texto aparentemente simples juntam-se os jogos de sombras, os planos, as formas... que ora são montanhas que apetece escalar, ora são, com pernas estreitas e olhos grandes, personagens hilariantes.


Não pensem que o triângulo ficou sem resposta. Passado o susto, o quadrado decidiu percorrer o caminho inverso, até casa do triângulo. Quadrados grandes, médios, pequenos... A vingança serve-se fria! E o quadrado acaba por descobrir que o triângulo tem pânico do escuro. Ou já saberia?
Triangulem, triangulem! A criançada vai adorar.