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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Bruxinha Avelã, Um Ano na Floresta



A Bruxinha Avelã, Um Ano na Floresta | Phoebe Wahl | Fábula

Nestes dias trágicos que estamos a viver, todos gostaríamos de ter por perto uma bruxinha como esta. Longe da figura estereotipada das bruxas, Avelã apresenta uma pequena e robusta estatura. Do alto das suas tranças compridas, exibe uma aparência simples e até despreocupada quando nos revela as pernas cheias de pêlos. Quando a conhecemos, ficamos a saber que é generosa, determinada e corajosa. Vive para ajudar os outros e não há um único habitante na sua esplendorosa floresta que não possa contar com ela.
























A floresta não parece ter segredos para esta guerreira.  Desde a sua acolhedora casa, construída num tronco de árvore, percorre qualquer distância para ajudar quem dela precise. Avelã é parteira, curandeira, conselheira... é pau para toda a obra. Tanto a vemos em casa dos Esquilos a tratar da dor de dentes de um dos pequenotes, como a tirar um espinho da pata de uma toupeira ou junto à família dos Coelhos a pesar os recém-nascidos.
























Whal estruturou o livro em quatro histórias, uma para cada estação do ano. Na primavera, Avelã resgata um ovo de coruja órfão e acolhe-o em sua casa até a pequena criatura, de seu nome Óscar, ter condições de se mudar para o seu habitat. No outono, socorre um troll solitário e assustado, ajudando-o a integrar-se na comunidade. O leitor é, assim, convidado a passar um ano na floresta, acompanhando o dia a dia da comunidade e deslumbrando-nos com os cantos e recantos de um cenário encantador. A loja da aldeia, a sapateira, os correios, a biblioteca pública do verde-musgo, a terra das fadas, o lago são alguns dos lugares maravilhosos que fazem com que, independentemente da idade, todos queiramos permanecer na magnífica floresta. 




 

































aqui falámos do quanto gostamos do trabalho de Wahl e da coerência de que os seus livros sempre se revestem. Neste, os tons terra, os verdes, os laranja avermelhados harmonizam-se exaltando a beleza da natureza. Os habitantes espelham a diversidade de uma comunidade a que gostaríamos de pertencer. Gnomos, fadas, dríades coabitam com toda a espécie de animais, na sua maioria humanizados. Várias cores de pele reflectem que aqui há lugar para todos. Os detalhes transportam-nos para a vida real. Tanto encontramos um gnomo em cadeira de rodas como um pai de avental florido e biberão na mão, exausto de cuidar dos filhotes. Há uma parafernália de pormenores que exemplifica, em simultâneo, a rotina de cada um e o espírito da vida em comunidade. Por todo o lado, há apontamentos deliciosos e cheios de humor, como os óculos das manas toupeiras.









































Avelã é destemida e não mede esforços quando se trata de prestar auxílio. E se for ela a precisar, existirá alguém pronto a socorrê-la? Será o seu esforço reconhecido e retribuído? Esta é a altura do leitor se embrenhar na floresta e descobrir. 







































Um livro que é uma bonita ode à natureza, à amizade e ao espírito de entreajuda, cada vez mais necessário. Só boas razões para admirar esta bruxinha que, ainda por cima, é leitora!

"Com mil cogumelos", todos deviam conhecer e ter por perto uma Avelã! Vivam as Avelãs!



terça-feira, 4 de novembro de 2025

Lembras-te?

 























Lembras-te? | Sydney Smith | Fábula


O presente entrelaça-se, de forma bela e poética, com as preciosas memórias de um passado não muito longínquo.  Um tempo que se revela feliz é agora lembrado por mãe e filho que parecem alicerçar nele a força para  viver o presente e construir o futuro. 








































Num cenário envolto em tons escuros, vários planos dos rostos, das mãos e dos pés mostram os dois protagonistas deitados, num aconchego feito de proximidade, recordando nostalgicamente o que ficou para trás. É através da evocação dessas memórias que o leitor fica a conhecer melhor a vida que já tiveram. O lugar onde viviam, o tempo passado em família com o pai e o avô, pequenos grandes momentos reveladores do afecto e do amor que preenchiam os seus dias. Uma história de vida contada a partir da dicotomia passado e presente.








































A pergunta que dá título ao livro está presente a cada dupla página, situando o leitor no momento presente e partilhando com ele as recordações de mãe e filho. As falas de ambos são assinaladas por cores diferentes, permitindo-nos identificar quem lembra o quê.
Os tons escuros que pintam  os silêncios e a nostalgia das memórias,  contrastam com as cores usadas nas vinhetas que ilustram, sequencialmente, alguns momentos do passado: dias de piquenique, de aniversário,  a primeira bicicleta e a primeira queda, a casa do avô... 








































Depois do incrível Ser Pequeno na Cidade, o seu livro estreia a solo, o autor volta a deslumbrar-nos com um livro onde o peso da partida e da separação se debate com a esperança de novos recomeços. Afinal, uma temática que é, hoje, coisa de todos os dias. O estilo de Smith, já aqui o dissemos, é indissociável do seu gosto pelas vinhetas, pelos quadros em que distende sequencialmente as suas histórias, pelas manchas de toque impressionista, mas sempre fornecendo ao leitor retratos fiéis da realidade. Este livro, dedicado à sua mãe, não é excepção. 








































Não sabemos as razões que motivaram a partida, que deixaram o pai e o avô para trás, mas intuímos a força que os dois precisam para enfrentar tamanha mudança. No final, o rapaz mostra-se confiante, dando ao leitor uma informação adicional: aqui não têm que estar preocupados ou assustados. Como que por magia, o sol nasce sobre a casa nova e o cheiro da padaria do outro lado da rua mistura-se com a certeza de que no novo caminho tudo vai correr bem. Os momentos de agora transformar-se-ão, também eles, em preciosas e alegres memórias. 
Uma já existe. A viagem que os trouxe até aqui.  À cidade onde se perderam, acabando guiados pelo ursinho de peluche que o pai lhe tinha dado. Lembras-te?

sexta-feira, 28 de março de 2025

A Maré

 




A Maré | Clare Helen Welsh e Ashling Lindsay | Nuvem de Letras


A praia é o cenário escolhido para a pequena narradora nos falar do avô, o rei dos castelos na areia e das conchas. As revelações surgem, logo no início do livro, contadas com a naturalidade de uma criança.   Às vezes, o avô esquece-se de algumas coisas.























A neta manifesta as suas preocupações pelas coisas esquisitas que, por vezes, o avô faz. Há momentos em que fica baralhado, se esquece das coisas, se confunde. Os diálogos entre a mãe, sempre presente, e a pequena narradora evidenciam a partilha dessas preocupações e o amor que têm pelo avô. Apesar das preocupações manifestadas, o avô conta com toda a sua compreensão. Ela sabe como é difícil esquecer as coisas. Não há muito tempo que necessitou da ajuda da professora por se ter esquecido de como se apertam os sapatos. 























Por gostar muito muito do avô, as preocupações aumentam  sempre que o vê fazer algumas coisas bizarras, como enterrar as sanduíches na areia. Mas não esquece que também ela, em tempos, enterrou o seu urso polar  e necessitou da ajuda da mãe para o encontrar. Entende o avô, sabe como deve ser difícil  não nos lembrarmos das coisas. A mãe relembra-lhe amiúde o quanto o avô a ama. Ela sabe disso, mas assusta-a a ideia de o avô se esquecer dela. A ideia é tão assustadora que não perde a oportunidade de lhe dar um beijo gigante.


A comparação que sempre estabelece entre as acções mais estranhas do avô e algumas situações que ela própria já vivenciou, evidenciam ao leitor que o amor que sente pelo avô em nada se altera. A preocupação reveste-se de compreensão e de uma atenção cuidada. De mãos dadas, observam a maré a subir.





















A mãe diz que as memórias do avô são como a maré. Às vezes,  estão mesmo aqui ao pé e cheias de vida. Outras, estão muito, muito longe e adormecidas. Percebemos a escolha da metáfora utilizada entre a maré e a memória do avô. Afinal, a ida à praia não é ao acaso.























As magníficas ilustrações de Lindsay vão exibindo as cumplicidades, os abraços, o afecto, o olhar atento da mãe... com a mesma naturalidade com que exibem o esplendor da praia e a diversidade étnica que rodeia as três personagens. Atentas aos pequenos detalhes, mostram um avô que, ainda que por vezes se esqueça das coisas, continua a fazer castelos na areia com a neta, a trazê-la às cavalitas, a dar-lhe a mão para, juntos, verem a maré subir, a comer gelados e a regressar ao aconchego da casa e da família. Uma abordagem singular e bela de um tema nada fácil para os mais pequenos.


terça-feira, 28 de janeiro de 2025

O Jardim da Minha Avó

 













O Jardim da Minha Avó | Jordan Scott e Sydney Smith | Fábula


Eu Falo Como Um Rio, de que falámos aquimarcou a primeira incursão de Jordan Scott pelo universo da literatura para os mais novos. E marcou, também, os seus leitores. Neste segundo livro, o poeta canadiano regressa ao registo autobiográfico e às memórias da infância, evocando os dias passados na companhia da avó e a ligação única que mantinham. As ilustrações voltam a ficar por conta de Smith que, por entre aguarelas e guaches, manchas e os habituais traços impressionistas, nos mostra, de forma ímpar, o amor e os laços que unem estes dois seres. O resultado é mais uma deslumbrante e preciosa história que os leitores agradecem.






















No inicio do livro, um texto simples e poético relata-nos a história que vamos ver distendida ao longo das páginas. Ficamos a saber que a avó nasceu na Polónia e que, juntamente com a família, sofreu muito durante a Segunda Guerra Mundial. Que no pós-guerra emigrara  para o Canadá, passando a morar num antigo galinheiro atrás de um moinho de enxofre junto à auto-estrada. Intuímos a dureza da vida desta mulher que mal falava inglês. A comunicação entre o pequeno e a sua Baba era, sobretudo, feita de gestos, toques e risos. 






















O texto introdutório não inibe o leitor de se surpreender e envolver no amor que liga avó e neto. É uma leitura feita de pausas e de silêncios. A primeira imagem da Baba é marcante. Uma figura frágil e curvada contrasta com os raios de sol que a iluminam e com a força que intuímos nas pessoas a quem a vida raramente sorri. A indumentária simples revela alguém que passou ao lado das coisas supérfluas da vida.
















As rotinas são elencadas. Todas as manhãs, o pai deixa-o em casa da avó, percorrendo uma estrada onde as montanhas se assemelham a barrigas de baleias. A cozinha é o ponto de encontro. É lá que está a sua Baba murmurando baixinho como uma noite povoada de insectos, enquanto lhe prepara o pequeno-almoço. Este é sempre igual, mas numa tigela tão grande e farta que o rapaz podia perder-se lá dentro. A casa está, invariavelmente, a abarrotar de comida. Vem tudo da horta do jardim que a avó cultiva. Há frascos de picles na casa de banho, alhos pendurados no chuveiro, beterrabas na sapateira, tomates na varanda, cenouras na cadeira de baloiço, maçãs aos pés da cama.  A explicação chega pela boca da mãe do rapaz. Tudo se deve ao facto de a avó ter passado muita fome. Porque a comida escasseia quando os homens fazem a guerra.





















O rapaz come e a avó observa-o. Se ele deixa cair algum bocadinho de comida, ela apanha-o, dá-lhe um beijo e volta a colocá-lo no prato. Só os que já passaram muita fome conhecem o verdadeiro significado do desperdício. Falam pouco, claro.  A avó aponta, ele acena. Ela toca-lhe, evidenciando toda a ternura que um gesto pode conter. Sorriem. Afinal, o amor não precisa de palavras para se manifestar. 

No caminho para a escola, sobretudo em dias de chuva, o percurso faz-se vagarosamente. É o tempo de a avó procurar minhocas. No bolso tem sempre um frasco de vidro cheio de terra onde guarda as que encontra. É um ritual que ambos respeitam. Ajoelhada  na terra, é aí que espalha as minhocas e as cobre de terra. No dia em que lhe pergunta porque faz aquilo, ela molha o dedo na chuva e percorre-lhe as linhas da mão. 






















O ritual manteve-se até ao dia em que a avó deixou a sua casa-galinheiro e foi viver com eles. No mesmo sítio há agora um prédio enorme e a horta do jardim, onde havia tanto para cheirar e para comer, transformou-se numa selva. O tempo é outro. Tudo se inverte. Agora é o pai quem o leva à escola. É ele quem leva o pequeno-almoço à avó. Quem beija os bocadinhos de comida que ela, por vezes, deixa cair. Uma sucessão de imagens, sem palavras, espelham como todo o amor recebido é agora devolvido pelo neto. Um amor alicerçado em silêncios e cumplicidades. Sem barreiras de qualquer espécie.

Continua a saber o que faz a sua Baba feliz e semeia um tomateiro num pequeno vaso que coloca na janela do quarto dela. Duvida se será bem sucedido,  se algo nascerá dali. Mas quando ela lhe passa os dedos pelas linhas da mão, lembra-se. Está a chover. Vai para a rua e apanha todas as minhocas que encontra. 






















Scott confessa que ainda hoje o faz. Os seus filhos também.  Sabe que o que avó lhe ensinou é que, ao cavarem a terra, as minhocas ajudam a aumentar a água e o ar que penetram no solo e fornecem nutrientes. Sem filtros, esta é uma sublime ode ao amor entre avós e netos. Em tempo de guerra, este é um livro que diz muito sobre as vidas que ela maltrata. Lembrando-nos o pouco que os homens aprendem com os erros do passado.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O Que Nos Torna Humanos. Livros que folhearam 2024
























O que nos torna humanos | Victor D. O. Santos e Anna Forlati | Fábula


Poucos saberão que vivemos a "Década Internacional das Línguas Indígenas", declarada pela ONU em 2022 com o propósito de preservar, revitalizar e divulgar as línguas indígenas, muitas das quais correm o risco de desaparecer. Este livro, traduzido em mais de 20 línguas e adoptado como livro oficial da Década Internacional das Línguas Indígenas pela UNESCO, é uma preciosa homenagem à língua e a todos os povos que a criaram. Um valioso testemunho artístico do que podemos considerar as " raízes da humanidade".  























Celebrando a língua em todas as suas vertentes, este é um livro lugar que, rapidamente, se transforma em ponto de encontro para leitores de todas as idades. As frases curtas e poéticas lançam o enigma. O diálogo direto com o leitor, nesta espécie de "adivinha quem eu sou", confere-lhe a intensidade necessária para nos envolver avidamente na descoberta do mistério. Uma avidez só refreada pela soberba beleza das ilustrações, que nos faz parar a cada dupla página para olhar demoradamente e reflectir.






















A cada página somos desafiados para a descoberta do enigma, mas também ficamos a saber um pouco mais de quem se vai apresentando, falando diretamente com e para o leitor. Talvez este não descodifique o enigma sozinho. Mas isso não lhe retira o prazer da leitura, do jogo que ambos já iniciaram. A revelação chega no final do livro. Num lugar onde sentimos que todos pertencemos.



Numa nota final aos leitores, os autores dizem-nos que das cerca de 7164 línguas vivas actualmente, se estima que, pelo menos metade se extinga até ao ano de 2100. E quando uma língua morre, também uma cultura pode morrer com ela. 

A dupla de autores  já se estreara a trabalhar em conjunto com My Dad, My Rock, um livro que gostaríamos muito de ver por cá. Aqui volta a encontrar-se, presenteando-nos com um livro que é, simultaneamente, casa e abrigo para todos os que acreditam que a união em torno da diversidade é a nossa grande riqueza  e o que os torna mais fortes. Forlati escolheu pintar a poesia das palavras de Santos com uma paleta onde parece verter toda a nostalgia do tempo em que tudo começou. Os tons terra ou tons raízes predominam e a beleza de cada dupla página passa-nos à frente de forma estonteante, fazendo-nos querer apanhar boleia.  E, de alguma forma, contribuir para a preservação de tamanho património.


















De Forlati já tínhamos falado aqui, a propósito desse livro incrível que é  Le Renard et L'Aviateur. Dissemos como nos impressiona a beleza extraordinária de que sempre se reveste o seu trabalho, o seu traço realista e de como as suas cores e formas abraçam e envolvem poeticamente os textos. Aqui não é excepção, dando o seu contributo para um livro único e marcante, onde o leitor vai querer habitar algum tempo. Uma das nossas escolhas em 2024.



sexta-feira, 18 de outubro de 2024

A Colher



 























A Colher | Sandra Siemens e Bea Lozano | Fábula


Há pequenos objectos que transportam consigo histórias enormes. Alguns atravessam gerações. Se falassem seriam capazes de contar histórias intermináveis de vida, de afectos, de perdas. É esse o caso da colher que empresta o nome a este livro. 
























Um inicio algo enigmático prende-nos às primeiras páginas do livro. Quando a jovem narradora põe a mesa, reservando para si aquela colher, a voz da mãe faz-se ouvir: "Essa colher não". Segue-se um pequeno elenco dos usos que não lhe podem ser dados, e é ele que leva o leitor a aferir a importância da colher.

- "Essa colher não é para comer sopa", acrescenta a mãe.  

- "Essa colher não é para cavar buracos", esclarece a avó, num momento em que a pequena se atreve a fazê-lo. 

- "Essa colher não é para tocar música", diz o pai, ainda que ela sinta que nenhuma outra colher consegue emitir aquele som.























Acompanhamos a jovem nas suas interrogações. Afinal, porque está a colher na gaveta, juntamente com todas as outras,  se não pode ser usada? E qual a sua proveniência? Um simples virar de página é suficiente para nos esclarecer. A colher fez parte de um conjunto dado como prenda de casamento à sua bisavó. Num tempo em que foi forçada a fugir da guerra, esta foi a  única coisa que conseguiu salvar e trazer com ela. Talvez por isso, para os mais velhos, mais importante do que o lugar fisico que lhe está reservado, seja  vê-la todos os dias. Uma forma de ter presente o lugar, os tempo e as pessoas para junto de quem ela os transporta. Mais do que uma gaveta, há por ali um baú de memórias.























As magníficas ilustrações de Lozano espraiam-se, algo minimalistas, pelo fundo branco das páginas. Com uma paleta em tons amenos, somos levados a sentir-nos em casa, admirando a partilha daquele objecto tão emblemático para quem ali vive.
























A colher foi mudando de dona, mas nunca abandonou a família. Da bisavó passou para a avó e é agora da mãe. Um dia será pertença da nossa jovem.  Mas ela ainda não sabe se quer ser dona de uma colher que não pode ser usada para comer sopa, ou para cavar buracos, ou para tocar música. Não tem dúvidas que, em tempos,  a sua bisavó fez tudo isso. Tal como ela deixará , um dia, a sua filha fazer. Será?
























Quanto a nós, leitores, não conseguimos deixar de pensar nas colheres únicas que todos aqueles que, hoje, deixam a guerra para trás transportam consigo. Ou não.