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sábado, 11 de dezembro de 2021

Podia Ser Pior




10. Podia Ser Pior | Einat Tsarfati | Fábula

Depois do êxito de Os Vizinhos, de que falámos aqui, a autora israelita está de volta com uma história sobre a forma como podemos encarar o mundo. Numa narrativa predominantemente visual, Tsarfati conta-nos a história de Alberto e Jorge, dois marinheiros que vivem  uma série de mirabolantes peripécias em pleno mar, sobrevivendo a um naufrágio.



Podia ser pior, é a frase que Jorge repete a cada nova dificuldade por contraposição ao pessimismo militante  de Alberto perante tudo o que lhes vai sucedendo. Uma história divertida e hilariante, onde não faltam animais assustadores, coisas nojentas, barcos-fantasma... e até uma baleia com uma genial barriga, onde o Pinóquio parece coabitar com a toda a espécie de tesouros. 




Com uma paleta de cores alegre e apelativa, uma parafernália de detalhes e elementos intertextuais, esta é uma história que tem tanto de absurdo como de encantador, suscitando o reiterado pedido de outra vez por parte dos mais pequenos.



Num registo divertido, que parece ser marca da autora, os mais pequenos encontram aqui  duas visões possíveis sobre os contratempos que a vida nos pode reservar. Pessimistas ou otimistas, vale a pena entrar nas profundezas deste mar e chegar a terra na companhia  desta tripulação.


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Os Vizinhos. Regressamos em boa companhia.



Boa vizinhança é o que todos queremos, ainda mais no contexto atual. As distâncias são para manter, os beijos e os abraços são para evitar, mas a verdade é que vivemos cada vez mais perto uns dos outros. Se é certo que não andamos por aí a entrar em casa uns dos outros, nada impede que, por vezes, até tentemos imaginar como vivem aqueles com que nos cruzamos diariamente. Isso é o que faz, de forma invejável, a protagonista desta história de autoria da israelita Einat Tsarfati, editada entre nós pela Fábula.


A pequena vive num prédio de sete andares, habitando o último. Enquanto sobe a escadaria, vai mostrando as portas, todas elas diferenciadas por alguns elementos que lhe alimentam a imaginação e a fazem adivinhar a vida para lá delas. É uma visita guiada que deleita pequenos e grandes leitores.


Os pormenores que lhe alimentam a curiosidade e a imaginação são tão fabulosos quanto surpreendentes. Cheiros, sons, pegadas de lama, "montes de fechaduras"... levam a pequena a adivinhar o que se passa no interior de cada habitação. O que o leitor espreita a cada andar é um festim para os olhos e para os sentidos. À medida que entramos e saímos de cada casa, vamos desejando que o prédio tenha o dobro dos andares.


A imaginação da nossa protagonista não tem limites e encontra-lhe uma extraordinária e peculiar vizinhança. Gatunos, caçadores, acrobatas, vampiros, piratas... Este é um prédio onde todos queremos morar! A correspondência que ela estabelece entre os detalhe das portas e a vida para lá delas é hilariante e contagia-nos ao ponto de tentar adivinhar, também, quem vive nos andares seguintes. Mas, dificilmente, o leitor conseguirá acompanhar a sua prodigiosa capacidade de adivinhação.


A porta com "montes de fechaduras" é a morada de uma exuberante família de gatunos, as pegadas de lama antecedem a casa de um velho caçador e do seu tigre de estimação...Para cada um, Tsarfati pinta e recria um maravilhoso mundo rico em detalhes e assente numa parafernália de objectos e cores. Num registo que nos lembra o trabalho de Benjamin Chaud e onde andar à procura de Wally não seria hipótese descabida, o humor existe em quantidade avultada.


Mas é no sexto andar, a um lance de escadas da sua casa, que a pequena sempre se demora mais. Fica a ouvir o som de "música muito fixe". É lá que os leitores conhecem uma admirável família de músicos que festeja os anos de alguém pelo menos uma vez por semana. 


Então e a casa dela? Perguntarão vocês, agora que chegámos ao sétimo andar. Aparentemente, trata-se de uma casa "normal". E até parece que,  contrastando com tão ilustre vizinhança, os pais "são uma grande seca". Será? 
Vão até lá com as crianças, surpreendam-se e divirtam-se em casa destes vizinhos de alto gabarito. Este é um livro onde não vão querer deixar de entrar. De abrir todas as portas. Muitas vezes.