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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Três Grandes Perguntas
























Três Grandes Perguntas - (Toda) a Ciência em três grandes perguntas | Philip BallBernardo P. Carvalho | Planeta Tangerina



Pode ser um livro feito a pensar nos mais jovens, mas apaixona leitores de todas as idades. É uma espécie de Tratado de Clareza sobre a Ciência. Mas também podia ser um Manifesto, de apurado sentido crítico, sobre a forma como ela continua a ser ensinada nas escolas. Hoje, como há centenas de anos, a Ciência continua a ser um bicho de muitas cabeças. Sobretudo, para os jovens.



























Philip Ball é formado em Física e em Química. É, também, escritor e apresentador. Durante mais de vinte anos foi editor da revista Nature. Dono de uma obra já premiada, foi enquanto pai que sentiu necessidade de transmitir de forma mais concisa a essência da Ciência às suas filhas. Levá-las a pensar, de forma construtiva, sobre a maioria dos conteúdos de Ciência que encontram nos currículos escolares e na vida.

É disso que se trata. Da importância de poder e de saber pensar sobre as coisas. De fazer as perguntas certas no caminho que conduz à obtenção das respostas e dos resultados. Precisamos que nos ensinem a pensar e não a papaguear números e factos que já esquecemos no dia seguinte. Um trabalho que é tão necessário fazer quanto encontrar as pessoas certas para o levar a cabo. 



























Mel é a jovem protagonista a quem tudo vai sendo transmitido. Coadjuvado por três personagens cientistas, o autor transporta-a numa magnífica viagem pelo mundo da Ciência. A ela e aos leitores, provocando-nos o interesse, despertando-nos a curiosidade, levando-nos a querer vestir a bata branca e, acima de tudo, a adquirir conhecimentos com grande naturalidade. 

Uma viagem proporcionada a meias com Bernardo P. Carvalho, que assina as ilustrações com a sustentável leveza do seu traço, inundando-nos os olhos de cores enquanto harmoniza na perfeição os seus desenhos com as palavras de Ball.

















Mas a maior descoberta que os jovens leitores podem fazer é que este é um percurso onde a imaginação é mais importante que o conhecimento. Quem o disse foi o grande e insuspeito Albert Einstein.

No prefácio que assina, Joana Gonçalves de Sá confessa-se fascinada pelo livro e aponta como uma das razões, o facto de ser

(...) um livro que está sempre a repetir que, em Ciência, o que importa são as perguntas. Isto é raro, porque a maioria dos livros de ciências está absolutamente cheia de respostas e de certezas. Aliás, parece que as escolas existem para nos ensinar que respostas dar nos testes e o que escrever nos relatórios, mas a vida de cientista é estar sempre a tentar perceber o "que" e "como" perguntar (...).

Não podíamos estar mais de acordo. Tanto no fascínio, como nas observações. E apetece-nos voltar a Einstein e às citações que o livro nos fornece: o valor da educação escolar, não é a aprendizagem de muitos factos, mas sim treinar a mente para pensar. 

Porque continuará a ser tão difícil levar isso à prática nas escolas?



























De que serve andar com um número na cabeça (como a velocidade do som) quando se pode ir buscá-lo sempre que é preciso?


A pergunta terá sido formulada por Einstein. Mas, seguramente, foi pensada por milhões de pessoas de todas as gerações sempre que instados, diariamente, a "fixar" para debitar números e mais números, factos e mais factos. Afinal, como diz Ball, os melhores e as melhores cientistas não são os que sabem todas as respostas, mas os que pensam nas melhores perguntas. Essa é a essência da Ciência. E é, também, o que torna este livro essencial. Para jovens e não só. Para os que gostam da Ciência e para os que pensam não gostar.


sexta-feira, 19 de abril de 2024

O Ponto Em Que Estamos

 













O Ponto Em Que Estamos | Isabel Minhós Martins e Bernardo P. Carvalho | Planeta Tangerina


A dupla é de peso e o livro também. Aqui é tudo grande. Desde as coisas existentes na natureza às atrocidades cometidas pelos homens. A realidade é dura e o desafio que enfrentamos consiste em saber a velocidade e a proporção com que uns se irão sobrepor aos outros. Há por aqui um grito de alerta. De um planeta (Tangerina) para outro. Para gente de todas as idades. 



Montanhas de saldos, oceanos de promoções, florestas de preços baixos...

Podíamos estar de passagem por um qualquer centro comercial, numa rua amontoada de lojas, numa de muitas superfícies atulhadas de inutilidades... mas estamos nas nossas vivências diárias, na rotina dos nossos dias e conseguimos ver tudo isto quando prestamos atenção. Falar de alterações climáticas já não é só urgente. É preciso actuar, mudar hábitos, renovar mentalidades, sensibilizar os mais novos. E os mais velhos. Este livro é um ponto de encontro obrigatório para todas as gerações. 


Carros mais pesados que hipopómatos, perdão,  que hipopótamos. Telemóveis de novíssima geração, enxames de carregadores avariados, baleias com desconto em cartão, vulcões de sapatos por estrear...

No making of do livro, que podem ler no site da editora, Isabel Minhós Martins conta-nos que a ideia deste livro a acompanhou durante algum tempo.  Queria fazer a comparação entre o tempo da natureza e o tempo das coisas humanas, aquelas que consumimos e se esfumam num instante. No dia em que viu um anúncio de uma conhecida marca de móveis que dizia apenas “Montanhas de saldos”, soube que o livro era para avançar.




A opção pelas coisas grandes existentes na natureza é tão genial quanto os incríveis jogos de palavras que lhe permite obter. O resultado é a gigantesca clareza com que se evidenciam os grandes males de que padece o nosso planeta.  O desperdício ou o consumo desenfreado, por exemplo, são detectados, de imediato, neste pequeno grande livro onde  há arquipélagos de roupa fora de moda, cardumes de bifes, iogurtes, abacates, cascatas de comida abandonada, rebanhos (e mais rebanhos) de embalagens, cordilheiras de copos descartáveis... 






































"O caos do nosso planeta neste livro até consegue ser bonito. As páginas parecem quadros do Miró". 
Foi assim que um dos nossos meninos leitores se referiu às ilustrações de Bernardo P. Carvalho que, misturando desenho e colagem, nos conduz por este universo de entregas super-rápidas de forma empolgante e algo naïf.  A cada página, os múltiplos detalhes vão revelando sinais de uma tragédia anunciada com que todos estamos familiarizados. Objetos abandonados e deixados ao acaso, lixo e iates que parecem nascer no mar, o negro do betão e os automóveis que aparentam multiplicar-se mais do que formigas, jatos e helicópteros que ocupam o lugar das estrelas no céu.





































Na contracapa do livro, em jeito de antecipação, podemos ler: 
"Este talvez seja um livro triste - e as pessoas, sobretudo quando se trata de livros que também são para crianças, quase sempre preferem livros felizes, esperançosos". 
Os autores concordam, a esperança é a coisa mais importante do mundo. Mas não deixam de concluir que "este só é um livre triste se continuar tudo na mesma. Se ninguém pestanejar, se ninguém se incomodar, se ninguém decidir mudar.





































Porque a mudança é mais do que necessária e urgente, façam o favor de se incomodar! Façam-no com as crianças. Este é um livro que não se esquece, que se mantém aberto. Porque os arquipélagos de roupa fora de moda, os vulcões de sapatos ou as constelações de betão não nos saem da cabeça. Pode ser triste, pode ser duro, mas a verdade é que este é o ponto em que estamos.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

Tudo Tão Grande. Canção cada vez maior


 






















Abre-se como uma partitura. A musicalidade das palavras e o encantamento das imagens surgem-nos como uma
 celebração da vida. Da sua imensidão. 
















As cores quentes e harmoniosas reforçam o movimento das paisagens que nos esperam a cada dupla página. Tudo é tão grande aqui. Também nós crescemos, ficamos cada vez maiores. Vivemos dias longos, tardes infinitas, avistamos montanhas imensas, rios que transbordam, luas cheias... 















O verão é comprido. As férias são grandes, o mergulho fundo... E a nossa vontade de percorrer este livro é enorme. Queremos respirar o ar livre, o espaço aberto e damos por nós a trautear esta canção. Porque este livro é para cantar. Já dançamos com os pássaros, o sol, o vento...




























Tudo Tão Grande, Canção cada vez maior,  com texto de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Bernardo P. Carvalho é o último livro do Planeta Tangerina. Envolto num grande mistério, o do crescimento, deixa as perguntas para os seus destinatários mais directos.

Porque ficamos cada vez maiores? De onde virá a vontade de crescer?








"Estás tão crescido!". Depois de vários meses sem nos vermos, esta é a frase que mais proferimos quando reencontramos as nossas crianças. Este é um livro para visitarmos com elas. Passem uns dias por lá, a cantar! Não esqueçam a sugestão dos "Tangerinas"Inventa uma música para cantares este livro. Se quiserempodem enviá-la para a editora. Nós ainda não parámos de cantar. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Gosto, Logo Existo. Redes Sociais, Jornalismo e Um Estranho Vírus chamado Fake News.
























Internet, notícias, jornalismo, informação e desinformação, telemóveis, teorias, emojis, likes, gigantes invisíveis... é sobre isto e muito mais, o último livro do Planeta Tangerina. Gosto, logo existo, 
com o subtítulo redes sociais, jornalismo e um estranho vírus chamado fake news, foi escrito pela jornalista Isabel Meira e ilustrado por Bernardo P. Carvalho. É um livro feito a pensar nos jovens, mas que deve ser lido por todos.

























Este é um tempo em que um grande número de famílias se viu forçado a alterar hábitos e a contradizer-se no seu próprio discurso no que toca à relação das crianças e jovens com a internet e os meios digitais. Hoje, o contacto dos nossos filhos com os ecrãs e as novas tecnologias é muito maior, nomeadamente para acesso à escola. Esta é uma realidade para muitos impensável antes da pandemia. Não só por isto, mas também, este é um livro precioso para ser lido por todos aí em casa. E a sua chegada não podia ser mais oportuna.



















Um livro informativo, com uma linguagem directa e acessível para todos, onde se considera ser importante fazer perguntas, sabendo que as respostas não se encontram todas no google. Tendo como primeiros destinatários aqueles que nunca conheceram um mundo sem internet e a quem parece impossível que o mundo já tenha funcionado de outra forma , a quantidade e a qualidade da informação que contém, os números, as "dicas" e a própria linguagem tornam este livro num precioso auxiliar para os seus destinatários e para toda a família. 





















"Habituámo-nos a receber a informação e a desinformação que nos chega através de algoritmos secretos, a ter rotinas em mundos virtuais, a comunicar com abreviaturas e emojis. Vivemos numa enorme bolha de likes e partilhas. 
Mas será que conhecemos bem as regras do jogo?
Qual o impacto de tudo isto na nossa relação com o mundo e nas decisões que tomamos?"

























Sem qualquer abordagem moralista, das que tanto enfadam os jovens, este é um livro bem inteligente, capaz de os pôr a pensar sobre o que efectivamente sabem ou não. Inteligentes são, também, as ilustrações com que Bernardo P. Carvalho acompanha o texto. Capazes de criar uma forte proximidade com os leitores, estes facilmente se identificam com elas. A qualidade dos livros informativos do Planeta Tangerina já não surpreende os leitores. Mas, no ano em que a editora comemora 20 anos de existência, não podemos deixar de reconhecer este gigantesco contributo, agradecendo o tanto que nos têm dado. Por isso, dizemos: Parabéns! E que venham os próximos 20.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Desvio. Uma boleia para o verão


A dupla é de peso e conta já com 4 livros na coleção Dois Passos e Um Salto da editora Planeta Tangerina, destinada a adolescentes e leitores mais crescidos. Ana Pessoa é, actualmente, um  nome incontornável na escrita sobre e para a adolescência. Bernardo P. Carvalho dispensa apresentações e do seu trabalho conjunto nasceram já alguns livros marcantes no panorama da literatura juvenil: Supergigante, O Caderno Vermelho da Rapariga Karateka e Mary John.  Desvio volta a juntar os dois. Desta feita, numa novela gráfica que promete marcar o verão de todos os que aceitem fazer a viagem. 


Porque a vida é feita de coincidências, ainda que tenha nascido antes da pandemia, a história surge sob o signo do confinamento, a que tantas vezes os adolescentes se remetem. Miguel é um jovem lisboeta de 18 anos, sozinho em casa. A opção foi sua. Os pais foram de férias e ele não quis ir. Os amigos estão num qualquer festival de verão, que ele recusou. A namorada pediu-lhe um tempo, uma pausa. E Miguel decidiu fazer uma pausa de tudo neste mês de agosto. Como se o calor do verão fosse o ideal para congelar medos, inseguranças, frustrações, incertezas. Ou, talvez porque, aos 18 anos, os silêncios e a solidão sejam os melhores companheiros para visitar os conflitos existenciais que nos assolam, para contabilizar dúvidas enquanto nos tentamos descobrir e conhecer. 


Com a casa e a vida só para si, o jovem inicia uma viagem interior em que percorre, não só as tormentas geradoras da sua crise de identidade, como também alguns temas estruturantes que atravessam esta fase da vida. Miguel sabe que não sabe o que quer, que os outros esperam sempre qualquer coisa dele que ignora o que seja, que os dias são quase sempre vazios, que todas as coisas à sua volta são suficientemente desinteressantes... ainda que algumas o mantenham à tona. As aulas de código são uma seca, mas necessárias. Regar as flores da mãe, pedido expresso e reiterado, é tarefa a que não pode esquivar-se. Fora delas, distende-se a si e ao seu desinteresse pelos cantos da casa, rodeando-se rotineiramente da televisão, dos jogos de computador e do telemóvel, nem sempre ligado. Só os cigarros parecem ter algum efeito terapêutico, assemelhando-se a pequenas pausas dentro da grande pausa. Miguel está perdido, em busca de si mesmo, do mesmo modo que continua a perder-se nalgumas ruas da sua cidade, no meio das multidões de turistas.


Pelo meio, devassamos-lhe a intimidade. Ficamos a conhecer os problemas de relacionamento com o pai, apesar das semelhanças, a fragilidade e a dureza do posicionamento da mãe entre ambos, a falta de proximidade, a ligação com a tia pouco resolvida com a vida, a precariedade e a inconstância do namoro... Ficamos a conhecer um adolescente igual a tantos outros, avesso a expressar sentimentos através de beijos e abraços, mas  nem por isso menos sensível, continuando a sentir a falta de Rúben, o cão que morreu, sempre que chega a casa. Um rapaz que gosta de almôndegas, arroz com batata frita e sopa de letras.


Uma novela gráfica onde texto e ilustrações se respeitam mutuamente. Onde não há qualquer desvio à qualidade e inteligência a que escritora e ilustrador já nos habituaram. Onde há tempo e lugar para os silêncios e pausas do Miguel. Onde as cores quentes de agosto nos fazem percorrer uma vida ou várias, uma casa e uma cidade com a intensidade e a mestria só ao alcance de alguns. Cá por casa, encantou toda a gente, tendo arrancado do adolescente que o leu de um só fôlego, o sentido comentário: "muito bem esgalhado"... Com as regras de trânsito estudadas ou não, o desvio é para fazer. Porque este é o verão de todos os desvios.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Ponham as Mãos nos Livros! Big Bang, diz o Planeta Tangerina


A rentrée do Planeta Tangerina fez-se em dose dupla. As Mãos e os Livros. Que Dança Esta. Que Festa! com texto de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Madalena Matoso é o mais recente livro da colecção Cantos Redondos. Os tais. Livros em papel, mas interativos e digitais. 


Nós já andámos por lá a navegar. E enquanto o barco não chegava, os dedos puseram-se a tamborilar. Nas palavras, que nos fazem sentir em casa, e nas ilustrações que nos desafiam, a cada página, a entrar no livro. Uma fantástica homenagem à leitura, ao acto de ler e ao livro, em tudo o que ele pode dar ao leitor.


Porque os livros que falam de livros nos fascinam. Primeiro, avançámos com uma mão, que em determinados momentos, nos pareceu uma tenaz. Percorremos as prateleiras e, quando demos por nós, já o tínhamos agarrado com as duas mãos. Tateámos e cheirámos cada página, ouvimos os sons, fomos tocados pela ventania, dançámos...entrámos na festa!


Sabíamos ao que íamos, já que na contracapa se pode ler:
É isto um livro.
Esta coroa, esta arca,
este bebé recém-nascido,
este vaso tremelicante
feito para andar de mão em mão,
este mapa por onde se passeiam
impressões digitais
de todos os tamanhos
de todos os tempos 
E lugares.
Esta festa!
Levem as crianças até lá para que deixem as suas impressões digitais. É desses gestos que se fazem os pequenos grandes leitores.


Hei, Big Bang! (Ninguém disse que era fácil) com texto de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Bernardo P. Carvalho é o segundo livro editado pelo Planeta Tangerina.

Esta é a história de Big Bang, um cavalo que se sente desassossegado, mas desconhece a razão.  Alguma coisa o incomoda, mas ele não sabe o quê. Ter-se-à esquecido de algo importante?


Big Bang decide-se por um passeio até à beira-mar, na esperança de que isso lhe avive a memória. Mas o caminho faz-se de muitos encontros e todos eles acabam  por lhe suscitar ainda mais dúvidas... 
As ideias podem ser difíceis de ver. No início aparecem-nos como uma sombra e escorregam-nos das mãos. Mas se as deixamos correr livremente – como um cavalo corre pela praia fora – pode ser que as consigamos ver com nitidez.


As palavras de Minhós caminham harmoniosamente com as magníficas ilustrações de Bernardo Carvalho. Sentimos vontade de galopar o livro de um só fôlego. Num registo a que o ilustrador já nos habituou, cada página assemelha-se a um magistral arco-íris que deslumbra pequenos e grandes leitores. Galopem, galopem!

terça-feira, 29 de maio de 2018

Atlas das Viagens e dos Exploradores. As Viagens dos Monges, Naturalistas e Outros Viajantes de Todos os Tempos e Lugares

É mais uma sugestão Hipopómatos para quem anda pela Feira do Livro de Lisboa.



A capa, fortemente apelativa, já seria suficiente para não nos deixar passar por ele sem o abrir. O longo título, (adoramos títulos longoooos!) ao invés de saciar, engorda a nossa curiosidade. Sério? Monges, naturalistas e outros viajantes… Jamais conseguiríamos deixar de conhecer de perto tais exploradores. Uma vez aberto, caros leitores, esqueçam lá essas coisas de internet, goole maps e quejandos. Ninguém vai querer sair daqui sem fazer as viagens todas, guiando-se pelos vários mapas que encontra, e sem percorrer as rotas, uma a uma…da primeira à última página.


Pytheas, Giovanni da Pian del Carpini, Ibn Battuta, Jeanne Baret... Provavelmente, nunca terão ouvido falar de muitos deles. Ou, pelo menos, não tanto como de Darwin, Cristovão Colombo ou Bartolomeu Dias. Mas sim, todos têm em comum o facto de terem sido, há séculos, grandes viajantes e exploradores. As histórias destas vidas e viagens são absolutamente fascinantes. E aprendemos tanto!


As viagens são traçadas a preto e branco e entre cada uma delas há um separador de cor, digno de figurar em qualquer museu. Com ilustrações de Bernardo P. Carvalho e texto de Isabel Minhós Martins, esta é uma viagem imperdível. 



Vão, explorem o mundo de hoje à boleia de quem o desbravou. Para miúdos, para graúdos, para ler em família. Será sempre uma viagem única. É mais um livro apaixonante, com marca Planeta Tangerina.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O Livro dos Quintais. Gatuno & vizinhança estão de volta!


Editado pela primeira vez em 2010, O Livro dos Quintais regressa, agora, em novo formato. Nós somos suspeitos, porque desde essa altura que entrámos por ali adentro e nunca mais deixámos de ser visita assídua do bairro e dos seus moradores. 


Sempre que podemos, agarramos na criançada e vamos até aos quintais. Revemos o Sr. Catarino, a D. Otilia, as meninas Lopes, a Patrícia e as amigas, o Sr. Juvenal, a D. Manuela, o Sr. Inácio e... dê por onde der, o Gatuno!


Ainda que nunca tenhamos entrado em casa destas pessoas, sentimos que as conhecemos. Sabemos particularidades de todos e de cada um, do seu quotidiano, das suas rotinas cá de fora... Tudo nos é familiar. 


O Gatuno? Ah, esse é o gato preto que se passeia pelos oito quintais, escolhendo a seu belo prazer, os cantos e recantos de que mais gosta. As preferências mudam consoante a época do ano. A maior sombra quando está calor, o lugar mais ensolarado em dias frios, o chão com mais espinhas de sardinhas...


A cada dupla página corresponde um mês do ano e a forma como cada um, cada família, organiza as suas rotinas no exterior. O natal, o verão e a praia, as sardinhadas, a chegada da primavera, o que se semeia, o que se colhe...Com uma vista panorâmica sobre os oito quintais, vemos o óbvio, adivinhamos o provável e descobrimos o oculto.


Saber as rotinas do Gatuno é talvez um pouco mais complexo. Mas, é tarefa que os mais pequenos abraçam com imenso prazer. A cada virar de página, os olhos passeiam-se pelos inúmeros detalhes que enchem os espaços, em busca do gato. Por onde anda ele em Março? E em Maio? É um delicioso jogo de que todos gostamos muito. A parafernália de pormenores obriga a muitas leituras. Mas ninguém se faz rogado, porque em cada uma delas há sempre algo de novo que se descobre sobre esta gente! E sobre o Gatuno! Mas é preciso chegar ao fim do livro para compreender a origem do nome do bichano, cujo mês preferido é junho. Descubram porquê!


As cores vivas e alegres das ilustrações, pintadas a feltro e com um traço com que os mais pequenos se identificam de imediato, tenta-os a deitar mãos à obra. O resultado é, muitas vezes, o prolongamento deste bairro do Planeta Tangerina, de autoria da Isabel Minhós Martins e do Bernardo P. Carvalho. Um livro que continua a apaixonar-nos. Em qualquer mês do ano.