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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Floco de Neve


 




















2. Floco de Neve | Benji Davies | Orfeu Negro


O que podem um floco de neve e uma pequena menina ter em comum? Benji Davies  dá-nos a resposta através desta encantadora história, onde se celebra a magia do Natal. 
Uma dupla narrativa onde  os leitores acompanham o percurso do floco de neve e de Noelle, a pequena menina. Ele enfrenta o medo de cair e do mundo desconhecido onde se vê obrigado a aterrar. Ela percorre as ruas da cidade com o avô, admirando todas as árvores de Natal que vai encontrando e sonhando com uma para si. 







































O floco é confortado por uma nuvem,  que o encoraja na viagem que se avizinha. Noelle é animada pelo avô,  que lhe diz que talvez no próximo ano consiga ter uma árvore tão grande e cintilante como aquela que a fez parar. Um pequeno ramo perdido revela-se a solução para Noelle que, quando chega a casa, o transforma na sua pequena e bela árvore de Natal.







































E o floco de neve? Isso é o que vocês vão descobrir quando entrarem nesta cidade já iluminada a rigor para receber o Natal (e que aqui e ali nos reporta para outro livro do autor, O Olharapo), e onde os encontros inesperados podem acontecer. Uma história sobre esperança e paciência que o autor dedica ao pai, mas que é de todos.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Grandes Amigos. E se ler um livro por dia fôr uma vacina contra a pandemia?

 
2. Grandes Amigos, de Linda Sarah e Benji Davies | Orfeu Negro

A nossa sugestão de hoje recai sobre a história do Zé e do Nico,  dois pequenos rapazes que partilham a amizade e as caixas de cartão. Sim, porque às crianças basta uma simples caixa para conseguirem ser o que quiserem. Reis, soldados, astronautas, piratas... Todos os dias, os dois sobem ao Monte do Cimo e dão asas à imaginação. Os dias são grandes, as brincadeiras muitas e eles conseguem ser um pouco de tudo o que lhes apetece. Correm, saltam, voam, conversam, riem e até ficam em silêncio. Gostam tanto que até se sentem grandes, como Reis Grandes. Mas o que são sempre é grandes amigos. O Zé adora estas brincadeiras a dois.

Um dia, um pequeno rapazinho que há algum tempo os observava, decidiu arranjar coragem para aparecer com a sua caixa de cartão e perguntar se podia juntar-se à brincadeira. O Gui era pequeno mas destemido. E o Nico nem hesitou. Claro que sim, era mais um para brincar. Podiam continuar a ser caçadores de dragões, acrobatas de arranha-céus... e amigos.
Mas o Zé não achou grande piada. As brincadeiras a dois eram fantásticas. Agora havia um intruso. Sentia-se tão estranho que deixou mesmo de ir ao Monte do Cimo. Apesar das muitas saudades que tinha do Nico e das fabulosas brincadeiras, o Zé optava por ficar em casa, metido com os seus desenhos. De vez em quando o Nico e o Gui batiam-lhe à porta... mas sem resultados. O Zé até já tinha destruído a sua caixa de cartão. Mas os amigos não desistem e um dia bateram-lhe à porta, sem intenção de zarpar dali. Tinham feito uma coisa para ele! 

O Zé não queria acreditar no que os olhos viam... Não, não era possível resistir à Criatura Monstruosa de Cartão! Ninguém resistiria. Nem nós, leitores! E podemos garantir que, depois desta íncrível obra de Benji Davies, ninguém mais se atreverá a deitar fora uma só caixa, uma só caixinha! 
Todos conhecemos as fragilidades e inseguranças da amizade nesta idade. De uma forma ou de outra, todos experienciámos alguns destes sobressaltos num tempo em que fomos meninos. Os pais têm, muitas vezes, que lidar com as tristezas e os medos relativos ao  amigo "que já não é meu amigo"ou que alterou o lugar do seu filho no ranking das preferências... Mas essas são coisas que fazem parte do processo de crescimento. A amizade e a partilha são aprendizagens sempre em construção. 

Sarah e Davies fazem uma deliciosa abordagem desta temática. Benji Davies, de quem já falámos aqui muitas vezes, tornou-se um autor querido dos leitores portugueses. A Baleia, Nina, O Olharapo, A Ilha do Avô são alguns exemplos de livros publicados pela Orfeu Negro que já lhe granjearam leitores incondicionais. E nesta parceria continua a encantar-nos.
Quanto aos petizes, sempre adiantamos que  os amigos já são três e continuam a passar os dias no Monte do Cimo. Só que agora com essa fabulosa invenção que é a Criatura Monstruosa de Cartão ou como eles lhe chamam, O Grande Escala-Forte.


Queridos leitores, guardem as caixas todas aí por casa, abram o livro e façam coisas com as crianças! 
Depois, é só voar. O tédio não entra nesta brincadeira. 
Bem vos dizemos que um livro por dia pode bem ser uma vacina contra a pandemia.




sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O Olharapo


Ai, ai, se o Olharapo vem
E estás em casa sem ninguém...
A lengalenga é o ponto de partida para mais uma brilhante história de Benji Davies, o conhecido autor de A Baleia, O Regresso da Baleia e A Ilha do Avô



Uma história feita de mistério e suspense, capaz de provocar calafrios na criançada até ao divertido e inesperado final. Contada em verso, é de forma ritmada que os leitores mais pequenos espreitam o escuro, os barulhos da noite, os vultos, as sombras que, tantas vezes, lhes põem os cabelos em pé. 
Afinal, o que é o Olharapo?  Ai, ai, se ele vem...


Davies recria de forma ímpar e mágica uma Londres vitoriana, onde as casas, os telhados e as chaminés contribuem para adensar ainda mais uma atmosfera assombrada e envolta em  mistério. 
Mas, afinal, o que é o Olharapo? Ai, ai...


O suspense aumenta a cada página, onde há sempre qualquer coisa que vai desaparecendo. Uma lamparina, uma caixa de ferramentas, umas certas peças de roupa, um bocado de queijo... mas ninguém vê quem (ou o que) leva os objectos.
E afinal o que é o Olharapo? Ai, ai...


Um livro que é também um jogo, feito de pistas e descobertas. Com um desfecho divertido e hilariante, esta é uma história irresistível para os mais pequenos, que pedem vezes sem conta "outra vez!". Mas, quando recomeçam, os receios já foram ultrapassados e eles transformam-se em verdadeiros Sherlocks, desvendando e seguindo pistas, solucionando enigmas que já deixaram de o ser. 




O que é o Olharapo? Uma história deliciosa onde nada é o que parece. Surpreendentemente, é também uma história de liberdade e determinação. Sem dúvida, uma das nossas escolhas em 2018.


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Gigantescas pequenas coisas II



Dois em um. Depois do êxito de A Baleia, de que falámos aqui,  a Orfeu Negro decidiu presentear os mais pequenos com uma edição portátil do livro de Benji Davies. Fácil de transportar, a caixa comporta o livro em formato pequeno e um puzzle de cubos que lhes permite recriar seis das ilustrações. Poder dar vida, através dos cubos, ao Noé, à sua amiga baleia, aos gatos... proporciona às crianças uma forma de se familiarizarem ainda mais com as personagens. Como diz um dos nossos meninos hipopómatos: Agora, eles podem sair do livro. E eu posso convidá-los para irem comigo a muitos lugares. 


Ainda da Orfeu Negro, chegam A Viagem e A Sombra, dois livros com texto de Veronica Salinas e ilustrações com assinatura de Camilla Engman. Ambos têm o mesmo protagonista, um  pequeno e ingénuo pato, e revelam temas commumente designados como difíceis para a infância. 


A Sombra aborda uma velha e recorrente temática na literatura infantil: o escuro e os medos que lhe estão associados. Enquanto se delicia com um magnífico banho no lago, vê o sol a cintilar e usufrui do silêncio, o pequeno pato não dá conta do entardecer. O regresso a casa faz-se pelo meio da floresta e o escuro já se instalou. Tudo é assustador. Entre formas e ruídos, entre o que vê e o que  imagina, o medo e o desespero tomam conta do pato. Felizmente, não são os únicos. Em jeito de fábula, o tema é tratado com uma boa dose de humor para o que muito contribuem as divertidas ilustrações de Engman. 


Em A Viagem,  é a mudança e a necessidade de adaptação a novos lugares e gentes que estão em causa. De mochila às costas, o pequeno pato parece perdido num lugar novo e estranho, onde, aparentemente, ninguém sabe quem ele é nem fala a mesma língua. 


"Quem sou eu?" é a pergunta que faz a quem encontra. Nada que novos amigos e o reencontro consigo mesmo não ajudem a ultrapassar. E as crianças são, tantas vezes, a prova disso.


Com chancela do Planeta Tangerina,  Eu Sou Eu Sei  é um pequeno grande livro com texto de Ana Pessoa e ilustrações de Madalena Matoso. 

Eu Li, Eu Ri, Eu Snif, Eu Nhec. É a linguagem do crescimento, que a um tempo todos experienciamos. Uma aprendizagem permanente, feita de conquistas de todos os dias, de pequenas e grandes coisas. 


Eu Sou, Eu Sei, Eu Dou, Eu Rei. Passo a passo, vamos tocando o mundo, conhecendo-o e descobrindo-nos. Essa é a maravilhosa aventura de ser e crescer. Aqui, expressa como um poema ilustrado. As palavras de Pessoa e os desenhos de Matoso crescem juntos nesta espécie de ABC de quem chega ao mundo. Nhec, nhec, gostamos muito!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A Ilha do Avô


Muito do fascínio da infância reside na ténue fronteira entre o real e o imaginário, capaz de fazer a criança experienciar  um encantamento que, tantas vezes, escapa ao entendimento do adulto. Enquanto livreira, não é incomum ouvir frases como esta: "Não sei o que esse livro tem, mas o meu filho não o larga."
Sim, há livros onde a criança entra e que se tornam num lugar onde sempre quer voltar. 


A Ilha do Avô, de Benji Davies, é um desses lugares onde se quer ir muitas vezes. Na companhia de Cid, um pequeno rapaz, e do seu avô, a viagem atravessa uma história feita de  amor e de cumplicidades, mas também de perda e de saudade.


A partilha dos dias é facilitada pela proximidade. A casa do avô situa-se  mesmo ao fundo do jardim de Cid e há sempre uma chave debaixo do  vaso de flores para que o pequeno possa entrar sempre que queira.  Um dia, é surpreendido pela presença do avô no sótão, uma parte da casa que ainda desconhecia. Os sótãos são sempre guardadores de coisas mágicas, de tesouros, de memórias... O do avô não fugia à regra. No meio de todas as coisas que  trouxera de várias partes do mundo, tapada por um lençol, havia uma porta metálica à espera de ser transposta. Como que por magia, num virar de página, os dois protagonistas já se encontram no convés de um grande navio.


À semelhança do primeiro livro, A Baleia, também editado pela Orfeu Negro, Davies opta por um texto curto,  deixando às ilustrações a tarefa de contar grande parte da história. Os seus destinatários agradecem. Prolíferas em detalhes, são elas que nos permitem, mesmo antes de nos aventurarmos pelo mar, conhecer já este avô. Amante de pintura, de livros, de música, dedicado às flores e aos animais, viajante convicto...


Davies utiliza com grande mestria as cores e os jogos de sombras, mostrando, de forma sublime, a paradisíaca ilha onde avô e neto chegam depois de muitas milhas de mar. Os pássaros e toda a espécie de animais, as árvores e flores, a velha cabana... deleitam os leitores de um modo só  comparável ao do pequeno Cid. Para ele, aquele é o lugar perfeito onde queria que ficassem para sempre. Mais uma vez, é surpreendido pelo avô, que lhe comunica a intenção de ficar. 


Acompanhamos o pequeno timoneiro na viagem de regresso. Sem o avô, embora não totalmente sozinho. Uma viagem que parece maior, porque é já feita de saudade. Cid não perde tempo e logo na manhã seguinte volta a casa do avô. A chave estava debaixo do vaso de flores, lembram-se? 


Tudo parecia igual, mas o avô já não estava lá. A grande porta metálica também não. Nem alguns outros pertences que os leitores são, implicitamente, desafiados a descobrir numa página que se repete. Como se de um jogo de diferenças se tratasse.  


Um livro que permite mais do que  uma interpretação. O que cada leitor extrai  dependerá, acima de tudo, de si próprio. Para uns, talvez os mais pequenos, o avô vive, agora, feliz naquela ilha longínqua, rodeado pela natureza e pelas coisas de que gosta. Para outros, a deliciosa subtileza utilizada pelo autor não apagará um cenário de perda deste avô com bengala, que  combina o uso de gravata e pulóver com calças de pijama e chinelos de quarto. Seja como for, o final da história, que deixamos para descobrirem, é um forte tributo à imaginação. E àquela fronteira ténue de que falámos.
Façam o favor de levar as crianças até à ilha!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A Baleia


O acontecimento é de monta! O britânico Benji Davies, autor do livro A Baleia, vencedor do Prémio Oscar's First Book 2014, faz a sua estreia em Portugal pela mão da editora Orfeu Negro.  

O livro é desconcertante e belo. Não só pela sensibilidade das temáticas abordadas, mas também pela forma encontrada pelo autor para o fazer. Tão importante como o que nos é contado é o que subentendemos. O que não está dito em momento algum, mas que o leitor depreende do princípio ao fim da leitura.


O Noé vive com o pai à beirinha do mar. Com o pai e seis gatos, que leitor algum resiste à tentação de localizar na fascinante casa e nas imediações. Uma espécie de jogo, logo no início do livro, que não faz esmorecer as primeiras interrogações.



O pai de Noé é pescador e sai para o trabalho de manhã bem cedo, só voltando depois de o escuro da noite chegar. O petiz, que não terá mais de cinco anos e que parece inseparável da sua touca,   fica entregue a si mesmo e aos gatos, os únicos seres que por ali vemos. É então que o leitor se afunda num turbilhão de sentimentos contraditórios, entre a noção de abandono e de solidão da pequena criança e a fantástica imagem de liberdade de que aquele parece usufruir na ilha.


Num dia tempestivo, Noé avista uma pequena baleia e, de imediato, sabe que tem de fazer alguma coisa para a salvar. O mar estaria certamente mais perto, mas a sua banheira confere-lhe outras garantias. Uma solução que parece agradar a ambas as partes.


A nova amiga, com quem pode agora partilhar a solidão dos dias, parece mostrar-se feliz com a proximidade e agradada com tudo o que ouve, desde a música às histórias do amigo. Este, por sua vez, não hesita em desfrutar cabalmente da companhia. Até porque sabe que a situação não será duradoura... O pai chegará a casa e ele teme a reacção.


O abrir da porta parece corresponder ao momento de viragem da história. Ao contrário do que Noé temia, o pai não se zanga. A imagem da baleia na banheira confere-lhe a verdadeira noção da solidão do filho e muito mudará na vida dos dois.


Ambos percorrem o caminho do mar para devolver a amiga baleia. Noé sabe que a viagem é tão inevitável quanto as saudades que vai ter dela. Mas esta não será uma viagem em vão, se atentarmos em tudo o que já ganhou. Aquele pai ausente, com ar distante e frio, semblante carregado que conhecemos no princípio da história,  cede, agora,  lugar a uma figura mais humana,  capaz de gestos de ternura e atenta ao filho, presente em todas as páginas do livro.


As ilustrações de Benji Davies são magníficas, levando-nos a entrar na ilha e a viver intensamente cada momento da história, cuja força emocional resulta, sobretudo, do que não se refere em momento algum, mas se adivinha. A interrogação que percorre pequenos e grandes leitores: E a mãe de Noé?


Um livro belo e intenso, polvilhado de algum humor e muita inteligência, que nos faz aguardar a chegada do próximo!