quinta-feira, 9 de maio de 2013

1,2,3, Danuta Wojciechowska

E a ilustradora é... Danuta Wojciechowska!


Obviamente, Danuta! A intensidade das cores e o constante contraste de cores quentes e frias não deixa margem para erro. A sobreposição e intersecção de formas, criando um jogo de transparências e movimentos ondulantes, transportam-nos amiúde para um mundo de ténues fronteiras entre o real e o onírico. A fantástica ilustração integra o próximo livro de Danuta, que chegará às livrarias no dia 20 deste mês.


Os Hipopómatos tiveram o enorme privilégio de ver de perto um pouco do processo de criação do livro que vai ser editado pela Caminho, Um, dois, três, conta lá outra vez!


E  apaixonámos-nos por ele. Destinado aos mais pequenos, pois claro, cada número transporta uma simbologia própria, repleta de imaginação e pejada de referências a um mundo que eles tão bem conhecem e que é o das histórias. Mas também às coisas de todos os dias. 


Uma deliciosa abordagem dos números, da sua representatividade e importância, que permitirá aos seus leitores, por exemplo, encontrar os sete anões numa casa que é a sua por direito próprio...
"Vês como os números também servem para contar histórias? E falam todas as línguas! São universais: em qualquer parte do mundo, uma criança como tu, consegue ler o mesmo algarismo. Os números estão escondidos em tudo, basta olhar com atenção. Existem nas plantas, nas flores e nos animais, mas também no teu corpo e na tua imaginação. Se aprenderes estes segredos podes usá-los para conheceres todo o mundo à tua volta". É o texto que podemos ler na contracapa.

Este é também um livro onde a ilustradora parece ensaiar alguns registos um pouco diferentes do que lhe reconhecemos e que nos encantaram, como é o caso desta imagem. São números com histórias e histórias à volta dos números.
Um obrigada muito especial à Danuta pela ilimitada disponibilidade em alinhar neste nosso desafio e acima de tudo pela partilha deste magnífico trabalho, que muito nos honrou.
Um, dois, três, dizemos outra vez! Chega dia 20 às livrarias para encantar pequenos e grandes leitores.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Adivinha Quem Eu Sou IV

Hoje é dia de novo desafio! De quem é a ilustração que podemos espreitar pela fechadura?


Já adivinharam? Então brinquem, deixando aqui os vossos comentários!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Irmão Lobo

Iniciámos este espaço de leituras para mais crescidos com um livro do Planeta Tangerina, O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca, o primeiro da colecção Dois Passos e Um Salto para adolescentes e leitores mais crescidos. Hoje, falamos do segundo livro da colecção, Irmão Lobo, escrito por Carla Maia de Almeida e ilustrado por António Jorge Gonçalves.
Esta é uma história a dois tempos. Contada por Bolota, ou melhor, Princesa Bolota das Florestas do Norte, herdeira do Clã do Pássaro Trovão, o elemento mais novo dos cinco que compõem a família.
O relato dos acontecimentos vivenciados aos oito anos por Bolota alterna com a memória esbatida, mas já depurada, que,  aos quinze, a adolescente guarda deles. A cor diferenciada das páginas, revezando entre o azul e o branco, identifica-nos o presente e o passado da narrativa.
Bolota  conta-nos a história do desmoronamento da sua própria família, a viver num país e num tempo, também eles à beira de ruir. É essa galopante viagem, a que chamou A Grande Travessia no Deserto da Morte, que nós, leitores, acabamos por fazer com ela.
A “deconstruçao” desta família, que em tempos aparentou ser feliz, é reflectida nas sucessivas mudanças de casa, sempre para espaços mais exíguos, levando a que algumas coisas vão ficando de fora. Foi o que aconteceu com Malik, o cão, companheiro de quem Bolota se viu separada. Mas também com as cumplicidades de que é feita a harmonia familiar e que levam a Bolota adolescente a interrogar-se se alguma vez teria mesmo existido.

Uma família, afinal,  igual a tantas que conhecemos. De quem Bolota nos fala através de alcunhas, como se de verdadeiros códigos em tempo de guerra se tratasse. Um pai desempregado, desencantadamente sonhador e que desesperadamente intenta uma fuga em busca do nada.  O irmão mais velho, Fóssil, e a eterna problematica das drogas, uma irmã adolescente que perdidamente  tenta encontrar o seu espaço, uma mãe amarga... 

A ingenuidade e a pureza dos 8 anos de Bolota, evidenciadas pelas páginas brancas, aproximam-nos desta criança frágil mas lutadora desde o primeiro momento. Uma menina que, em cenários adversos, faz fogueiras daquelas que só funcionam com o pensamento mágico  e que transforma um prato de picanha  no Reino da Picalândia...
Que não percebe porque dizem ter nascido “fora de tempo” e que quer tirar a limpo porque será ela o “pombo da discórdia”.
Uma adolescente que, depois desta Travessia,  chega aos quinze anos com o distanciamento necessário para fazer escolhas e se vai construindo a si própria.
As ilustrações de António Jorge Gonçalves, a preto, azul e branco,  reforçam a atmosfera triste e nostálgica e acentuam a zona de conflitualidade interior que cada uma das personagens deixa antever. Um livro intenso, que nos desassossega e que,  à semelhança do que Malik faz com Bolota, nos continua a seguir...
Dele, a autora diz que "este é também um romance on the road."  Talvez por isso nos tenha apetecido ler o Irmão Lobo  lá fora... 


quarta-feira, 24 de abril de 2013

O TESOURO L-i-b-e-r-d-a-d-e


Há muitos anos, num país muito distante vivia um povo infeliz e solitário, vergado sob o peso de uma misteriosa tristeza.

As pessoas, quando se encontravam, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se alguma coisa, um segredo terrível, as amedrontasse.
No País das Pessoas Tristes, as pessoas não podiam fazer o que queriam nem podiam dizer o que pensavam ou sentiam. E também não podiam conhecer outros povos, vivendo fechadas no seu país, como se ele fosse uma prisão.
Havia polícias por toda a parte que as perseguiam e lhes batiam se elas não dissessem nem pensassem o que eles queriam que dissessem e pensassem.
Os meninos do País das Pessoas Tristes não podiam ouvir as músicas, nem ver os filmes, nem ler os livros e as revistas de que gostavam... Nem sequer podiam beber Coca-Cola, porque a Coca-Cola também era (ninguém sabia porquê) proibida!
As raparigas e os rapazes não podiam conversar nem conviver. Elas não podiam vestir calças nem andar sem meias e eles eram mandados para horríveis guerras  em países longínquos e obrigados a matar gente que não conheciam e que nunca lhes tinha feito mal nenhum, e muitos deles morriam lá ou regressavam loucos ou estropiados. 
No País das Pessoas Tristes, tudo isto acontecia porque alguém tinha roubado o maior e mais valioso tesouro que aquele povo tinha... A Liberdade.
Mas um dia, as pessoas decidiram reconquistá-lo. Era o dia 25 de Abril. Esse dia passou para sempre a chamar-se o Dia da Liberdade.
Depois de Manuela Bacelar e Evelina Oliveira, nesta edição da Assírio &Alvim, é Pedro Proença quem ilustra O TESOURO, de Manuel António Pina. O Tesouro de todos nós.