quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Cuando no estás aquí

Voltámos, voltámos! Fizemos uma pausa para balançar 2012... 
Um ano surpreendente no panorama da literatura infantil e juvenil já que, ao contrário do que seria expectável num tempo sombrio e triste, muitos foram os livros de qualidade que nos coloriram os dias. Cá dentro e lá fora.
Abrimos as portas de 2013 com um desses livros. De que gostamos muito!



Cuando no estás aquí, é o primeiro livro da espanhola Maria Hergueta e foi editado por El Jinete Azul. Um pequeno rapaz revela-nos as alegrias e as fantásticas sensações que a ausência da irmã lhe proporciona.


Quando não estás aqui, sou o rei da casa.

O encontro consigo próprio e a sensação de liberdade finalmente alcançada permitem-lhe ser o rei da casa, criar os seus próprios planos,  gerir o seu mundo...


Quando não estás aqui, vejo o que quero.
Quando não estás aqui, crio o meu próprio mundo
Quando não estás aqui, as tuas coisas são as minhas coisas.

As ilustrações, de traço realista, vão acompanhando a narração e revelando aos olhos do leitor as pitadas de humor com que a autora soube revestir a sua história. A paleta de cores leva-nos de volta à infância e relembra-nos sensações tantas vezes vivenciadas. Pormenores como a mancha de riscos por cima da imagem da capa ou a conversa mantida consigo mesmo ao longo das guardas, indiciam que este é um livro que não vamos esquecer.

 Quando não estás aqui, há muito mais espaço.

 Quando não estás aqui, não tenho que partilhar.

Mas por maiores que sejam a sensação de liberdade e o prazer de reinar, eles acabam por esbarrar na solidão. 


O tempo custa a passar e à alegria inicial sobrepõe-se agora a tristeza pela falta do outro, que começa a pesar nas simples brincadeiras de todos os dias...

 Com quem jogo, quando não estás aqui?
De quem me escondo, quando não estás aqui?
Quem me conta histórias, quando não estás aqui?
A quem deito a culpa, quando não estás aqui?
Por isso, o regresso... dispensa palavras.

Um livro delicado que, com humor e subtileza, descreve na perfeição esse complexo jogo de sentimentos que sempre caracteriza a relação entre irmãos. E não só...


Este é o primeiro livro da autora. Demorará muito o próximo?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Rainha das Rãs não pode molhar os pés

Porque gostamos tanto de histórias? Talvez porque, ao contrário da vida, podemos começá-las quantas vezes quisermos.

A Rainha das Rãs não pode molhar os pés é uma história que começa duas vezes e tem um final feliz!


Tudo se passa num lago, onde há rãs que passam o dia a fazer coisas de rãs, como saltar e apanhar moscas, dormir a sesta, brincar com libélulas ou cantar...


Subitamente, a  rotina prazenteira dos dias é  interrompida pela chegada acidental de um objecto estranho.  Ao emergir do fundo do lago, uma das rãs traz na cabeça algo pequeno e brilhante, uma coroa. Claro que não é uma coisa muito  normal  entre rãs, e não foi simples perceber do que se tratava. Mas bastou que alguém se lembrasse de opinar para que logo ali fosse aclamada rainha das rãs.


O que faria uma rainha das rãs era coisa que nem a própria sabia. Mas, os conselheiros são uma espécie antiga  e  prontamente surgiu quem soubesse tudo o que uma rainha pode e não pode fazer... 


A vida por ali mudou por completo. O aparecimento da coroa na cabeça da proclamada rainha subverte por completo a vida calma e tranquila do lago. As rãs passam agora os dias a trabalhar arduamente  em prol  da rainha e das suas conselheiras. 


A vida deixa de ser divertida e já ninguém sente vontade de cantar. Uma parábola ao poder e  à forma abusiva como tantas vezes é exercido,  subtil e  inteligentemente contada por Davide Cali, o autor de Eu Espero... e Um dia, Um Guarda-Chuva.


A outra quota no mérito do livro pertence ao ilustrador Marco Somà que, em tons predominantemente sépia e verde seco, nos faz emergir pelo lago,  num ambiente sofisticado e elegante, onde não faltam os  candeeiros  estilo tiffany, os chapéus de palha ou os papillons...


A Rainha das Rãs não pode molhar os pés é um livro feito para uma editora portuguesa. Desta feita, não estamos em presença da tradução de uma obra já existente, mas sim de "fabrico próprio"! Parabéns à Bruaá!

O final? A vitória da inteligência e o regresso da coroa ao lugar onde pertence... e um livro sem o qual poderíamos viver, mas não seria a mesma coisa! 



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Achimpa

Há dias assim, em que só apetece achimpar!

O que é isto? É o achimposo livro de Catarina Sobral, editado em Novembro pela Orfeu Negro.


Depois de Greve, o segundo livro da ilustradora tem sido um verdadeiro achimpamento. Com uma boa dose de humor , a história desenrola-se em torno da palavra achimpa que um investigador recupera de um velho e já caquético dicionário. 


De acordo com o esclarecimento solicitado a Dona Zulmira, que conta já 137 anos, estar-se-ia em presença de um verbo da primeira conjugação. Ao que parece, achimpava-se, sempre se tinha achimpado e achimpar-se-ia enquanto houvesse gente no mundo.


Mas rapidamente as opiniões divergem e a palavra percorre o livro em busca do seu lugar na gramática. Verbo, nome, adjectico, advérbio, pronome... as opiniões vão-se sucedendo e não falta quem se pronuncie sobre o assunto. Com muito humor e uma boa dose de ironia, põem-se a nu os pretensos conhecedores de tudo.


Linguistas, homens comuns ou políticos, todos se revelam  exímios e achimposos experts. 


 O parlamento destaca-se pelo uso de uma mancha diferente de todas as outras ilustrações.

Catarina Sobral  é ilustradora de formação e os seus livros denotam  uma forte e consistente  união dos vários elementos que nos permitem uma prazenteira dupla leitura. Ilustrado a pastel de cera e a lápis, é, sobretudo, a componente visual que nos permite acompanhar a hilariante viagem que a palavra vai fazendo,  de boca em boca. 


É através dela, por recurso a referências de todos conhecidas, que identificamos, por exemplo, alguns dos espaços. A calçada portuguesa, o táxi verde e preto, o quiosque e toda a envolvência, 0 eléctrico 28 da graça...


De igual modo, a referência a algumas das mais belas e conhecidas livrarias do mundo permite-nos acompanhar o rigoroso e determinado investigador nas suas deambulações por livrarias, bibliotecas e alfarrabistas. 


A Lello & Irmão, no Porto, a Shakespeare and Company, em Paris e a Ler Devagar, em Lisboa, onde ocorreu o achimposo lançamento do livro, são apenas algumas das livrarias que podemos ver na fantástica imagem.


                                   


Ainda não achimparam? Façam o favor de se despachar porque há um perlinço por desvendar...