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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

De Mãos Dadas



De Mãos Dadas | Christopher Cheng e Stephen Michael King | Nuvem de Letras

Um Rato e um Panda protagonizam esta história sobre amor incondicional, amizade e perda. O diálogo entre os dois  pontua a viagem que vão fazendo pelas estações do ano e suas intempéries. Uma viagem que evidencia e reforça os fortes laços que os unem,  ao mesmo tempo que dá ao leitor a noção do decurso do ciclo da vida. 


O pequeno rato formula as questões, interrogando o seu amigo sobre a força daquela união e se ela será suficientemente forte para superar todas as adversidades da vida. A cada resposta, o Panda revela a solidez da sua amizade. O afecto que demonstra é tocante. O leitor apreende-o nas respostas e nos gestos. A diferença de tamanho dos dois realça-o ainda mais. O carinho com que protege o pequeno amigo face ao vento, à chuva ou à neve, revela-se em cada abraço ou entrega de mãos. 


Ainda assim, o rato vai insistindo nas perguntas, repetindo a formulação dás-me a mão se...? E se eu ficar rabugento? E se eu fizer uma coisa muito, muito má? Cada resposta do Panda soa ainda mais reconfortante, indo sempre mais além na generosidade dos seus sentimentos. 


Christopher Cheng escreveu esta história na altura em que a mulher se debatia com um cancro. Sentiu necessidade de abrir o coração, partilhando os seus sentimentos sobre a forma como lidamos com a partida daqueles que amamos, mas que viverão para sempre no aconchego da nossa memória. A escolha dos personagens não fica a dever-se a um qualquer acaso, antes ao facto de serem os seus animais preferidos. King deu-lhes vida através do seu traço delicado, minimalista e sóbrio. 



De mãos dadas, ilustração e texto geram uma história que é, ao mesmo tempo, plena de fragilidade e de uma força capaz de tocar leitores de todas as idades.


A viagem não se faz só de intempéries. Ao longo das páginas, sobem montanhas juntos, partilham leituras, jogam xadrez...
Mas a pergunta que não queremos ouvir acaba por chegar. É diferente de todas as outras que o rato fez.
E se eu fôr para um sítio aonde não possas ir
A resposta que chega do amigo genial tem tanto de comovente, como de serena e apaziguadora. 

Com uma temática tão complexa como a morte, este é um livro belo e necessário.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

A Nossa Pele Arco-Íris


 





















A nossa pele pode ser de muitas cores. Tal como no céu... a nossa pele forma um grande arco-íris.

Numa altura em que os discursos racistas e xenófobos não escolhem hora para nos entrar em casa, é cada vez mais urgente transmitir, desde cedo, às nossas crianças os valores de empatia e respeito pelos outros. A Nossa Pele Arco-Íris, de Manuela Molina Cruz e Natalia Agudelo, publicado pela Nuvem de Letras, é um magnífico ponto de partida para introduzir esta temática junto dos mais pequenos.

De forma simples e em discurso direto, Molina Cruz, uma psicóloga colombiana, dirige-se aos leitores mais pequenos, explicando-lhes que somos todos diferentes e enunciando as causas dessa diversidade. A nossa cor de pele é a herança que recebemos quando nascemos e que nos acompanha toda a vida. São várias as tonalidades possíveis e dependem exclusivamente da quantidade de melanina que herdamos, o pigmento biológico responsável por atribuir a coloração da nossa pele.

Quando nascemos, herdamos, através dos nossos genes, a quantidade de melanina que dará cor à nossa pele.
















Essa quantidade depende exclusivamente do lugar onde viviam aqueles que nos transmitiram a herança. Se os nossos antepassados viviam em lugares com muito sol, precisavam de mais melanina. Os que eram pouco iluminados por ele, foram perdendo a melanina geração após geração. Sendo ela a responsável  pela tonalidade de cor com que nascemos, não faz de nós pessoas melhores ou piores, apenas diferentes. Porque no coração somos todos iguais.

As cores da nossa pele formaram-se dependendo do lugar onde viviam os nossos antepassados há milhares de anos.


A simplicidade do texto e a sua eficácia junto dos mais pequenos é reforçada pelas magníficas ilustrações de Agudelo, também elas simples e encantadoras. A comparação entre as diversas flores do jardim e as diferentes culturas e cores é algo que os leitores mais novos entendem bem. A paleta de cores é marcada pelas diversas tonalidades possíveis de pele que se espraiam por fundos de cores suaves que nos transmitem a naturalidade e o pacifismo com que este tema sempre deveria ter sido encarado pela humanidade. 




























Com igual simplicidade, o texto descontrói os preconceitos e as rejeições sempre associados ao tema. Os que rejeitam as pessoas que lhes parecem diferentes devido ao tom de pele , é como se tivessem os óculos sujos e não conseguissem ver com clareza. Porque é isso o racismo. Rejeitar, tratar de maneira injusta, ofender ou magoar alguém por causa da sua pele. O alerta vem a seguir, para que lhes possam dizer que é errado tratar alguém de forma diferente por causa da cor da sua pele. Sempre em discurso direto, a autora deixa um apelo aos seus destinatários: Quando não deixarem alguém brincar por causa da sua aparência, inventa tu uma brincadeira e lança-lhe o convite para participar. Ajuda a que todos se sintam bem-vindos na hora de brincar. E nós acrescentamos, independentemente da nossa herança, ajudem a que todos se sintam bem-vindos na hora de viver.