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quinta-feira, 17 de março de 2022

Molha -Tolos























Molha - Tolos | Fernando Pérez Hernando | Kalandraka


- Pudu fucur cuntugu utu purur du chuvur? A pergunta é de Lulu, que só arrulha com o "U"

- Cloro. A resposta é dada por Jojó, que só gorjeia com o "O". 

Há ainda a Lili, que só trina com "I" e o Zezé, que só aprendeu o "E." Os quatro irmãos vivem tranquilamente numa árvore, com a mamã pássaro, que só canta até ao "A". Parecem todos muito independentes e senhores do seu nariz, vivendo cada um em seu ramo. 





Num dia de mau tempo, a chuva acaba por lhes mostrar que todos precisam de todos e que juntos enfrentam melhor as contrariedades da vida. À medida que a água lhes vai caindo em cima, há uma espécie de dança de ramo em ramo. Todos se vão mudando e juntando em busca de uma solução colectiva. O reconhecimento de que a solidariedade e a união são valores essenciais.







































Esta é uma família que os mais pequeninos vão querer conhecer. Apresentados um a um, a escolha dos cinco elementos que a compõem não foi ao acaso. A cada um, o autor faz corresponder uma das vogais, resultando numa deliciosa brincadeira rimada e num jogo fonético que todos vão querer decifrar e repetir vezes sem conta. Depois de A Escada Vermelha, de que falámos aqui, Hernando volta a brindar-nos com esta história circular, onde a simplicidade e o humor andam de mãos dadas. Num cenário minimalista, são os diferentes planos da árvore casa que colocam em evidência os diversos momentos da narrativa.


Os petizes acabam por se socorrer das asas da mãe, que, de forma sábia, acaba encontrando a solução. Mas, um final redondo deixa antever algumas sonoras gargalhadas. Com ou sem guarda chuva, abram o livro às crianças e deixem que se encantem com esta divertida família. 

Mulhu-tulus?


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Pssst, Pré-Leitores!


São muitas e diversificadas as ofertas existentes, destinadas a pré-leitores ou leitores primários. Contudo, não ignoramos que nem sempre essa proliferação se traduz em qualidade e que, não raro, os pais se debatem com uma imensidão de dúvidas na hora da escolha. Razões acrescidas para aplaudir a chegada de livros, cujas receitas parecem conter os ingredientes certos para contribuir para o desenvolvimento e enriquecimento dos mais pequenos.


Tirar e Pôr, da francesa Lucie Félix, é uma aposta recente da Orfeu Negro. Dinâmico e interativo,  este brilhante livro-brinquedo atribui à criança o papel principal, fazendo dela o motor da história


Através de formas geométricas e usando de uma paleta de cores vivas e alegres, o que o livro propõe à criança é uma brincadeira simples, dinâmica e interactiva. Um jogo que consiste em retirar as peças cartonadas apostas na página da direita, ficar com elas em seu poder enquanto vira a página e, uma vez aí chegada, descobrir o sítio certo para as encaixar. 


Esta simples acção de retirar e encaixar, através da descoberta do sítio certo para a forma que transporta na mão, seria, por si só, suficiente para cativar o leitor/jogador. Mas cedo detectamos que ela é ainda coadjuvada por uma espécie de segundo jogo,  que vai familiarizando o seu destinatário com a noção de conceitos opostos. Tirar/pôr, acender/apagar, abrir/fechar...


Como se de um puzzle se tratasse, ao encaixar a peça, a criança volta a descobrir uma outra, assentando o jogo nesta estrutura repetitiva mas sempre surpreendente no que toca aos elementos que pode encontrar ao virar da página.


A proximidade do final do livro incute-nos o secreto desejo de o adiar... Mas, contrariamente ao que temíamos, o deslumbramento da criança não termina na última página, já que ela descobre que pode voltar a jogar, agora de trás para a frente. Uma viagem de regresso que ninguém vai querer perder!  Um livro merecedor da atenção de pais e educadores, susceptível de ocupar lugar, por tempo indeterminado, nas mãos mais pequeninas.



Divertido e não menos imaginativo nas diferentes leituras que proporciona,  A Escada Vermelha,  da autoria do espanhol Fernando Pérez Hernando e editado pela Kalandraka, é um álbum destinado a pré-leitores e também a primeiros leitores. 


Era uma vez um pássaro que andava sempre com uma escada. 
É este o magnífico e desconcertante inicio da história. De forma bizarra e algo absurda, a ilustração revela-nos  um pássaro de ar bonacheirão transportando uma enorme escada vermelha debaixo da asa, sob o olhar atento e observador de um pequeno coelho.


Para que quer um pássaro uma escada? Essa será, obviamente, a grande interrogação do leitor adulto. Mas será assim com os pequenos leitores? De forma sequencial, a história vai dando resposta à interrogação. O nosso protagonista usa-a para subir aos telhados, às árvores, às nuvens e até, imagine-se, à lua! E utiliza-a também para descer de todos esses elevados sítios onde parece gostar de passar a vida. 


Acompanhando as acções do pássaro em ambos os sentidos, ascendente e descendente,  vamos assistindo a uma enumeração repetitiva que proporciona ao mesmo tempo um jogo e um desafio à memória dos mais pequenos. Paralelamente, damo-nos conta da abordagem de temas como o tamanho dos objectos ou as distâncias.


Uma história divertida e cheia de humor, com um grande contributo do pequeno e engenhoso coelho, cuja astúcia e determinação sobressaem por contraponto à ingenuidade e insegurança do pássaro. Afinal, nada que as crianças não costumem experenciar amiúde.  Para que quer um pássaro uma escada? Porque complicamos nós, tantas vezes, o que é simples?