segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

E SE...



E SE...| Chris Haughton | Orfeu Negro


E se...reunirmos os miúdos à volta do novo livro de Haughton? Será, certamente, um momento  hilariante para eles e para os adultos que os acompanharem. Nós somos fãs do humor do autor e das suas personagens de olhos grandes e redondos que povoam estas histórias. Delas já falámos por diversas vezes. Mas é sempre com grande expectativa que vemos chegar novos protagonistas e enredos.















Desta feita, as estrelas são estes três macaquinhos. Os pequenos adoram mangas! Mas elas encontram-se em território pouco amigável. A mãe sabe disso e, quando tem de se ausentar, deixa o aviso: Façam o que fizerem, NÃO se aproximem da árvore das mangas. Há tigres lá em baixo.
















Hum... a tentação é grande! As mangas são tão docinhas! E estão logo ali ao alcance das mãos... Conseguirão eles resistir? As expectativas dos mais pequenos são grandes. As suspeitas dos adultos também. A decisão dos três é rápida. Ir até lá, apenas para olhar para as mangas. Isso não trará qualquer problema. Será?



 












O problema, já o leitor terá adivinhado, é o que vem depois de olharem para as mangas. Resistir à tentação nunca foi fácil. E depois, não parece mesmo haver tigres! Nem um! Em contrapartida, as mangas são tantas! Até há uma mesmo à mão. Nham, nham, tão docinha! Tão sumarenta! E continuam sem avistar qualquer tigre... As imagens começam a revelar alguns indícios que contrariam as opiniões expressas pelos traquinas, que não resistem a entrar em território "minado".   



Mas os macaquinhos persistem em confundir o desejo com a realidade. Afinal, se houvesse tigres, dizem eles,  já os teriam visto... Mas como todos sabemos que os avisos das mães são para respeitar... intuímos os perigos que estão para chegar.
























Como termina a história? E se... não terminar? Isso é o que vocês irão descobrir. Abram o livro para ficarem a saber mais sobre este jogo entre macacos e tigres à volta do fruto proibido. Nham, Nham!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Procuras Uma Árvore?




Procuras Uma Árvore? | João Gomes de Abreu, Maria Manuel Pedrosa e Madalena Matoso | Planeta Tangerina


Procuras uma árvore? Procuras o nome, as características e tudo o que há para saber sobre elas? Então, estás no sítio certo. Abre este magnífico livro e vais querer ficar por cá durante muito tempo.  É uma espécie de guia com raízes, tronco e copa. 























Este rapaz perdeu um sobreiro. Sim, é possível perder uma árvore! Durante a busca, cruza-se com um amigo a quem vai falando da sua paixão pelas árvores, da enorme curiosidade que alimenta sobre tudo o que lhes diz respeito, da importância que elas têm para todos nós... O pequeno sabe que não é à toa que dizemos que a floresta é o pulmão do planeta. Nas sábias palavras de alguém muito importante para a existência desta história,  a árvore é o símbolo da vida.











Há mais de sessenta anos, dois grandes arquitetos paisagistas, Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles, escreveram A Árvore em Portugal, um livro guia das espécies mais comuns no nosso país. Fizeram-no com uma genial simplicidade já que o seu propósito era mesmo esse, simplificar. Tornar bem mais compreensível tudo o que diz respeito à vida daquelas (as árvores) a quem devemos grande parte da nossa própria vida. 























O livro rapidamente se tornou uma referência para todos os profissionais e, também, para o público em geral. É ele que, agora, serve de inspiração ao Procuras Uma Árvore? editado pelo Planeta Tangerina e pelo Museu da Paisagem, a convite da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas.  O objectivo é claro, presentear os mais novos com uma abordagem clara e acessível . E isso é algo que a equipa Planeta faz com grande mestria. São já vários e incríveis, os livros informativos com que enriquecem o conhecimento de miúdos e graúdos. Este não é excepção. 





















Neste tempo desesperante de alterações climáticas, façam o favor de pôr os miúdos a morar aqui por uns tempos. Na companhia deste pequeno personagem, muito ficarão eles a saber sobre as árvores que habitam em Portugal, sobre formas, texturas e alturas... ele tem tudo anotado. E se há muito para descobrir, também há muito para fazer. Desenhar copas, criar um herbário, fazer o próprio guia das árvores e, claro, plantar uma árvore! O que é uma árvore? Vão lá descobrir e já agora vejam se o rapaz encontrou o sobreiro perdido.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Quero Ter Um Superpoder!




Quero ter um superpoder! Émilie Vast | Lilliput

Que luxo! Émilie Vast já se lê em português. Por aqui, a chegada da autora de Korokoro foi motivo de festa.  Apaixonada pela natureza, os animais e as plantas são os verdadeiros heróis do "universo vastiano". Com linhas simples e clássicas, o minimalismo estilizado que percorre a sua obra complementa-se com a carga poética e a delicadeza que as suas histórias sempre comportam. 


Estes dois pequenos coelhos são protagonistas já conhecidos de uma outra história da autora francesa. Aqui, encetam um magnífico diálogo sobre superpoderes. A capa que um deles enverga não deixa lugar a dúvidas. Adora super-heróis e o que mais quer é ter um superpoder para se tornar um deles. 






















E, quando a temática gira à volta de super-heróis e dos seus poderes, ninguém melhor do que as crianças para entenderem os desejos do coelho. Mas o entusiasmo com que os formula parece ser contrabalançado pela calma e sabedoria das respostas do segundo coelho. A cada superpoder anunciado como desejado pelo primeiro, ele  vai contrapondo que o mesmo já existe, apresentando o animal que dele é detentor. 












A tartaruga marinha tem o poder de passar seis horas em apneia e até dorme debaixo de água, a chita tem o poder de correr a uma velocidade de 11o quilómetros por hora, a baleia-azul faz-se ouvir a mais de oitocentos quilómetros através dos oceanos, o escaravelho-bosteiro consegue carregar mais de mil vezes o seu próprio peso... A vida não fica fácil para o pequeno coelho que parece ir esgotando a lista dos superpoderes que ambiciona. Em contrapartida, o magnífico desfile de animais permite-lhe descobrir e ficar a conhecer as extraordinárias capacidades de todos eles. A ele e a todos os pequenos leitores.



Com um delicioso final, o pequeno coelho acaba por perceber que já possui um superpoder. O que faz dele um super-herói. E o melhor de tudo é que as crianças também são detentoras de um superpoder! Ainda que possam não saber. 
Façam o favor de se munir  do superpoder de entrar na história e conheçam os superpoderes dos coelhos e das crianças! Este é um livro que, certamente, deleitará os leitores mais pequenos e encantará todos os outros.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Esperando o Amanhecer

 Livros para ler antes de 2022 desaparecer.




















Esperando o Amanhecer | Fabiola Anchorena| Kalandraka

O amanhecer tarda em chegar. A floresta apresenta-se pintada de preto há demasiado tempo. Os animais não entendem a razão do sol tardar em chegar. Há rumores de que possa estar escondido nas profundezas da floresta. Mas todos precisam dele para retomar o normal curso do dia. 
















São animais de todas as espécies e anseiam a chegada do sol, do novo dia. Subitamente, um clarão ao fundo da floresta leva-os a pensar que aquele despertou. Sentem o seu intenso calor. Vão na sua direcção. Mas, rapidamente, percebem que não se trata do sol. A cor assemelha-se, mas aquilo não os aquece, queima-os. São as labaredas de um incêndio. 


Ameaçados, todos fogem. Têm medo. Lutam pela sobrevivência. A catástrofe vivida pelos animais é algo de real a que todos já assistimos. Uns sobrevivem. Outros não. Finda a tragédia, o dia acaba por despertar. Os habitantes são menos e a floresta é, agora, outra. À nossa semelhança também eles têm a esperança de que o novo dia traga um futuro mais promissor, sem ameaças e sem tragédias que ponham em perigo o seu habitat e forma de vida.








Obra vencedora do XV Prémio Internacional de Compostela, nas palavras da autora peruana, este foi um projeto nascido da incerteza e da angústia sentidas quando, em 2019, a Amazónia ardia e se debatia com um dos piores incêndios de que há notícia. No mesmo ano, a Austrália viu-se devastada com um incêndio florestal de grandes dimensões. Mais tarde, a catástrofe atingiu grande parte da Europa. Anchorena agradece ainda às comunidades nativas dos povos indígenas do Peru que cuidam da conservação e vigilância das florestas, reconhecendo o seu importante papel no país.













Esperando o Amanhecer é um dos livros que marcam 2022. Os seus destinatários não têm idade. Porque é urgente que todos tenham consciência do que não pode acontecer nesta e em todas as florestas.


domingo, 11 de dezembro de 2022

A Inundação

Livros para ler antes de 2022 desaparecer























A Inundação | Mariajo Ilustrajo | Fábula


A cidade acorda molhada, mas a maioria dos habitantes não dá grande importância ao facto. Talvez por ser verão. Todos continuam a fazer a sua vida normal, ocupados com as coisas de todos os dias. Aos poucos, o que parecia insignificante vai transformar-se num grande problema.






Uma cidade exclusivamente habitada por animais é o cenário escolhido para esta história. Só os personagens são diferentes, porque os hábitos de vida e o ritmo frenético são iguais aos de qualquer outra cidade. Casas, escolas, locais de trabalho, restaurantes, museus... o leitor entra em todo o lado. Ao mesmo tempo, é como se lhe estivesse reservado o papel de fazer a sondagem da opinião pública sobre o acontecimento do dia. Todos os animais têm opinião. A maioria desvaloriza. Há mesmo quem  considere refrescante e divertido passear de galochas pela cidade.















Mas a água não para de aumentar. A cada dupla página, o azul rouba espaço aos tons preto e branco com que inteligentemente a cidade foi pintada. O azul apodera-se da cidade, mas afecta os habitantes de forma diferente. Os mais pequenos são, obviamente, os primeiros a ser atingidos. Os mais altos parecem continuar indiferentes. O leitor não tem dúvidas, trata-se de uma inundação.
























Numa narrativa predominantemente visual, aos tons preto e branco que dividem o espaço com o azul da água, junta-se apenas um apontamento amarelo que percorre todo o livro. É a cauda de um pequeno habitante que, desde o inicio, está consciente do problema e tenta alertar para ele. Só com o decurso do tempo e a subida do nível da água, consegue que todos acabem por perceber que é necessário fazer alguma coisa. E que só em conjunto conseguirão solucionar o problema. 










Juntos somos mais fortes é o lema desta deliciosa história com uma temática bem actual. Uma história onde miúdos e graúdos podem permanecer horas a  fio, descobrindo uma parafernália de elementos e de referências culturais. Sendo este o livro de estreia da ilustradora espanhola, ficamos com água na boca à espera do próximo.