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| Lani Yamamoto |
sexta-feira, 23 de março de 2018
quinta-feira, 22 de março de 2018
Começa numa Semente.
Começa numa semente. Mas o que será, mais à frente? Uma raiz, um rebento, algumas, poucas folhinhas.
Podia ser apenas mais um livro informativo. Sobre árvores, sobre a natureza. No caso, sobre uma espécie específica, a acer pseudoplatanus, vulgarmente conhecida como "bordo", cujas sementes são apelidadas de "helicópteros" pelo facto de rodopiam no ar, ao cair.
Mas o resultado do encontro entre o texto de Lara Knowles e as ilustrações de Jennie Webber é muito mais do que isso. Uma encantadora e poética abordagem sobre o ciclo da vida, o papel das árvores no ecossistema, a sua relação com a natureza.
Página a página assistimos ao crescimento da semente. Acompanhamos o seu percurso desde o momento em que cai na terra até à idade adulta, em que se transforma numa árvore grandiosa.
Como pode uma plantinha (assim tão pequenininha) tornar-se uma árvore GIGANTE, por demais impressionante?!
O decurso do tempo é algo intimamente ligado ao seu crescimento e as ilustrações de Webber, com recurso à técnica da gravura, meticulosamente feita à mão, dão-nos conta disso mesmo, revelando a passagem das várias estações do ano.
Demora muitos verões, outonos e primaveras.
Tão fascinante como o crescimento da árvore é o da vida em seu redor, proporcionando ao leitor o espectáculo da diversidade que ela consegue abrigar.
Crescem fortes os seus ramos, que dão sombra e abrigo: uma casa onde os animais se sentem fora de perigo.É mais do que uma árvore. É um mundo maravilhoso, com multidões de bichinhos, esquilos e passarinhos, besouros e bicharocos.
quinta-feira, 15 de março de 2018
Sonho
No sonho não há impossíveis. O trabalho de Susa Monteiro parece dizer-nos isso mesmo.
A dimensão onírica da história é revelada ao leitor através de soberbas e belas ilustrações, dignas de figurar em qualquer museu.
Pintada com cores fortes e intensas, a selva é o cenário que acolhe o sonho. Aqui, observamos cada árvore, tocamos os frutos, impregnamo-nos de todos os cheiros.
Por entre cometas e estrelas, pelas profundezas do mar, por ilhas encantadas, vulcões, terra por desbravar. Uma viagem feita a dois. E onde a autora parece querer deixar ao leitor a interpretação de toda a simbologia que a história comporta.
As cores, os rostos, os animais pintados por Susa invocam-nos algumas obras de Paul Gauguin de que tanto gostamos. Mas não nos deixam esquecer que esta é uma ilustradora portuguesa. É nossa!
O destino revela-se uma casa misteriosa habitada por pinturas pré-históricas que, depois de visitadas, parecem ganhar vida própria e reconhecer a essência da liberdade.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Um Capuchinho Vermelho
Sim, coleccionamos Capuchinhos. Vermelhos, verdes, cinzentos, amarelos... São muitos e não caberiam todos numa foto, mas partilhamo-los todos os dias na Casa dos Hipopómatos. Agora acrescentámos a versão portuguesa de Um Capuchinho Vermelho, de Marjolaine Leray, recentemente editada pela Orfeu Negro.
Um pequeno livro, a dois tons, onde os criativos e geniais desenhos, em jeito de rabiscos, metem frente a frente um lobo alto e angular e um pequeno capuchinho que mais parece feito de uma linha só. Vislumbramos-lhe uns palititos como pernas e braços. As feições são modeladas por um simples traço no lugar do nariz.
Ui, que personalidade! Esta vai dar luta!
Apesar da desproporção, uma simples interjeição é suficiente para o leitor perceber que o lobo tem pela frente um osso duro de roer. Aqui não há lamechices, medos ou justificações. A história existe há tempo suficiente para que ambas as personagens saibam ao que vão.
Não há concessões. Sim, sabemos que vai para casa da avó, mas esta não chega sequer a ser chamada à história. Capuchinho chega e sobra para o Lobo. Este não perde tempo e anuncia cedo ao que vai. A colocação do guardanapo à volta do pescoço é elucidativa das suas intenções. A sarcástica interrogação de Capuchinho deixa adivinhar a toada de humor que caracteriza a história de Leray.
Vamos comer?
O minimalismo dos desenhos estende-se ao texto. Os diálogos são curtos e directos. O seu a seu dono: as falas do lobo são a preto e tudo o que sai da boca do capuchinho, sai a vermelho.
A partir daqui, o diálogo assenta na estrutura tradicional, mas não a segue. Os olhos grandes, os dentes... Capuchinho não cai na esparrela. Não pergunta, constata!
Oh, quanto atrevimento!
E quando o tonto lobo lança mão da velha e gasta resposta "são para te comer melhor", segue-se o desconcertante não.
Capuchinho sabia ao que ia. Entrou na história munida de tudo o que precisava. Tanto e tão pouco. Menina inteligente. A esta altura, as gargalhadas são mais que muitas. Miúdos e graúdos estão rendidos a este ser minúsculo que se apresenta quase sempre de perfil. Dizemos quase, porque na hora do não e da vitória a postura é outra.
Aqui, a intensidade ardilosa está do lado do Capuchinho. O leitor já não tem dúvidas, o lobo está no papo. A propósito, lembramo-nos sempre de uma das vezes que contámos a história aos nossos meninos. Chegados a este ponto, um deles, contagiado pela coragem da personagem, interrompeu-nos dirigindo-se ao lobo: Olha, vai mas é lavar os dentes!
Um final subversivo? Claro, o lobo foi completamente papado! Com uma subtileza e inteligência fabulosas, diga-se! Verdadeiramente hilariante, este é um dos livros de que mais gostamos dos muitos que conhecemos sobre o conto das mil e uma versões.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Ivo Neto, Arquiteto.
O protagonista desta história é um daqueles rapazes para quem a pergunta "o que queres ser quando fores grande?" não oferece hesitações. Ivo Neto nasceu para ser arquitecto.
Entre esfinges de terra no jardim da vizinhança, arcos de crepes e gelado, monumentos feitos de fruta, certo é que, aos três anos de idade, o pequeno já obtivera o reconhecimento parental da sua genialidade.
Com tanto aplauso e louvor, o pequeno Ivo estaria longe de supor que o pior estava para vir. Na verdade, os problemas bateram-lhe à porta assim que chegou à escola.
NADA DE PRÉDIOS!
Temos muito que fazer, muita coisa para aprender - era o discurso de Dona Pilar, a autoritária professora que quase destruía o que Ivo vinha erguendo, o seu sonho.
É certo que a Dona Pilar tinha as suas razões para tamanho pavor, já que, com apenas sete anos, ficara presa num elevador. De um prédio altíssimo e famosíssimo... Mas isso não justificava cortar as asas ao rapaz.
A escola era como uma gaiola. O sonho de Ivo não parecia caber lá dentro. E o pequeno, numa tristeza só, pensava " Se não posso construir, o melhor é eu fugir".
Felizmente, um dia tudo mudou. Num passeio escolar a uma pequena ilha perdida no meio do rio, eis que um pontão decide desabar. Ivo Neto, o nosso arquiteto, sem pestanejar, construiu logo ali uma ponte suspensa para que todos pudessem regressar.
Com uma boa dose de humor, as ilustrações de David Roberts vão revelando ao leitor réplicas de alguns monumentos e edifícios bem conhecidos, como é o caso da ponte de São Francisco, onde não faltam os metros e a data da inauguração. Hilariante é o momento em que, em cima da ponte, Dona Pilar abre a mente para um novo horizonte. Roberts é um versátil ilustrador, de quem sempre lembramos as fantásticas ilustrações a preto e branco ( bem ao jeito de Edward Gorey) dos contos de terror escritos por Chris Priestley. O texto de Andrea Beaty, escrito em verso, cativa os mais pequenos que ouvem a história vezes sem conta, ficando com uma imensa vontade de arquitetar.
Editado pela Caminho, o livro deixa-nos à espera do próximo, uma vez que a dupla conta com vários livros.
Editado pela Caminho, o livro deixa-nos à espera do próximo, uma vez que a dupla conta com vários livros.
E sim, aqui a história acaba bem. Ivo Neto, arquiteto, continua a sonhar. Mas, senhores professores, esta história dá que pensar. Nem sempre há por perto um pontão em risco de desabar.
domingo, 4 de fevereiro de 2018
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