terça-feira, 25 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Se as Maçãs Tivessem Dentes


Se as maçãs tivessem dentes... se as melancias fossem emplumadas... se as tartarugas fossem galinhas... se um caracol entregasse o correio... Disparates, dirão vocês! 
Se as maçãs tivessem dentes... Pois leiam o livro com as crianças,  riam,  e as coisas serão diferentes!


Rapidamente os petizes memorizam as rimas e não se cansam de repetir coisas absurdas:
Se os cogumelos tivessem cabelos, ninguém ia querer comê-los
Se pudessem ficar fora dos pratos, os peixes ficariam muito gratos.
Se vestisse um camisolão, o rinoceronte fazia um figurão.
Os jogos de palavras e as situações disparatadas aparentam ter o efeito de desbloquear a imaginação dos mais pequenos, que não resistem a inventar o inimaginável. 



O nonsense do texto parece estender-se às ilustrações. Da autoria do lendário designer Milton Glaser, criador do famoso logo I love NY, elas deslumbram pequenos e grandes leitores. Até nos apetece dizer que se o livro agora editado pela Bruaá fosse receita,  curava muita maleita.
Se pudesse ler como toda a gente, o canguru dava saltos de contente. Esperamos que já estejam a saltar aí por casa!

terça-feira, 18 de abril de 2017

QUEBRA-CABEÇAS. APROXIMA-TE!


Vimo-lo pela primeira vez em Lisboa, na Ilustrarte de 2014. Foi amor à primeira vista! Rendemo-nos de imediato ao fabuloso trabalho e à genial criatividade do argentino Diego Bianki. Voltámos a cruzar-nos em diferentes lugares. Sempre com o mesmo fascínio. Abrimos  e fechámos o desdobrável que o integra vezes sem conta!


Quando, no ano passado, o vimos ser premiado em Bolonha sorrimos pela justeza do prémio. Hoje, é com alegria que dizemos:  já chegou a Portugal! 
Pela mão da Kalandraka, já quebra-cabeças nas nossas livrarias.


Recuperar, reciclar e reutilizar é o mote para o magnífico e original trabalho que Bianki realiza com caixas de cartão. Muitas. Que pinta e desenha, ordenando-as posteriormente como quebra-cabeças. O processo artístico é partilhado no final com o leitor para que o possa repetir, ou melhor, continuar. Temos certeza que serão muitos os artistas a deitar mãos à obra em casa!



Mas esse é apenas o ponto de partida. Porque maravilhosas são, com efeito, a originalidade e a surpresa que nos aguardam a cada página. Estamos longe de suspeitar da sua existência quando tocamos o livro pela primeira vez ou nos quedamos pela capa. 
Recuperar, reciclar e reutilizar adquirem uma outra dimensão, uma outra identidade: Incluir, não discriminar, respeitar a diversidade. Compreendemos bem Menção Especial na categoria de "Disability" atribuída pelo júri de Bolonha.


Às formas, à irresistível paleta de cores vivas e fortes, aos desenhos que integram este infinito quebra-cabeças, junta-se a mensagem. Transmitida por pequenas frases, apetece  dizer que ainda que o livro não tivesse o curto texto, a mesma seria sempre intuída, tal a força com que nos é exposta.


Neste delicioso livro/jogo, esta é a fórmula encontrada para falar de temáticas como a inclusão, a não discriminação ou a diversidade. 
Apesar de sermos muitos, há algo em que somos todos iguais: SOMOS TODOS DIFERENTES. E ainda que não exista um número onde caibamos todos, existe uma palavra onde nos podemos encontrar: NÓS


Não deixem de o ver com os mais pequenos! APROXIMA-TE! Embora sejamos diferentes, fazemos todos parte do mundo!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Aquário. Ou a História de Um Peixe Chamado Liberdade



Aquário conta a história de uma menina que vive junto a um lago e com ele mantém uma estreita ligação. Contemplá-lo, observar a vida que nele corre, os seus habitantes, a sua imensidão, parece coisa de todos os dias.


É num desses momentos que se dá o encontro com um pequeno peixe vermelho, por quem se encanta. Determinada a preservar o novo amigo, a decisão de o levar para casa é imediata.


Habituada que está a observar a vida destes seres, a menina sabe que o novo habitante que recolhe em casa requer  alguns cuidados... E não perde tempo a criar as condições necessárias para que o pequeno peixe vermelho possa ser feliz no novo habitat.


É chegada a hora de pôr em prática todos os conhecimentos provenientes das muitas horas de contemplação. Ao longo de várias páginas, vemos nascer e crescer um sofisticado e imaginativo mundo aquático que ela pretende partilhar com o  novo amigo. Um gigantesco aquário onde tudo é feito à medida da felicidade pretendida para o pequeno peixe... 


Aquário, da autoria da argentina Cynthia Alonso, editado pela Orfeu Negro, é uma maravilhosa história sem texto, onde as imagens contam não só o que vemos como também o que intuimos. Característica dos livros só com imagens, aqui a liberdade criativa do leitor não tem limites. A paleta de cores alegres e fortes, com predominância do azul/água, o mundo aquático, o formato do livro e diversos outros elementos, de que destacamos o vestido com desenhos de peixinhos vermelhos usado pela  protagonista, contribuem para que este seja um livro de sucesso garantido junto de miúdos e graúdos.


A temática e o final da história não nos deixam ter este Aquário na mão sem nos lembrarmos da similitude com outra história, igualmente maravilhosa, da autoria de Jimmy Liao, O Peixe que Sorria, de que falámos aqui.


Em ambos, a amizade fortalece-se deixando prevalecer outros valores como a liberdade e o respeito pelo outro. Não hesitem. Mergulhem!

quinta-feira, 30 de março de 2017

As Contadeiras de Histórias




São muitos os que as conhecem. O encontro acontece em livrarias, bibliotecas ou mesmo em feiras! São delicadas. Aparentemente frágeis, mas de uma força incomensurável. Talvez por virem das árvores e se alimentarem de livros.


Falamos das figuras de papel e de outros materiais reutilizáveis criadas por Sofia Paulino, sempre com o universo dos livros e da leitura como cenário de eleição. A criadora tratou, agora, de lhes arranjar casa própria. O livro As Contadeiras de Histórias é uma edição da Simon's Books.


É delas, das Contadeiras, que fala a história. 
Diz-se que a primeira Contadeira é filha do Vento e da Lua.


O nascimento,  percurso e formas de vida são contados ao leitor através de um texto curto e igualmente delicado.
Sozinha, a pequena Contadeira começou a viver num mundo de fantasia cheio de histórias.


Para não as esquecer, começou a escrevê-las no tronco da sua árvore, que deixou de dar fruto e começou a dar letras. Letras pequenas, MAIÚSCULAS, linhas inteiras... e finalmente, livros.


Sem frutos, a Contadeira passou a alimentar-se de livros. E quantos mais comia, mais nasciam. E de tantos comer... um dia dividiu-se em duas e depois em três e depois... 


Agora, já não sabemos qual delas é a primeira contadeira. Mas sabemos que a Lua e o Vento estão sempre por perto. E que há noites em que as crianças, se escutarem com atenção, conseguem ouvir o som das letras.


São muitas e boas as razões que nos fazem desejar: Longa vida a todas As Contadeiras de Histórias!

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Primavera Literária Brasileira vai passar por aqui



A quarta edição da Primavera Literária Brasileira inclui, este ano, Portugal no seu roteiro. Com a língua portuguesa como pano de fundo, são mais de trinta escritores e ilustradores que se dividem por eventos em Lisboa, Évora, Óbidos e na Casa dos Hipopómatos, em Sintra.
E é no âmbito da Primavera Literária Brasileira que inauguramos já no próximo sábado, dia 25, a Exposição de Ilustrações de originais dos livros O Mundo de Arturo e A Avó Adormecida, de João Vaz de Carvalho. Do último, falámos aqui. O primeiro, também com texto do italiano Roberto Parmeggiani, é inédito em Portugal, tendo sido editado no Brasil pela editora Nós. Parmeggiani é um dos vários escritores que temos o prazer de receber na nossa Casa, sábado, dia 1 de Abril. 
Estão todos convidados! Apareçam! 
No dia 25, com João Vaz de Carvalho e no dia 1 de Abril com Roberto Parmeggiani,  Renata Bueno,  José dos Santos e a editora e escritora Simone Paulino.


terça-feira, 21 de março de 2017

Muita Poesia e Alguma Primavera


Em Dia de Poesia, que por aqui é coisa de todos os dias, relembramos Manuel António Pina.

Os livros

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de 
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa, Assírio & Alvi


Na Casa dos Hipopómatos, decretámos Março como mês da Poesia. Pedimos a miúdos e graúdos que ilustrassem um ou mais poemas e nos enviassem. Continuamos a nossa maratona e voltamos a pedir. Pode ser por carta, por mensagem, por email... Queremos fazer uma enorme colheita das sementes de poesia que lançámos. Mas não só... o resto é surpresa. Participem, temos alguns livros de poesia para oferecer!


sábado, 18 de março de 2017

Bom Fim de Semana, PAIS!


Compota de Manzana, de Klaas Verplancke, é o livro escolhido na Casa dos Hipopómatos para dizer Feliz Dia do Pai!


Uma história maravilhosa e divertida, onde todos os pais se revêem. 
Um papá, ao mesmo tempo, forte e meigo,  e que no banho canta como uma mamã. Um papá divertido e companheiro, mas que quando se cala deixa antever a chegada de uma tempestade...


Claro que isso não dura muito e... é então que os seus dedos sabem a compota de maçã. Oxalá tivesse mil mãos!


Bom Fim de Semana, Pais!

terça-feira, 7 de março de 2017

The Museum of Me. Leituras de Fora


The Museum of Me, de Emma Lewis, vencedor do Prémio Bologna Ragazzi Opera Prima 2017, é o livro da semana na Casa dos Hipopómatos.


Emma Lewis oferece-nos uma criativa e inovadora viagem pelos museus. O conceito de museu e a sua diversidade coabitam aqui numa estreita relação com a pessoa do visitante. Nas palavras do júri de Bolonha, o livro explora o conceito de um museu fazendo referência ao «eu».



E continua: 
As criativas ilustrações em técnica mista oferecem uma gama de imagens intrigantes e provocadoras para exploração do leitor. Para além de uma perspectiva geral, o livro apresenta também pormenores curiosos. As bem urdidas ilustrações surgem como o produto da imaginação independente do artista, não na forma de imagens que visam atender a uma particular exigência do mercado. 


O livro explora a ideia tradicional de um museu, mas faz também referência ao «eu» como a fonte de coisas interessantes, encorajando os leitores a olhar e a pensar no que as coisa que têm à sua volta dizem de si mesmas.
(Tradução dos Hipopómatos)


Vai uma visita?  Ao The Museum of Me e à Casa dos Hipopómatos!

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Rosto da Avó


Em dia de aniversário da avó, a família reúne-se. Todos sabem o quanto ela fica feliz  quando os vê juntos. Ainda assim, há momentos em que a avó consegue, ao mesmo tempo, parecer um pouco triste, surpreendida e até preocupada.


A curiosidade da pequena neta perante o mistério é grande. Mas a avó explica-lhe que isso se deve às linhas  que lhe marcam o rosto. É lá que guarda todas as memórias. Os porquês próprios da infância persistem. Como será possível que linhas tão pequenas consigam ter espaço para tantas memórias...


O livro dá inicio a uma viagem por um outro livro, o rosto da avó. As linhas assemelham-se a um fio condutor que serve para cozer umas às outras as histórias da sua vida. 
As páginas vão-se alternando. A cada pergunta da neta sobre uma linha diferente, segue-se o acontecimento vivenciado pela avó num tempo mais longínquo.


O tempo das primeiras descobertas, das amizades que se celebram num piquenique à beira-mar, do primeiro encontro com o amor, das primeiras despedidas... De forma terna e comovente, à pequena vai sendo transmitido o conhecimento das várias etapas de que se fez a vida da avó. Conhecimento de que o leitor se torna cúmplice ao ouvir as histórias que as linhas desenhadas no rosto albergam.


As deliciosas ilustrações, com uma paleta de cores que parece escolhida para acompanhar a  ternura do texto passo a passo, estabelecem uma estreita relação com as histórias que vão sendo narradas na primeira pessoa. O resultado culmina numa simbiose perfeita: o relato de uma vida. 


Este é o terceiro livro de Simona Ciraolo, editado entre nós pela Orfeu Negro. A família, os laços, as emoções são temáticas comuns e que já nos tinham tocado em Quero Um Abraço, de que falámos aqui e em O Que Aconteceu À Minha Irmã, que podem ver aqui. Ficamos, claro, à espera do próximo! 
Ah, e por favor,  não passem indiferentes pelo jardim de catos da avó!