segunda-feira, 31 de março de 2014

Contradança

Contradança, um livro de Roger Mello, o ilustrador e escritor brasileiro vencedor do Prémio Hans Christian Andersen Awards 2014, na categoria de ilustração.


A preto e branco, com recurso à fotografia, a menina e o macaco entram no jogo dos espelhos. E começam o que parece ser a descoberta das suas várias identidades.


- Psss! Não é quando a noite faz silêncio que os reflexos passeiam.


 - Não?

quinta-feira, 27 de março de 2014

Catarina Sobral, The Winner

2014 Winner of the International Award for Illustration

Catarina Sobral, Portugal


Ontem, Portugal foi notícia. Andou de boca em boca. Por Bolonha. Por vários cantos do mundo. Não, não foi pela dívida, nem pela crise, nem pela Troika. A notícia foi a Catarina Sobral. Porque em Bolonha,o palco mais prestigiado da Ilustração, ganhou o Prémio Internacional de Ilustração
Não ficámos espantados. No dia anterior tínhamos escrito aqui sobre a única ilustradora portuguesa seleccionada para Bolonha e sobre o seu trabalho.  Ficámos orgulhosos! Felizes! Pulámos de alegria quando ouvimos que o prémio ia para "a portuguesa" Catarina. 
E pensámos: que se lixe a troika, nós devemos muito é à Catarina Sobral. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

O Meu Avô








A Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha volta a abrir portas. Tal como em Frankfurt, o Brasil é, este ano, o país convidado. Com o prestigio que  meio século de existência lhe granjeou, Bolonha é o palco mais apetecível para a mostra de trabalhos de ilustradores de todo o mundo. Este ano, concorreram 3188 ilustradores, oriundos de 191 países. Foram seleccionados 75. 

Entre eles, está  Catarina Sobral , a única ilustradora portuguesa escolhida, graças às ilustrações do livro recentemente editado pela Orfeu Negro,  O MEU AVÔ. 


Este é o terceiro livro de Catarina Sobral, depois de Achimpa e Greve, o livro com que se estreou. Traduzida em várias línguas e com alguns prémios arrecadados, a  jovem ilustradora e designer de comunicação ocupa já um lugar de destaque no panorama da literatura infantil. O que distingue o seu trabalho e o torna tão interessante?




Em Portugal, não são muitos os ilustradores simultaneamente autores dos textos. Catarina leva vantagem já que, fugindo à tradicional dicotomia escritor/ilustrador, assume ambos os papéis. O resultado tem sido revelador de enorme qualidade e coerência. 



Os seus livros têm algo de subversivo. São subtilmente desafiantes e provocadores. Mas, acima de tudo, têm uma consistência própria resultante, por um lado, da visão crítica da  autora e, por outro, da diversidade de referências culturais e elementos intertextuais que   sabe utilizar com grande mestria.


Embora num registo diferente dos anteriores,  O Meu Avô não foge a essa dinâmica. Desde logo a figura do avô, a relembrar esse inesquecível Monsieur Hulot, a que não falta sequer o cachimbo. Almada e Pessoa voltam a ser revisitados (depois de Greve), porque este avô tem tanto tempo que até  escreve ridículas cartas de amor... durante horas a fio.


As referências culturais não se ficam por aqui. Numa clara e deliciosa invocação (gostamos de ver ali o rapaz...) do mais célebre quadro de Manet, Le déjeuner sur l'herbe, este avô faz também vários piqueniques durante a semana. Comme il faut.




Nem sempre as referências são perceptíveis por todos os leitores, muito menos pelos mais pequenos. Mas como refere um dos nossos autores preferidos, Anthony Browne, ele próprio "useiro e vezeiro" na invocação de  pintores célebres, não há a  pretensão  de que as crianças ou os pais os identifiquem, mas sim que se familiarizem com a arte.   
     

E, no caso de O Meu Avô, se há algo bem perceptível é a história contada pela voz de  um pequeno protagonista, o neto, que nos narra o dia a dia do avô, tendo como contraponto o de um vizinho, o Dr. Sebastião. Um contraponto que se faz a cada dupla página e a dois tons, vermelho e verde. É através do uso que cada um faz do tempo que ficamos a conhecê-los. Sem nunca duvidar que este é o avô que todos gostaríamos de ter.



Um avô que costumava ter uma loja de relógios, mas agora tem bastante tempo, enquanto o Dr. Sebastião que não é relojeiro (apesar de estar sempre a ver as horas), nunca tem tempo  a perder. Este nunca se esquece de comprar o jornal, já o avô nunca se lembra de ler as notícias. 


Embora pouco ou nada tenham em comum, o avô diz que já foi muito parecido com o Dr. Sebastião... Mas isso foi certamente noutro tempo. Porque entre a "stressante" rotina do Dr. Sebastião, revelada sobretudo pelas imagens, e o dia deste "sábio" avô não parece haver qualquer semelhança. Aqui ficam alguns exemplos do uso que o avô dá ao seu tempo: tem aulas de alemão e de pilates, cuida do jardim, bebe chá com uma amiga, faz piqueniques, cozinha, discute pintura, lê peças de teatro e claro,  vai buscar o neto à escola.

Estas são apenas algumas das razões porque nós, Hipopómatos,  nunca fazemos greve aos livros da Catarina Sobral. E até já achimpamos pelo próximo.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Bom Fim de Semana

Porque hoje é Dia Mundial da Poesia,

Não adormeças

Às vezes,
o tigre
fica em silêncio.
Fecha os olhos,
ronca para dentro.
Dou-lhe um abanão.
Quero outro conto!
O tigre suspira.
Não tens sono, não?

Beatriz Osés e Miguel Ángel Díez, in O Segredo do Papa-Formigas. ed.Kalandraka.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Bom Dia, PRIMAVERA.



Celebramos a chegada da Primavera com Eric Carle e os seus Amigos, recentemente editado pela Kalandraka.

quarta-feira, 19 de março de 2014

MY FATHER'S ARMS ARE A BOAT


Às vezes fechamos um livro mas não saímos dele. Silenciosamente, guardamo-lo entre as mãos, apertamos-lo junto ao peito, como se quiséssemos eternizar dentro de nós tudo o que ele contém.  Nesse tempo de silêncio, sentimo-nos  privilegiados, gratos por nos termos cruzado com ele.


My Father's Arms Are a Boat é um desses livros. O texto é da autoria de Stein Erik Lunde e as ilustrações são do norueguês Øyvind Torseter, um dos ilustradores que integram este ano  a "short list" do Prémio Hans Christian Andersen.


Na intimidade da casa, o rapaz debate-se com a dificuldade em adormecer. Nunca o silêncio fora tão grande. Incapaz de dormir, volta à sala e acaba no colo do pai, em busca de conforto.


Intuímos a razão de tal silêncio e a atmosfera de tristeza logo no inicio. Partilhamos a proximidade entre pai e filho, a cumplicidade do olhar, o calor dos  braços que se estreitam e apertam. Chegamos quase a conter a respiração. De alguma forma,  sentimo-nos intrusos.


Lá fora, o mesmo silêncio. E o branco da neve. Cá dentro, inicia-se um diálogo sobre pássaros vermelhos e a raposa caçadora. O rapaz exprime as suas dúvidas. Estariam os pássaros a dormir? E a raposa? Captamos-lhe o tom angustiante,  ao recear que a raposa possa chegar primeiro  ao pão que deixaram para pequeno-almoço dos pássaros. 


"Everything will be all right", diz o pai" The fox doesn't like bread".  Apesar do conforto expresso pelas palavras do pai, não parece totalmente confiante. Lembra-se do que a avó diz sobre os pássaros vermelhos. São pessoas que morreram.


Adivinha-se  que a pergunta possa chegar e tememos a resposta. Quando pergunta se a mãe está a dormir, o pai responde que sim. À pergunta se ela não volta a acordar, o pai responde que não. É chegada a hora de contemplar as estrelas e formular desejos.


A beleza do texto de Lunde é inquestionável. Porque falamos de perdas, as frases são curtas e intensas. Mas são as ilustrações de Torseter que nos desassossegam. O ilustrador norueguês socorre-se de uma técnica mista, com primazia para as "esculturas de papel".   O jogo de perspectivas, com as ilustrações a surgirem-nos  a 2D e 3D, resulta num trabalho notável.  São elas que nos fazem  ouvir o silêncio e vivenciar o pesar.


As perdas são inevitáveis e a vida continuará para além delas. Mas o tema revestir-se-à sempre da complexidade que cada um de nós lhe atribuir. Agora,  contemplando o lume, pai e filho partilham o silêncio e o amor.  O rapaz continua sem  conseguir dormir. 


"Everything will be all right," says Daddy.
"Are you sure?"
"I'm sure."


terça-feira, 18 de março de 2014

Les bras de papa


Encontrámo-lo por acaso, mas não resistimos ao seu encanto. À medida que o líamos, a ternura colava-se aos dedos com que tocávamos as páginas. Com texto de Jo Witek e ilustrações de Christine RousseyLes bras de papa, rien que pour moi é contado  por uma pequena protagonista que nos vai revelando o seu amor pelo pai. 


Às palavras delicadamente rimadas juntam-se as ilustrações em relevo que, em fundo branco, fazem dos braços fortes de pai, sempre posicionados em dupla página, o elemento preponderante da história.


Sem nunca se ver a figura do pai, apenas os braços,  a pequena protagonista dá conta das transformações de que estes são capazes e das viagens que lhe proporcionam. Como que por magia,  tornam-se o ninho onde gosta de se aconchegar e se sente suficientemente forte para enfrentar qualquer perigo.


Presentes em todos os momentos, o seu herói é capaz das mais diversas proezas. É assim que, por exemplo,  na hora da piscina, encontramos um pai barco que permite enfrentar ventos e marés. Um pai  avião particular ou tapete voador que a conduz nas alturas, um pai pista de corridas onde a vitória é garantida ou um pai castelo, onde a jovem é rainha.


Um livro que, aqui e além, nos relembra o fantástico Pê de Pai, da Isabel Minhós Martins e do Bernardo Carvalho. 


E porque esta é uma viagem feita de cumplicidades, os braços do pai tranquilizam, encorajam, reconfortam ou protegem, consoante as situações vividas.


Lembrando que o amor se traduz nos pequenos gestos de todos os dias.


Au pays de l'imaginaire, tout deviant extraordinaire,
Papa se transforme en ce que je veux. C'est notre jeu à tous les deux.

Mon papa, si tu savais comme je t'adore.



E porque amanha é dia do pai, relembramos algumas sugestões aqui e aqui.

segunda-feira, 17 de março de 2014

UN PAPÁ A LA MEDIDA

Quando se tem a mãe mais bonita, mais inteligente, mais forte, mais... mais..., mas não se tem pai, é compreensível que procuremos um, no mínimo, com iguais atributos. Um papá à medida.

                               

Nada como elencar os requisitos e publicar o anúncio com o que pretendemos. 


Depois... tudo pode acontecer. Neste caso, o candidato eleito não era forte, não sabia fazer cálculos mentais e até era baixote. Em contrapartida, sabia muitos poemas, gostava de animais e era muito simpático e carinhoso.  

Com texto de Davide Cali e ilustrações de Anna Laura Cantone, UN PAPÁ A LA MEDIDA é um livro delicioso, hilariante e imperdível. E porque o dia dos papás está quase a chegar, deleitem-se com o vídeo.


                    

Apesar de termos a versão espanhola, Um Papá à Medida está editado, entre nós, pela Editora Ambar.

A Caminho...

E o vencedor é... Sofia Maul. Parabéns, Sofia! Obrigada a todos pela participação. Voltem sempre. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Temos para oferecer

Com a amável colaboração da Kalandraka, um exemplar do livro Adelaide, de Tomi Ungerer. 


:: Estas são as regras ::
- Ser seguidor dos Hipopómatos 
- e referir um livro desta editora de que gostem muito. 

: O vencedor :
Até às 24 horas de Sexta, todos os seguidores podem participar, deixando aqui um comentário.
O vencedor será anunciado no dia 17, segunda-feira. 

Venham até cá, adoramos oferecer livros! 
Boa sorte!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Adelaide

Mr. Tomi Ungerer está de volta! Adelaide já voa por tudo o que é livraria.

Nasceu diferente. Os pais ficaram espantados quando viram que a filha tinha asas. Coincidência  ou não, os aviões e os pássaros fascinavam Adelaide.

Um dia, decidiu voar e, "à boleia" de um piloto que por ali passava, conheceu o mundo. Fez sucesso, porque um canguru voador não é coisa que se veja todos os dias.

Depois, percebeu que chegara a altura de estabilizar, ou melhor, de aterrar. Escolheu Paris, muito provavelmente pelo facto de a cidade luz ter muitas estátuas com asas.

Paris abriu-lhe as portas e Adelaide tornou-se conhecida no mundo do espectáculo. Mas a verdadeira fama só chegou quando, num acto de coragem, salvou a vida de duas crianças e se tornou uma heroína.

Uma história com "cheiro" a fábula, em que a protagonista sabe dar o melhor uso às  asas com que nasceu. Apesar das diferenças, a nossa heroína  constrói o seu caminho e afirma a sua identidade. Colecciona amigos e procura o amor. Quando o descobre, faz tudo o que está ao seu alcance para ser feliz. E foi!  


As delicadas ilustrações, em tons sépia e azul, não nos deixam esquecer a suavidade de alguns dos primeiros livros de Ungerer (o mesmo sucede em alguns dos The Mellops, de que falámos aqui) e o forte contraste com a evolução da sua obra. Uma fase onde as heroínas ainda pontificam. Quem não se lembra de Críctor, essa corajosa serpente? 


Considerado por muitos um "clássico", Adelaide decidiu agora voar até Portugal. Desta feita, à boleia da Kalandraka. Nós agradecemos, porque este é o canguru que todos queremos ter em casa! 

Para quem não conhece o Tomi Ungerer Museum e gosta de visitas virtuais,  aqui fica o link .